Recidiva do câncer de mama: o que você precisa saber

Saiba por que o câncer de mama pode voltar, quais sinais merecem atenção, quem tem maior risco e como é feito o tratamento quando a doença retorna.

Concluir o tratamento do câncer de mama é uma conquista importante, comemorada pela paciente, pela família e por toda a equipe que a acompanhou. Ainda assim, para muitas mulheres, esse momento costuma vir acompanhado de uma preocupação: a possibilidade de a doença voltar. O medo da recidiva do câncer de mama é comum, mesmo em quem terminou o tratamento há muitos anos, e a resposta não é simples. Todos os tipos de câncer de mama podem voltar, e nenhum fator isolado define se isso vai acontecer em uma paciente específica. O risco depende principalmente do estágio da doença no diagnóstico, do perfil de receptores do tumor e da resposta ao tratamento. Conhecer o próprio risco ajuda a colocar esse medo em perspectiva, e o acompanhamento com o oncologista e, quando necessário, o apoio psicológico fazem parte do cuidado depois do câncer.

O câncer de mama é o tumor mais frequente entre as mulheres brasileiras, excluídos os tumores de pele não melanoma, segundo o INCA. Os avanços no tratamento têm reduzido de forma importante o risco de recidiva. E, quando ela acontece, existem hoje diversas opções terapêuticas, que permitem controlar a doença e preservar a qualidade de vida.

O que é a recidiva do câncer de mama?

A recidiva do câncer de mama, também chamada de recorrência, é o retorno da doença após o tratamento e depois de um período sem sinais da doença. Ela ocorre porque células tumorais que não foram completamente eliminadas no tratamento inicial voltam a se multiplicar, e pode se manifestar de diferentes formas. Na maioria das vezes, isso se dá nos primeiros anos após o fim do tratamento, mas alguns tipos, especialmente os tumores sensíveis a hormônios, podem retornar muitos anos depois.

Quais são os tipos de recidiva do câncer de mama?

A recidiva do câncer de mama é classificada de acordo com o local onde a doença volta.

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Recidiva local: o câncer reaparece na própria mama tratada ou, nas pacientes que fizeram mastectomia, na parede do tórax ou próximo à cicatriz.

Recidiva regional: a doença volta nos linfonodos (gânglios) próximos à mama, como os da axila ou da região acima e abaixo da clavícula.

Recidiva à distância (metastática): as células do tumor se estabelecem em outros órgãos, como ossos, fígado, pulmões ou cérebro. Também podem ser afetados linfonodos mais distantes, como os do mediastino (região central do tórax), do pescoço ou da axila do lado oposto, além da pele e do abdômen (barriga). Esse cenário é explicado em detalhes no texto sobre câncer de mama metastático.

Quais são os sinais e sintomas da recidiva do câncer de mama?

Os sinais da recidiva do câncer de mama variam conforme o local onde a doença volta. Muitas recidivas são percebidas pela própria paciente entre as consultas, por isso vale conhecer os principais sinais e procurar o oncologista sem esperar a próxima consulta programada.

Na mama, na parede do tórax ou nos linfonodos
  • Nódulo novo ou endurecimento na mama tratada, na parede do tórax ou ao longo da cicatriz.
  • Alterações na pele, como vermelhidão, inchaço, espessamento, aspecto de casca de laranja ou pequenos nódulos.
  • Alterações no mamilo, como retração recente ou saída de secreção.
  • Caroço ou inchaço na axila, acima da clavícula ou no pescoço.
  • Inchaço persistente do braço do mesmo lado.
Em outros órgãos
  • Dor óssea persistente, que piora à noite ou não melhora com repouso.
  • Tosse que não passa ou falta de ar.
  • Dor abdominal, náuseas, perda de apetite ou pele e olhos amarelados.
  • Dor de cabeça nova e persistente, alterações da visão, fraqueza em um lado do corpo, convulsões ou confusão.
  • Cansaço intenso e perda de peso sem explicação.

Esses sintomas também podem ter causas benignas, como alterações da cicatriz, efeitos tardios da radioterapia ou efeitos colaterais da hormonioterapia. O importante é que qualquer sintoma novo e persistente seja avaliado pelo oncologista.

Qual tipo de câncer de mama tem maior chance de voltar?

