Imunoterapia para câncer de colo do útero: como funciona

A imunoterapia para câncer de colo do útero usa medicamentos que retiram o freio do sistema imune para que ele volte a reconhecer e atacar o tumor. É indicada sobretudo na doença persistente, recorrente ou metastática, sempre combinada à quimioterapia e, em boa parte dos casos, ao bevacizumabe. O pembrolizumabe exige teste de PD-L1 positivo (CPS igual ou maior que 1); o atezolizumabe mostrou benefício independentemente desse resultado.

Receber o diagnóstico de um câncer de colo do útero que voltou ou que se espalhou costuma vir acompanhado de uma pergunta muito objetiva: existe algo além da quimioterapia? Existe. Nos últimos anos, a imunoterapia para câncer de colo do útero deixou de ser promessa e passou a fazer parte do tratamento padrão da doença avançada, com ganho de sobrevida comprovado em estudos de fase III e com registro aprovado no Brasil.

O tema é relevante porque a doença continua frequente no país. Segundo a Estimativa 2026 a 2028 do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 19,3 mil novos casos de câncer de colo do útero por ano, o terceiro tumor mais incidente entre as mulheres brasileiras. A maior parte é diagnosticada em fase inicial e tratada com intenção curativa, mas uma parcela apresenta recidiva ou metástase, e é exatamente nesse grupo que a imunoterapia para câncer de colo do útero mudou o cenário.

Este texto explica, em linguagem acessível, como a imunoterapia para câncer de colo do útero funciona, quem pode recebê-la, quais exames precisam ser feitos antes e como está o acesso no Brasil.

O que é a imunoterapia para câncer de colo do útero

A imunoterapia para câncer de colo do útero é um tipo de tratamento que não ataca o tumor diretamente. Ela age sobre o sistema de defesa do organismo, devolvendo a ele a capacidade de identificar e destruir as células doentes. Os medicamentos usados nessa estratégia pertencem a uma classe chamada inibidores de checkpoint imunológico.

A diferença entre a imunoterapia para câncer de colo do útero e a quimioterapia é importante. A quimioterapia é um veneno seletivo que atinge células de multiplicação rápida, tumorais e saudáveis. A imunoterapia não tem ação tóxica direta sobre o tumor: ela ajusta o comportamento das células de defesa. Por isso o perfil de efeitos colaterais é diferente, e por isso as duas costumam ser usadas juntas, não uma no lugar da outra.

Vale entender antes de seguir: se ainda restam dúvidas sobre a doença em si, o texto sobre o que é câncer de colo do útero traz definição, sintomas e estadiamento, a página sobre tratamento do câncer de colo do útero reúne as opções por estágio e o texto sobre o exame Papanicolau cobre rastreamento e prevenção.

Como o tratamento age dentro do corpo

O sistema imune funciona como a portaria de um prédio. Toda célula que circula precisa apresentar um crachá. Quando a célula é estranha ou defeituosa, o porteiro, aqui representado pelo linfócito T, bloqueia a passagem e aciona a destruição dessa célula.

O tumor aprende a burlar essa portaria. Ele passa a exibir na própria superfície uma proteína chamada PD-L1, que funciona como um crachá falso de morador. Esse crachá se encaixa em um receptor do linfócito T chamado PD-1 e transmite uma mensagem tranquilizadora: pode passar, sou de casa. O linfócito baixa a guarda e o tumor cresce livremente.

Os medicamentos usados na imunoterapia para câncer de colo do útero fazem uma coisa só, e fazem bem: cobrem o crachá falso ou tapam a leitora do crachá. Sem esse encaixe, o linfócito volta a enxergar o tumor como invasor e retoma o ataque. É essa a razão de o tratamento ser descrito como retirar o freio do sistema imune, e não como reforçá-lo.

Quem pode fazer imunoterapia para câncer de colo do útero

A indicação principal é a doença persistente, recorrente ou metastática que não pode mais ser tratada com intenção curativa por cirurgia ou radioterapia. Nesse cenário, a imunoterapia para câncer de colo do útero entra já na primeira linha de tratamento, associada à quimioterapia.

