Imunoterapia para câncer de mama: Entenda quando esse tratamento é indicado

A imunoterapia representa um avanço importante no tratamento de determinados tipos de câncer de mama. Embora não seja adequada para todos os casos, essa modalidade terapêutica trouxe novas esperanças especialmente para pessoas diagnosticadas com câncer de mama triplo-negativo, um subtipo conhecido por sua agressividade e pelas opções de tratamento historicamente mais limitadas.

Diferente dos tratamentos tradicionais que atacam diretamente as células cancerígenas, a imunoterapia funciona fortalecendo e direcionando o próprio sistema imunológico do corpo para reconhecer e combater o tumor. Essa abordagem inovadora tem demonstrado resultados promissores em situações específicas, mudando a perspectiva de tratamento para determinados pacientes.

Como a imunoterapia funciona no organismo

Nosso sistema imunológico é naturalmente preparado para defender o corpo contra invasores como vírus, bactérias e células anormais. No entanto, as células cancerígenas desenvolvem mecanismos inteligentes para se esconder dessa vigilância imunológica, permitindo que o tumor cresça sem ser detectado.

O funcionamento da imunoterapia baseia-se em remover esses “disfarces” que as células tumorais utilizam. Os linfócitos T, células de defesa fundamentais do nosso organismo, têm a capacidade de identificar e destruir células doentes. Porém, as células do câncer de mama podem expressar uma proteína chamada PD-L1 em sua superfície, que se liga a outra proteína (PD-1) presente nos linfócitos T, essencialmente “desligando” essas células de defesa.

Os medicamentos imunoterápicos, conhecidos como inibidores de checkpoint imunológico, atuam bloqueando essa interação prejudicial entre PD-L1 e PD-1. Ao fazer isso, os linfócitos T voltam a funcionar plenamente, recuperando sua capacidade de reconhecer e atacar as células cancerígenas. É como retirar um freio que estava impedindo o sistema imunológico de trabalhar adequadamente.

Quando a imunoterapia é indicada para câncer de mama

Atualmente, a imunoterapia no câncer de mama está aprovada especificamente para casos de tumor triplo-negativo. Esse subtipo recebe esse nome porque as células tumorais não apresentam receptores para estrogênio, progesterona ou HER2 – três alvos comuns de outras terapias oncológicas. Isso torna o tratamento mais desafiador e faz com que a quimioterapia e a imunoterapia sejam opções fundamentais.

O medicamento pembrolizumabe é o principal representante dessa classe aprovado para uso em mama triplo-negativa. No entanto, nem todas as pessoas com esse diagnóstico podem se beneficiar dessa terapia. A indicação depende de alguns fatores cruciais que os médicos avaliam cuidadosamente.

Para pacientes com doença metastática, ou seja, quando o câncer se espalhou para outras partes do corpo, a imunoterapia combinada com quimioterapia é uma opção quando há presença da proteína PD-L1 nas células tumorais ou nas células imunológicas dentro do tumor. Essa verificação é feita através de um exame laboratorial específico chamado imuno-histoquímica, realizado em material coletado durante biópsia ou cirurgia prévia. Quando essa proteína não é detectada, os inibidores de checkpoint não apresentam eficácia.

Nos casos de doença em estágio inicial considerado de alto risco, o tratamento pode incluir a combinação de imunoterapia e quimioterapia antes da cirurgia, seguida por continuação da imunoterapia isolada após o procedimento. 

Geralmente, considera-se alto risco tumores maiores que 2 centímetros ou quando há comprometimento dos linfonodos, mesmo com tumores menores.

Combinações de tratamento e estratégias terapêuticas

A imunoterapia raramente é utilizada isoladamente no tratamento do câncer de mama. A estratégia mais comum envolve sua combinação com quimioterapia, potencializando os resultados. Essa abordagem combinada tem demonstrado melhor controle da doença.

A pesquisa sobre imunoterapia no câncer de mama está em constante evolução. Embora atualmente a aprovação se concentre no subtipo triplo-negativo, diversos estudos clínicos investigam a expansão dessa terapia para outros tipos de tumor mamário e diferentes estágios da doença.

Efeitos colaterais e cuidados necessários

Embora a imunoterapia seja geralmente mais bem tolerada que a quimioterapia tradicional, ela não está livre de efeitos adversos. Por estimular o sistema imunológico a trabalhar mais intensamente, existe o risco de que as células de defesa ataquem não apenas o tumor, mas também tecidos saudáveis do corpo, causando inflamação em diversos órgãos.

Os efeitos colaterais mais comuns incluem alterações na pele, tosse, dor no peito e diarreia. A intensidade desses sintomas varia bastante entre as pessoas, podendo ser leves em alguns casos e mais significativos em outros. É fundamental que qualquer sintoma novo seja comunicado imediatamente à equipe médica.

Alguns órgãos específicos merecem atenção especial. A tireoide pode ser afetada, levando ao hipotireoidismo, condição em que a glândula produz menos hormônio que o necessário. Nessa situação, pode ser necessário reposição hormonal por tempo prolongado ou permanente. Em casos raros, mas graves, pode haver comprometimento do fígado ou dos rins.

Uma contraindicação importante relaciona-se a pessoas com doenças autoimunes ativas, como lúpus ou artrite reumatoide. Como a imunoterapia estimula o sistema imunológico, pode piorar essas condições preexistentes. Por isso, cada caso deve ser cuidadosamente avaliado individualmente.

Oncologista em São Paulo - Dr. Hugo Tanaka

Dr. Hugo Tanaka
Oncologista Clínico
CRM 163241 | RQE 100689 – Oncologia Clínica

Oncologista clínico e pesquisador atuante em São Paulo, com sólida formação acadêmica que inclui doutorado e mestrado em oncologia clínica e atendimento multidisciplinar.
Especialista certificado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), desenvolve práticas médicas integradas com foco em atendimento humanizado e ágil, sempre baseado em diretrizes internacionais.

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