Como existem vários tipos de câncer de mama, não há uma taxa única de recidiva do câncer de mama que valha para todas as pacientes. Alguns subtipos, porém, voltam com mais frequência. Segundo a American Cancer Society, o câncer de mama triplo-negativo tem maior probabilidade de recidiva do que os tumores com receptores hormonais positivos. O câncer de mama inflamatório, por ser uma forma agressiva da doença, também está entre os que mais voltam.

Quanto tempo depois do tratamento o câncer pode voltar?

O momento da recidiva do câncer de mama depende do subtipo do tumor, como mostra o levantamento do MD Anderson sobre os tipos de câncer de mama que mais voltam.

Triplo-negativo: as recidivas se concentram nos primeiros anos após o tratamento. Quem passa cinco anos sem sinais da doença tem, a partir daí, um risco baixo de que ela volte.

HER2 positivo: a maior parte das recidivas também acontece nos primeiros cinco anos. Quando o tumor, além de HER2 positivo, tem receptor hormonal positivo, a doença também pode voltar mais tarde.

Receptor hormonal positivo: o risco de recidiva se mantém ao longo do tempo, e cerca de metade das recidivas ocorre depois dos cinco primeiros anos. Uma análise com mais de 60 mil mulheres mostrou que esse risco persiste por pelo menos 20 anos após o diagnóstico, mesmo depois de cinco anos de hormonioterapia. Por isso, o acompanhamento desses tumores é longo.

O que aumenta o risco de o câncer de mama voltar?

O risco de recidiva do câncer de mama resulta da soma de várias características do tumor e da forma como ele respondeu ao tratamento.

Estágio no diagnóstico. É um dos principais indicadores de risco. O estágio considera o tamanho do tumor e se há linfonodos da axila comprometidos. De modo geral, quanto maior o tumor e quanto mais linfonodos acometidos, maior a chance de a doença voltar. O câncer de mama inflamatório já é diagnosticado como doença localmente avançada, o que explica seu risco mais alto. Isso não significa que todo câncer em estágio avançado vai voltar, nem que o estágio inicial esteja livre de recidiva.

Perfil de receptores. No câncer de mama, três receptores são avaliados: estrogênio, progesterona e HER2. A combinação deles define o subtipo do tumor e orienta o tratamento. O triplo-negativo, em que os três receptores são negativos, costuma crescer rápido e geralmente exige quimioterapia. Os tumores HER2 positivos também são agressivos, mas hoje contam com terapias-alvo que reduziram muito o risco de recidiva. Os tumores com receptor hormonal positivo tendem a crescer mais devagar, mas podem voltar muitos anos depois.

Outras características do tumor. O oncologista também avalia o grau do tumor, que indica o quanto as células se parecem com as normais, e a velocidade com que elas se multiplicam. Em alguns tumores com receptor hormonal positivo, testes genômicos feitos no material da cirurgia ajudam a estimar o risco e a decidir se a quimioterapia traz benefício. Mulheres mais jovens no diagnóstico também tendem a ter risco maior.

Resposta ao tratamento. Um tumor agressivo não tem, obrigatoriamente, o pior prognóstico. Quando a quimioterapia é feita antes da cirurgia, a forma como o tumor responde é uma informação valiosa. Nos tumores triplo-negativos e HER2 positivos, o desaparecimento completo do tumor na peça cirúrgica indica risco bem menor de recidiva. Quando sobra tumor, o risco é maior, mas existem tratamentos complementares após a cirurgia que ajudam a reduzi-lo.

Como é diagnosticada a recidiva do câncer de mama?

Depois do tratamento inicial, a paciente passa a fazer consultas periódicas de acompanhamento. Nessas consultas, o médico conversa sobre como ela está se sentindo, faz o exame físico e orienta sobre os sinais que merecem atenção. Segundo a American Cancer Society, o objetivo é cuidar da saúde como um todo e identificar cedo uma possível volta da doença.

Além das consultas, a mamografia continua sendo feita uma vez por ano. Em quem não tem sintomas, a diretriz da ASCO e da American Cancer Society não recomenda tomografias, cintilografia óssea, PET-CT nem marcadores tumorais de rotina. Esses exames não aumentam a sobrevida e podem gerar resultados falsos e ansiedade desnecessária.

