Câncer Peritoneal: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

O câncer peritoneal é uma doença rara que se desenvolve no peritônio, a membrana que reveste internamente a cavidade abdominal e recobre os órgãos da região. Embora pouco comum, o câncer peritoneal merece atenção especial por suas características únicas e pela necessidade de diagnóstico precoce para melhores resultados no tratamento.

O que é o câncer peritoneal

O câncer peritoneal primário se origina nas próprias células epiteliais do peritônio. Esta doença compartilha várias características com o câncer de ovário e o câncer de trompa de Falópio, tanto na aparência das células ao microscópio quanto na forma como se comporta e se espalha pelo corpo. Por essa semelhança, os tratamentos utilizados são bastante parecidos.

É importante distinguir o câncer peritoneal primário da carcinomatose peritoneal. Enquanto o primeiro se origina no próprio peritônio, a carcinomatose representa a disseminação de um tumor que começou em outro órgão, como o cólon ou o estômago, e depois alcançou a membrana peritoneal.

Fatores de risco do câncer peritoneal

A ciência ainda não compreende completamente as causas do câncer peritoneal, mas já identificou fatores importantes que aumentam o risco de desenvolver a doença. O principal fator de risco conhecido é a presença de predisposição genética hereditária, especialmente mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2. Por isso, pessoas com histórico familiar de cânceres relacionados devem conversar com seus médicos sobre a possibilidade de realizar testes genéticos.

Sintomas do câncer peritoneal

Os sintomas do câncer peritoneal costumam ser inespecíficos, o que significa que podem aparecer em muitas outras condições de saúde. Essa característica torna o diagnóstico mais desafiador e frequentemente resulta em detecção em estágios mais avançados.

Os sinais mais comuns incluem ganho ou perda de peso sem explicação aparente, acúmulo de líquido na cavidade abdominal (conhecido como ascite), sensação de saciedade mesmo após comer pequenas quantidades, mudanças no funcionamento intestinal e dor abdominal.

Quando a doença se espalha, outros sintomas podem surgir. Se houver acúmulo de líquido nos pulmões, pode ocorrer falta de ar. Caso o tumor afete o intestino, pode levar a uma obstrução intestinal, causando enjoos, vômitos e constipação intestinal.

Diagnóstico do câncer peritoneal

Atualmente não existe um exame de rastreamento de rotina para o câncer peritoneal. O diagnóstico geralmente começa quando alguém procura atendimento médico devido aos sintomas mencionados. Durante a consulta, o médico fará uma avaliação detalhada do histórico de saúde e realizará um exame físico completo.

Os exames complementares podem incluir exames laboratoriais e tomografia computadorizada para identificar massas nos ovários ou em outras regiões. Em alguns casos, realiza-se uma laparoscopia, procedimento em que o médico remove uma pequena amostra de tecido para biópsia, confirmando assim o diagnóstico.

Infelizmente, cerca de 80% dos casos são diagnosticados em estágios avançados (estágios III ou IV), principalmente porque os sintomas iniciais são facilmente confundidos com problemas de saúde menos graves. Esta estatística reforça a importância da atenção aos sinais do corpo e da busca por avaliação médica quando algo não parece normal.

Após o diagnóstico de câncer peritoneal, é fundamental realizar testes genéticos. Esses exames podem revelar mutações importantes que afetam tanto as opções de tratamento quanto o risco de familiares desenvolverem a doença.

Tratamento do câncer peritoneal

O tratamento do câncer peritoneal segue protocolos semelhantes aos utilizados para câncer de ovário e câncer de trompa de Falópio. Na maioria dos casos, combina-se cirurgia e quimioterapia, sendo que a ordem desses tratamentos depende de vários fatores, incluindo o estado geral de saúde do paciente, o estágio da doença e o tamanho e localização do tumor.

Em algumas situações, a cirurgia é realizada primeiro com o objetivo de remover a maior quantidade possível do tumor, seguida pela quimioterapia. Em outros casos, inicia-se com a quimioterapia para reduzir o tamanho do tumor, depois realiza-se a cirurgia citorredutora, seguida de mais ciclos de quimioterapia.

Mesmo quando os médicos conseguem remover todo o tumor visível durante a cirurgia, frequentemente permanecem células cancerosas microscópicas que não podem ser detectadas por exames ou testes. Por essa razão, a quimioterapia quase sempre faz parte do plano de tratamento, especialmente quando a doença está em estágios avançados.

Como o câncer peritoneal se espalha

O câncer peritoneal tem um padrão característico de disseminação pelo corpo. Ele se espalha pela cavidade abdominal formando pequenos nódulos que se espalham por toda a região, como se fossem pequenos grãos de açúcar de confeiteiro polvilhados sobre uma superfície. Em alguns casos, pode atingir o fígado e o intestino, mas muitas vezes afeta apenas a superfície desses órgãos, sem invadir profundamente.

Recorrência do câncer peritoneal

A recorrência é uma realidade comum no câncer peritoneal. Aproximadamente 80% dos pacientes apresentam resposta inicial ao tratamento, mas desses, até 80% podem ter o retorno da doença em algum momento. Apenas cerca de 10% dos pacientes alcançam a cura completa após o tratamento inicial.

Diante dessa estatística, a comunidade médica tem trabalhado intensamente para desenvolver estratégias que reduzam as chances de recorrência. A terapia de manutenção tornou-se uma opção para alguns pacientes, e os testes genéticos ajudam a escolher a melhor estratégia individual.

Avanços na pesquisa sobre câncer peritoneal

Há pesquisas em andamento focadas em doença residual mínima e nos diferentes tipos de recaída do câncer peritoneal. A resposta à quimioterapia com platina é um fator importante para determinar o prognóstico e as próximas etapas do tratamento.

Recentemente, em março de 2024, a agência reguladora americana (FDA) aprovou um novo medicamento chamado mirvetuximabe soravtansina para alguns pacientes com câncer peritoneal resistente à platina. Essa aprovação representa um avanço importante, pois estudos mostraram que pacientes que receberam este medicamento apresentaram maior sobrevida global e maior tempo até a progressão da doença em comparação com aqueles que receberam apenas quimioterapia convencional.

Importância do acompanhamento especializado

O câncer peritoneal é uma condição complexa que requer cuidados de uma equipe especializada em oncologia. Buscar atendimento em centros com experiência no tratamento do câncer peritoneal pode fazer diferença significativa nos resultados. No Brasil, equipes especializadas em tumores raros e oncologia ginecológica, como a do Dr. Hugo Tanaka, oferecem abordagem multidisciplinar e expertise no manejo desta condição. A participação em estudos clínicos também pode representar acesso a novas opções terapêuticas e contribuir para o avanço do conhecimento científico sobre esta doença rara.

O diagnóstico de câncer peritoneal traz naturalmente muitas dúvidas e preocupações. É fundamental que pacientes e familiares se sintam à vontade para fazer todas as perguntas necessárias à equipe médica e busquem apoio emocional durante o tratamento. Com os avanços contínuos na pesquisa e novas opções terapêuticas surgindo, há razões para manter a esperança e seguir confiante no tratamento proposto pelos especialistas.

Oncologista em São Paulo - Dr. Hugo Tanaka

Dr. Hugo Tanaka
Oncologista Clínico
CRM 163241 | RQE 100689 – Oncologia Clínica

Oncologista clínico e pesquisador atuante em São Paulo, com sólida formação acadêmica que inclui doutorado e mestrado em oncologia clínica e atendimento multidisciplinar.
Especialista certificado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), desenvolve práticas médicas integradas com foco em atendimento humanizado e ágil, sempre baseado em diretrizes internacionais.

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