Na prática clínica, o perfil da paciente candidata à imunoterapia para câncer de colo do útero reúne as seguintes situações:

  • Câncer de colo do útero metastático, ou seja, com doença em linfonodos a distância, pulmão, fígado, peritônio ou ossos.
  • Recidiva pélvica em área já irradiada, sem possibilidade de nova cirurgia ou nova radioterapia.
  • Doença persistente, que não desapareceu completamente após o tratamento inicial.
  • Condição clínica que permita receber quimioterapia combinada, avaliada pelo performance status.

Existe também um cenário mais recente, o da doença localmente avançada em estágios III e IVA, no qual o pembrolizumabe é associado à quimiorradioterapia com intenção curativa. Trata-se de uma indicação distinta da doença metastática, com esquema e duração próprios.

Há uma exceção relevante na indicação da imunoterapia para câncer de colo do útero. Pacientes que já receberam um inibidor de checkpoint em uma etapa anterior do tratamento, por exemplo junto à quimiorradioterapia, em geral não repetem a imunoterapia quando a doença avança. Nesse grupo, a conduta usual é quimioterapia associada ao bevacizumabe, sem novo inibidor de checkpoint.

O que é PD-L1 e por que o CPS decide o tratamento

Antes de iniciar qualquer esquema de imunoterapia para câncer de colo do útero, é preciso conhecer o PD-L1. Ele é dosado no próprio material do tumor, por imuno-histoquímica, no bloco de parafina guardado do exame que fez o diagnóstico. Não é exame de sangue e, na maioria das vezes, não exige nova biópsia. O National Cancer Institute (NCI)descreve o PD-L1 como o biomarcador que orienta o uso do pembrolizumabe no câncer de colo do útero.

O resultado sai como um número chamado CPS, sigla para pontuação positiva combinada. Ele funciona como o medidor de sinal do celular: quanto mais barrinhas, mais forte o sinal de que aquele tumor tende a responder ao bloqueio do PD-1. Um CPS igual ou maior que 1 já é considerado positivo.

Esse número é o que separa as duas estratégias de imunoterapia para câncer de colo do útero disponíveis hoje. O pembrolizumabe tem indicação registrada para tumores com CPS igual ou maior que 1. O atezolizumabe demonstrou ganho de sobrevida independentemente do valor do PD-L1, o que o torna alternativa para tumores com CPS abaixo de 1.

Um dado tranquilizador: no estudo que sustentou a aprovação do pembrolizumabe, aproximadamente 89% das pacientes apresentaram CPS igual ou maior que 1. Ou seja, a grande maioria dos tumores de colo do útero é PD-L1 positiva.

Pedir esse exame cedo evita atraso. Quando o resultado do PD-L1 chega junto com o estadiamento, a primeira sessão de tratamento já sai com o esquema definitivo, sem necessidade de trocar o protocolo depois de iniciado.

Quais medicamentos estão disponíveis

Três medicamentos concentram as evidências de imunoterapia para câncer de colo do útero em primeira linha. Dois já têm registro no Brasil e um permanece restrito a outros mercados.

Pembrolizumabe

É o anticorpo anti-PD-1 com maior tempo de uso na imunoterapia para câncer de colo do útero. No estudo de fase III que o avaliou, publicado no New England Journal of Medicine, a adição do pembrolizumabe à quimioterapia, com ou sem bevacizumabe, aumentou a sobrevida livre de progressão de 8,2 para 10,4 meses e elevou a taxa de resposta de 51% para 66%.

Com acompanhamento mais longo, de cerca de 39 meses, o ganho apareceu também na sobrevida global: 26 meses contra 17 meses no grupo geral, e 29 meses contra 17 meses entre as pacientes com CPS igual ou maior que 1. O benefício se manteve tanto em quem recebeu bevacizumabe quanto em quem não recebeu.

Atezolizumabe

É um anticorpo anti-PD-L1, ou seja, age do outro lado do encaixe. Em estudo randomizado com 410 pacientes publicado na revista Lancet, a adição do atezolizumabe à combinação de platina, paclitaxel e bevacizumabe elevou a sobrevida livre de progressão de 10,4 para 13,7 meses e a sobrevida global de 23 para 32 meses.

São os números mais expressivos já obtidos com imunoterapia para câncer de colo do útero, e o resultado não dependeu do valor do PD-L1. Por isso o atezolizumabe é a alternativa preferencial quando o CPS vem abaixo de 1. A contrapartida é que essa combinação ainda não tem o mesmo grau de disponibilidade regulatória do pembrolizumabe, o que pesa na decisão prática.