Quando surge um sintoma ou uma alteração no exame, o médico pede exames para entender o que está acontecendo. Se a suspeita é de recidiva do câncer de mama na própria mama, na parede do tórax ou nos linfonodos próximos, os exames são parecidos com os usados no primeiro diagnóstico: mamografia e ultrassom, às vezes ressonância magnética e, para confirmar, uma biópsia, que retira uma pequena amostra do tecido para análise.

Quando a suspeita é de doença em outros órgãos, como ossos, fígado, pulmões ou cérebro, os exames dependem dos sintomas e do local onde está a alteração. Sempre que possível, também é feita uma biópsia da lesão. Ela confirma que se trata do mesmo câncer e permite reavaliar os receptores hormonais e o HER2, que podem mudar em relação ao tumor original e alterar a escolha do tratamento.

Quando a recidiva do câncer de mama é confirmada, é comum o oncologista pedir outros exames antes de iniciar o tratamento, como exames de sangue, tomografia, cintilografia óssea, ressonância magnética ou PET-CT. Em tumores com receptor hormonal positivo, o PET com fluoroestradiol pode ajudar em casos selecionados. Isso não quer dizer que a doença se espalhou. Esses exames servem para mostrar o quadro completo e ajudar a escolher o tratamento mais adequado.

Como é tratada a recidiva do câncer de mama?

O tratamento da recidiva do câncer de mama é individualizado. O oncologista leva em conta onde a doença voltou, as características do tumor, os tratamentos que a paciente já recebeu e o estado geral de saúde dela. Muitas vezes, o plano combina cirurgia, radioterapia e medicamentos, conforme descreve a American Cancer Society.

Quando o câncer volta apenas na mama, na parede do tórax ou nos linfonodos próximos, o tratamento é feito com intenção curativa, e a cirurgia costuma ter papel importante. Para quem fez cirurgia conservadora na primeira vez, em geral é indicada a mastectomia. Em casos selecionados, é possível uma nova cirurgia conservadora. A radioterapiapode complementar a cirurgia, principalmente quando a região ainda não foi irradiada, e muitas vezes os medicamentos também fazem parte do plano.

Os medicamentos agem no corpo todo e são escolhidos de acordo com o perfil do tumor. A hormonioterapia é a base do tratamento nos tumores com receptor hormonal positivo. As terapias-alvo bloqueiam mecanismos específicos que fazem o câncer crescer, como nos tumores HER2 positivos. A imunoterapia estimula o sistema imunológico a combater a doença e tem papel importante em parte dos tumores triplo-negativos. A quimioterapia pode ser usada em diferentes situações e, quando já foi feita antes, costuma ser feita com outras drogas.

Quando a doença volta em outros órgãos, o tratamento não busca a cura. O objetivo passa a ser controlar o câncer, aliviar os sintomas e preservar a qualidade de vida pelo maior tempo possível. As opções para essa situação estão detalhadas no texto sobre câncer de mama metastático.

Receber o diagnóstico de recidiva do câncer de mama também mexe com as emoções. Raiva, tristeza, medo do futuro e a sensação de estar sobrecarregada são reações comuns, tanto para a paciente quanto para a família. Conversar com a equipe sobre isso faz parte do tratamento. Os cuidados paliativos, que podem começar em qualquer fase da doença e não apenas no fim da vida, ajudam a controlar sintomas e oferecem apoio durante e depois do tratamento. O acompanhamento psicológico também pode ajudar muito nesse momento.

É possível prevenir a recidiva do câncer de mama?

Não existe uma forma garantida de impedir que o câncer de mama volte, mas algumas mudanças no estilo de vida ajudam a reduzir esse risco. De acordo com a American Cancer Society, os mesmos fatores que aumentam o risco de desenvolver câncer também parecem favorecer a recidiva depois do tratamento.

Alimentação e peso. Pesquisas sugerem que o risco de recidiva do câncer de mama pode ser maior em mulheres com excesso de peso e com baixo consumo de frutas e verduras. Uma alimentação equilibrada e a manutenção de um peso saudável fazem parte do cuidado depois do tratamento.

Álcool. O consumo de bebidas alcoólicas está associado a vários tipos de câncer, entre eles o de mama. O ideal é não beber. Para quem bebe, a recomendação é não passar de uma dose por dia, e quanto menor o consumo, menor o risco.

