O rastreamento do câncer de mama é a realização periódica de exames em mulheres sem nenhum sintoma, com o objetivo de encontrar o tumor antes que ele possa ser percebido ao toque. Quanto menor o tumor no momento do diagnóstico, mais simples costuma ser o tratamento e melhores são os resultados. Por isso, a mamografia feita na hora certa e na frequência certa é uma das medidas de saúde mais importantes na vida adulta da mulher.
O câncer de mama é o tumor mais frequente entre as mulheres brasileiras, excluídos os tumores de pele não melanoma, segundo o INCA. Apesar disso, ainda há muitas dúvidas sobre a idade de começar, o intervalo entre os exames e o papel do ultrassom e da ressonância. As recomendações também variam entre sociedades médicas e entre o sistema público e a saúde suplementar, o que aumenta a confusão. Este texto reúne o que dizem as principais diretrizes brasileiras e internacionais sobre o rastreamento do câncer de mama.
O que é o rastreamento do câncer de mama?
Rastrear significa procurar uma doença em pessoas que se sentem bem e não têm queixas. No rastreamento do câncer de mama, o exame é feito de forma programada, em intervalos regulares, mesmo que a mulher não tenha nenhum nódulo, dor ou alteração na pele.
Isso é diferente da investigação diagnóstica, que acontece quando já existe um sintoma ou uma alteração encontrada em um exame anterior. Uma mulher que percebe um nódulo, retração do mamilo ou saída de secreção não deve esperar a data do próximo exame de rotina. Nesse caso, ela precisa de avaliação médica e de exames direcionados, como orienta a Cleveland Clinic.
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Agendar pelo WhatsAppA mamografia é o único exame de rastreamento que comprovadamente reduz as mortes por câncer de mama. Os outros exames, como o ultrassom e a ressonância, funcionam como complementos em situações específicas.
A partir de que idade fazer mamografia?
No rastreamento do câncer de mama da mulher com risco habitual, ou seja, sem história familiar importante, sem mutação genética conhecida e sem tratamento prévio de câncer de mama, as recomendações brasileiras do Colégio Brasileiro de Radiologia, da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Febrasgo orientam mamografia anual dos 40 aos 74 anos, de preferência digital. Depois dos 75 anos, o exame continua indicado para as mulheres com boa saúde e expectativa de vida de pelo menos sete anos, conforme resume a SBM Regional São Paulo.
No SUS, desde 2025, o Ministério da Saúde recomenda a mamografia a cada dois anos dos 50 aos 74 anos e garante o acesso ao exame a partir dos 40 anos, após conversa com o profissional de saúde. Fora do Brasil, a orientação também começa aos 40 anos. A Cleveland Clinic recomenda mamografia a cada um ou dois anos a partir dessa idade, e o NCCN, rede de centros de câncer dos Estados Unidos, orienta o exame anual.
A diferença entre as recomendações não está em quem tem razão, mas em como cada entidade pesa benefícios e desvantagens. Começar mais cedo e repetir todo ano encontra mais tumores, inclusive os que crescem mais rápido, comuns nas mulheres mais jovens. Em troca, gera mais chamadas para exames adicionais que, no fim, não mostram câncer. A decisão sobre a idade de início e o intervalo do rastreamento do câncer de mama deve ser conversada com o médico, levando em conta o risco individual.
Quais exames fazem parte do rastreamento?
O rastreamento do câncer de mama tem a mamografia como base. Os demais exames entram conforme a densidade da mama e o risco de cada mulher.
Mamografia digital. É uma radiografia das mamas, feita com a mama comprimida entre duas placas. A Cleveland Clinic a descreve como o padrão-ouro para a detecção precoce. Ela consegue mostrar tumores muito pequenos e microcalcificações, que podem ser o primeiro sinal de alguns tipos de câncer.
Tomossíntese (mamografia 3D). Obtém imagens da mama em vários ângulos e as reconstrói em fatias finas, o que reduz a sobreposição de tecidos. O Mayo Clinic Health System considera a tomossíntese uma boa prática para todas as mulheres, independentemente do risco. As recomendações brasileiras indicam o exame quando ele estiver disponível.
Ultrassonografia das mamas. Usa ondas sonoras e não emite radiação. Ajuda a diferenciar cistos de nódulos sólidos e pode encontrar tumores escondidos pelo tecido denso. É um complemento, e não um substituto, da mamografia. As diferenças entre os dois exames estão no texto sobre mamografia e ultrassom de mama.
Ressonância magnética das mamas. É o exame mais sensível, feito com contraste injetado na veia. No rastreamento do câncer de mama, é reservado sobretudo às mulheres com risco elevado e às que têm mamas extremamente densas.
Mamografia com contraste e imagem molecular da mama. São exames mais novos. A mamografia com contraste associa a mamografia a um contraste venoso, e a imagem molecular usa um marcador radioativo que se concentra nas células de crescimento rápido. Segundo a Cleveland Clinic e o Mayo Clinic Health System, podem ajudar mulheres com mamas densas ou risco intermediário, sempre junto com a mamografia. No Brasil, ainda têm disponibilidade limitada e não fazem parte da rotina.