Cadonilimabe

É um anticorpo biespecífico, que bloqueia ao mesmo tempo o PD-1 e o CTLA-4, dois freios diferentes do sistema imune. Em estudo randomizado conduzido na China, aumentou a sobrevida livre de progressão de 8,1 para 12,7 meses e a sobrevida global, que sequer foi atingida no grupo tratado, contra 22,8 meses no grupo controle.

Esse esquema de imunoterapia para câncer de colo do útero está registrado na China, mas não tem aprovação nos Estados Unidos, na Europa nem no Brasil. Aparece aqui porque provavelmente será a próxima opção a chegar, e porque pacientes que pesquisam sobre o assunto encontram o nome com frequência.

A imunoterapia substitui a quimioterapia?

Não. Em nenhum dos estudos de primeira linha a imunoterapia para câncer de colo do útero foi usada isoladamente. Ela sempre foi somada a um esquema de quimioterapia, e é assim que deve ser prescrita.

A base do tratamento continua sendo uma dupla com platina. A combinação preferida é cisplatina com paclitaxel. Quando existe insuficiência renal prévia, outra comorbidade que contraindique a cisplatina ou uso anterior de cisplatina durante a quimiorradioterapia, a carboplatina com paclitaxel é alternativa igualmente aceita, com eficácia comparável e menos náusea, vômito e queda de glóbulos brancos, embora com mais queda de plaquetas.

A esse par se acrescenta o bevacizumabe, um antiangiogênico que corta a formação dos vasos que alimentam o tumor. A adição dele elevou a sobrevida global de 13,3 para 16,8 meses. O preço é uma lista própria de efeitos adversos, com destaque para pressão alta, risco de fístula intestinal ou urinária e trombose, o que exige avaliação caso a caso, sobretudo em quem já recebeu radioterapia pélvica extensa.

O esquema completo de imunoterapia para câncer de colo do útero, portanto, costuma ter três componentes: quimioterapia com platina, bevacizumabe e o inibidor de checkpoint. Quem quiser entender melhor a lógica geral dessa classe de medicamentos pode consultar a explicação sobre como funciona a imunoterapia e comparar com o uso em outros tumores, como na imunoterapia para câncer de mama e na imunoterapia para câncer colorretal.

O que fazer quando a doença volta a crescer

Progredir depois da imunoterapia para câncer de colo do útero associada à quimioterapia não significa fim de linha. Existe segunda linha estabelecida e, em casos selecionados, alvos moleculares que abrem opções adicionais.

A opção preferencial após progressão é o tisotumabe vedotina, um conjugado que liga um anticorpo dirigido ao fator tecidual a um quimioterápico, entregando a droga dentro da célula tumoral. Em estudo com 502 pacientes, aumentou a sobrevida global de 9,5 para 11,5 meses e a sobrevida livre de progressão de 2,9 para 4,2 meses em comparação com a quimioterapia escolhida pelo investigador.

Além dele, o exame molecular do tumor pode revelar alterações que mudam a conduta:

  • Superexpressão de HER2 (imuno-histoquímica 2+ ou 3+), presente em 2% a 6% dos casos, com resposta de 50% ao trastuzumabe deruxtecana em estudo de fase II.
  • Fusões do gene RET, muito raras, tratáveis com selpercatinibe.
  • Fusões NTRK, também raras, tratáveis com inibidores de TRK.

Quando nenhuma dessas alternativas se aplica, permanecem quimioterápicos isolados em sequência, como topotecano, vinorelbina, pemetrexede, ifosfamida ou irinotecano, escolhidos conforme o que já foi usado antes e a toxicidade residual acumulada.

Como é a aplicação e quanto tempo dura

A imunoterapia para câncer de colo do útero é administrada por via intravenosa, em ambiente ambulatorial. A infusão do inibidor de checkpoint leva cerca de 30 minutos, e o ciclo se repete a cada três semanas. Quando somada à quimioterapia e ao bevacizumabe no mesmo dia, a sessão completa costuma ocupar algumas horas.

Não há internação nem necessidade de acompanhante obrigatório, embora seja recomendável nas primeiras sessões. A paciente costuma sair da sessão e retomar as atividades no mesmo dia ou no dia seguinte.