Vitaminas e suplementos. Muitas pacientes procuram vitaminas, ervas ou suplementos na esperança de evitar que a doença volte, mas os estudos não mostram esse benefício. Doses altas de nutrientes isolados podem até ser prejudiciais. Quando um exame de sangue mostra alguma deficiência, o médico pode indicar a reposição. Antes de começar qualquer suplemento, converse com seu oncologista.

Atividade física. É um dos fatores com evidência mais consistente. Mulheres com câncer de mama que se exercitam regularmente têm menor risco de recidiva e de desenvolver um segundo câncer, em comparação com as que são sedentárias. A atividade física também ajuda a reduzir o cansaço, a ansiedade, a dor e o estresse, e melhora o humor e a autoestima. O ideal é praticar exercícios moderados na maior parte dos dias da semana, depois de liberação médica.

Tabagismo. Parar de fumar depois do diagnóstico reduz o risco de recidiva e de um segundo câncer, além de melhorar a qualidade de vida. Pacientes que abandonam o cigarro vivem mais do que as que continuam fumando.

Essas medidas não substituem o acompanhamento com o oncologista. Elas fazem parte dele, e cada uma é uma forma concreta de a paciente participar do próprio cuidado depois do câncer.

Perguntas frequentes sobre recidiva do câncer de mama

Recidiva e segundo câncer de mama são a mesma coisa?

Não. Na recidiva, o mesmo tumor tratado anteriormente volta a crescer. O segundo câncer de mama é um tumor novo, sem relação com o primeiro, que pode surgir na outra mama ou até na mesma. A biópsia e a análise das características do tumor ajudam a fazer essa diferenciação, que muda a forma de tratar.

A recidiva do câncer de mama tem cura?

Depende do local. Quando a doença volta apenas na mama, na parede do tórax ou nos linfonodos próximos, o tratamento é feito com intenção curativa. Quando a recidiva atinge outros órgãos, o objetivo passa a ser controlar a doença pelo maior tempo possível, com qualidade de vida.

Quais exames detectam a recidiva do câncer de mama?

No acompanhamento de rotina, a consulta com exame físico e a mamografia anual são a base. Exames como tomografia, cintilografia, PET-CT e marcadores tumorais são pedidos quando há sintomas ou alterações no exame, e não de forma rotineira em quem está bem.

Dor nos ossos depois do câncer de mama é sinal de recidiva?

Nem sempre. Dores nas articulações e nos músculos são comuns durante a hormonioterapia, principalmente com os inibidores de aromatase. Já uma dor óssea persistente, localizada, que piora à noite ou não melhora com repouso, deve ser avaliada pelo oncologista, porque pode indicar metástase óssea.

Por quanto tempo é preciso fazer acompanhamento?

As diretrizes recomendam consultas a cada 3 a 6 meses nos três primeiros anos, a cada 6 a 12 meses no quarto e no quinto ano e, depois disso, uma vez por ano. Nos tumores com receptor hormonal positivo, como o risco persiste por muitos anos, o acompanhamento anual deve ser mantido a longo prazo.

Quem fez mastectomia pode ter recidiva do câncer de mama?

Sim. Mesmo após a retirada da mama, a doença pode voltar na parede do tórax, na região da cicatriz, nos linfonodos próximos ou em outros órgãos. Por isso, o acompanhamento continua sendo necessário depois da mastectomia.

O que fazer se a recidiva do câncer de mama for confirmada?

O primeiro passo é conversar com o oncologista sobre o resultado da biópsia e os exames de estadiamento, que definem o melhor tratamento. Em um momento de decisões importantes, uma segunda opinião pode trazer mais segurança.

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Oncologista em São Paulo - Dr. Hugo Tanaka

Dr. Hugo Tanaka
Oncologista Clínico
CRM 163241 | RQE 100689 – Oncologia Clínica

Oncologista clínico e pesquisador atuante em São Paulo, com sólida formação acadêmica que inclui doutorado e mestrado em oncologia clínica e atendimento multidisciplinar.
Especialista certificado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), desenvolve práticas médicas integradas com foco em atendimento humanizado e ágil, sempre baseado em diretrizes internacionais.

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