O exame clínico das mamas, feito pelo médico na consulta, continua útil, mas não substitui a mamografia, porque pode deixar passar tumores pequenos.
Rastreamento do câncer de mama em mulheres com risco aumentado
Algumas mulheres têm uma chance maior de desenvolver câncer de mama e precisam de um rastreamento do câncer de mama mais precoce ou mais intenso. Segundo o NCCN e a SBM Regional São Paulo, estão nesse grupo as mulheres com:
- Mutação genética conhecida, como nos genes BRCA1 e BRCA2, ou parentes de primeiro grau com essas mutações.
- História familiar importante de câncer de mama ou de ovário, sobretudo em idade jovem.
- Risco estimado de câncer de mama ao longo da vida acima de 20%, calculado por modelos que consideram a história familiar.
- Radioterapia no tórax antes dos 30 anos, como no tratamento de linfomas na infância ou na juventude.
- Lesões de alto risco encontradas em biópsia anterior, como a hiperplasia atípica e o carcinoma lobular in situ.
- Câncer de mama tratado anteriormente.
Nas mulheres com alto risco genético ou história familiar forte, o rastreamento começa dez anos antes da idade em que o caso mais precoce da família foi diagnosticado, em geral a partir dos 30 anos. A mamografia anual é associada à ressonância anual, e o ultrassom é uma alternativa quando a ressonância não pode ser feita.
Nas mulheres que receberam radioterapia no tórax antes dos 30 anos, o rastreamento começa oito anos após o tratamento, com ressonância anual, mas não antes dos 25 anos, e mamografia anual, mas não antes dos 30 anos. Nas lesões de alto risco, a mamografia anual é mantida a partir do diagnóstico ou dos 40 anos, e o ultrassom ou a ressonância são acrescentados de acordo com o risco calculado.
As recomendações brasileiras sugerem que todas as mulheres tenham o risco avaliado a partir dos 30 anos, justamente para identificar quem precisa começar antes. Quando há vários casos de câncer de mama ou de ovário na família, a avaliação para síndromes de câncer hereditário e o teste genético podem mudar completamente a forma de rastrear.
O que muda para quem tem mama densa?
A mama densa tem mais tecido glandular e fibroso e menos gordura. Na mamografia, esse tecido aparece branco, assim como os tumores, o que pode esconder uma lesão pequena. Mesmo assim, a mamografia anual dos 40 aos 74 anos continua sendo a base do rastreamento do câncer de mama.
De acordo com a SBM Regional São Paulo, as mulheres com mamas densas podem acrescentar o ultrassom ou a ressonância, esta última preferida nas mamas extremamente densas. O tema é explicado em detalhes no texto sobre mama densa.
Rastreamento depois do câncer de mama
Quem já teve câncer de mama continua precisando de mamografia, tanto da mama tratada quanto da outra. Após a cirurgia conservadora, a primeira mamografia de controle é feita pelo menos seis meses depois do fim da radioterapia, e o exame passa a ser anual. Após a mastectomia, a mama oposta segue com mamografia anual a partir de um ano da cirurgia, segundo a SBM Regional São Paulo.
Nessa fase, o rastreamento do câncer de mama tem o objetivo de encontrar cedo tanto um novo tumor quanto uma recidiva do câncer de mama. O ultrassom e a ressonância podem ser associados, conforme o tipo de tumor, a densidade da mama e a presença de mutação genética. A frequência das consultas e dos exames é definida pelo oncologista e pelo mastologista em conjunto.
Como é feita a mamografia e como se preparar?
O exame dura poucos minutos. Cada mama é comprimida entre duas placas por alguns segundos, o que espalha o tecido e permite imagens mais nítidas com menos radiação. A compressão pode causar desconforto, mas é rápida.
Alguns cuidados simples melhoram a qualidade do exame e diminuem o incômodo:
- Evitar desodorante, talco, creme ou perfume nas mamas e nas axilas no dia do exame, porque esses produtos podem aparecer como pontos brancos na imagem.
- Para quem ainda menstrua, agendar o exame na semana seguinte à menstruação, quando as mamas costumam estar menos sensíveis.
- Levar as mamografias e os laudos anteriores, o que permite comparar as imagens e evita chamadas desnecessárias.
- Avisar a equipe sobre próteses de silicone, cirurgias anteriores, gravidez ou amamentação.
Como entender o resultado da mamografia?
O laudo termina com uma categoria do sistema BI-RADS, numerada de 0 a 6, que resume o que o radiologista encontrou e o que deve ser feito em seguida.
BI-RADS 0: o exame está incompleto e são necessárias imagens adicionais, como incidências complementares ou ultrassom.
BI-RADS 1 e 2: não há alteração, ou há apenas achados benignos. O rastreamento segue no intervalo de rotina.
BI-RADS 3: achado provavelmente benigno, com risco muito baixo de câncer. Em geral, o controle é feito com novo exame em seis meses.
BI-RADS 4 e 5: achado suspeito ou altamente suspeito. A biópsia de mama é indicada para esclarecer o diagnóstico.
BI-RADS 6: câncer já confirmado por biópsia, usado em exames feitos durante o tratamento.
Ser chamada para repetir imagens ou fazer um ultrassom não significa ter câncer. Na maioria das vezes, a alteração se revela benigna. Quando a dúvida persiste, a Mayo Clinic descreve os passos seguintes: mamografia diagnóstica, ultrassom, ressonância em casos selecionados e, por fim, a biópsia guiada por imagem, que é o único exame capaz de confirmar ou afastar o câncer.
Quais são os limites do rastreamento?
Nenhum exame é perfeito, e conhecer os limites do rastreamento do câncer de mama ajuda a mulher a tomar decisões informadas.
Resultado falso positivo. O exame aponta uma alteração que, depois da investigação, não é câncer. Isso gera ansiedade, novos exames e, às vezes, biópsias. É mais comum no primeiro exame, quando não há imagens anteriores para comparar, e nos exames complementares, como a ressonância.
Resultado falso negativo. O exame não mostra um câncer que já existe, o que é mais frequente nas mamas densas. Por isso, qualquer alteração percebida entre dois exames deve ser avaliada, mesmo que a última mamografia tenha sido normal.
Sobrediagnóstico. Parte das lesões encontradas no rastreamento cresce tão devagar que nunca causaria problema ao longo da vida da mulher. Hoje não é possível separar com segurança essas lesões das que vão progredir, e por isso todas acabam sendo tratadas.
Radiação. A dose usada na mamografia é baixa e considerada segura. A Cleveland Clinic lembra que o benefício do rastreamento do câncer de mama feito com regularidade supera com folga o risco da exposição.
Além dos exames, conhecer o aspecto normal das próprias mamas ajuda a perceber mudanças. A autopalpação não substitui a mamografia, mas um nódulo novo, alteração na pele, retração ou secreção pelo mamilo merecem avaliação médica sem esperar o próximo exame.
Como manter o rastreamento em dia?
Algumas atitudes simples tornam o rastreamento do câncer de mama mais eficaz:
- Fazer a mamografia na idade e na frequência orientadas pelo médico, sem pular anos.
- Conversar sobre a história familiar a partir dos 30 anos, para saber se o risco é habitual ou aumentado.
- Perguntar qual é a densidade da mama no laudo e se algum exame complementar é indicado.
- Guardar os exames anteriores e, se possível, repetir a mamografia no mesmo serviço.
- Procurar o médico diante de qualquer alteração nas mamas, mesmo com exames recentes normais.
Hábitos de vida também contam. Manter um peso saudável, praticar atividade física com regularidade e evitar o consumo de bebidas alcoólicas reduzem o risco de câncer de mama. Essas medidas, porém, não dispensam o rastreamento do câncer de mama.
Perguntas frequentes sobre rastreamento do câncer de mama
O autoexame substitui a mamografia?
Não. O autoexame só encontra nódulos que já podem ser sentidos, enquanto a mamografia detecta tumores bem menores. Conhecer as próprias mamas é útil para perceber mudanças entre os exames, mas o rastreamento do câncer de mama deve ser feito com mamografia.
Com que frequência fazer mamografia?
As sociedades brasileiras de mastologia, radiologia e ginecologia recomendam mamografia anual dos 40 aos 74 anos. No SUS, o intervalo recomendado é de dois anos entre 50 e 74 anos. Mulheres com risco aumentado podem precisar de exames anuais desde mais cedo, associados à ressonância.
Mulher com menos de 40 anos precisa fazer exame das mamas?
A mulher com risco habitual não precisa de mamografia de rotina antes dos 40 anos. A avaliação do risco, porém, deve ser feita a partir dos 30 anos. Quem tem mutação genética, história familiar forte ou radioterapia prévia no tórax pode precisar começar entre 25 e 30 anos.
Até que idade fazer mamografia?
As recomendações brasileiras indicam o rastreamento do câncer de mama até os 74 anos. Depois dos 75 anos, o exame pode continuar nas mulheres com boa saúde e expectativa de vida de pelo menos sete anos. A decisão é individual e deve ser conversada com o médico.
O ultrassom pode substituir a mamografia?
Não. O ultrassom é um bom complemento, principalmente nas mamas densas, mas não mostra as microcalcificações, que podem ser o primeiro sinal de alguns tumores. A mamografia é o exame que comprovadamente reduz a mortalidade por câncer de mama.
Quem tem prótese de silicone pode fazer mamografia?
Sim. A prótese não impede o exame. A equipe usa técnicas especiais de posicionamento para afastar a prótese e avaliar melhor o tecido da mama. Por isso, é importante avisar sobre o implante no momento do agendamento.
A mamografia dói?
A compressão pode causar desconforto e, em algumas mulheres, dor leve, que dura apenas alguns segundos. Fazer o exame fora do período pré-menstrual ajuda a diminuir o incômodo.
Está preocupada com um sintoma na mama?
Agende uma avaliação com o Dr. Hugo Tanaka. Atendimento em São Paulo e por telemedicina.
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