A quimioterapia tem número definido de ciclos, geralmente seis. O inibidor de checkpoint segue além disso, como manutenção, enquanto houver benefício e tolerância, com teto habitual de 24 meses de tratamento. Exames de imagem periódicos, em geral a cada dois a três ciclos, orientam a decisão de manter ou trocar.

Efeitos colaterais e como são controlados

Como a imunoterapia para câncer de colo do útero solta o freio de todo o sistema imune, e não apenas da parte que ataca o tumor, o efeito adverso característico é a inflamação de um órgão saudável. É o preço de deixar a portaria mais rigorosa: eventualmente ela barra um morador legítimo.

Os quadros mais comuns, conforme lista a American Cancer Society, são tireoidite, com alteração de hormônio tireoidiano; colite, com diarreia; dermatite, com coceira e manchas; hepatite, detectada em exame de sangue; e, com menor frequência, pneumonite e alterações da hipófise ou da adrenal.

A maior parte é leve e reversível. O manejo depende quase inteiramente de tempo: identificado cedo, o quadro se controla com corticoide e, em alguns casos, com reposição hormonal definitiva, como acontece no hipotireoidismo. Identificado tarde, pode exigir suspensão do tratamento. Por isso qualquer sintoma novo e persistente deve ser comunicado à equipe antes da próxima sessão, e não guardado para a consulta seguinte.

No estudo de fase III que avaliou a imunoterapia para câncer de colo do útero com pembrolizumabe, os efeitos graves mais frequentes foram anemia, em 30% do grupo com imunoterapia contra 27% do grupo controle, e queda de glóbulos brancos, em 12% contra 10%. Boa parte deles é atribuível à quimioterapia associada, não ao inibidor de checkpoint isoladamente.

Acesso no Brasil: SUS, Anvisa e convênios

O acesso à imunoterapia para câncer de colo do útero é o ponto que costuma gerar mais dúvida, e a resposta muda conforme o sistema de saúde.

Na saúde suplementar, a base é o registro sanitário. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou em junho de 2022 o pembrolizumabe associado à quimioterapia, com ou sem bevacizumabe, para o tratamento de primeira linha do câncer cervical persistente, recorrente ou metastático com PD-L1 CPS igual ou maior que 1. Em 29 de abril de 2024, ampliou o registro para o uso combinado à quimiorradioterapia nos estágios III a IVA.

No sistema público, o cenário é diferente. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec)analisou o pedido de incorporação do pembrolizumabe para câncer de colo do útero persistente, recorrente ou metastático com CPS igual ou maior que 1 por meio da Consulta Pública nº 37 de 2026, encerrada em junho de 2026. O parecer preliminar foi desfavorável, com base em incertezas de custo-efetividade e impacto orçamentário, e o relatório apontou como barreira operacional a padronização do teste de PD-L1 pelo escore CPS na rede pública. Até a data de publicação deste texto, a decisão final ainda não havia sido divulgada.

Duas observações práticas. O pembrolizumabe já é fornecido pelo SUS em outra indicação, o melanoma metastático, o que mostra que a barreira é econômica e operacional, não técnica. E o Ministério da Saúde firmou parceria para produção nacional do medicamento, movimento que tende a reduzir custo e reabrir a discussão de incorporação.

Enquanto isso, o caminho mais eficiente para quem tem plano de saúde e precisa de imunoterapia para câncer de colo do útero é o pedido bem documentado: laudo com estadiamento, resultado do PD-L1 com o valor do CPS, indicação amparada no registro da Anvisa e justificativa clínica da combinação escolhida. Solicitação incompleta é a principal causa de negativa evitável.

Por que a decisão é sempre individual

Nenhum dos esquemas descritos aqui se aplica automaticamente. A escolha entre pembrolizumabe e atezolizumabe, entre cisplatina e carboplatina, e a decisão de incluir ou não o bevacizumabe dependem de fatores que variam de paciente para paciente.

  • Comorbidades: função renal, cardiopatia, hipertensão de difícil controle, doença autoimune ativa e histórico de fístula ou de radioterapia pélvica extensa.
  • Idade e reserva funcional, que influenciam a tolerância à combinação tripla.
  • Performance status, que mede a autonomia para as atividades do dia a dia e é um dos preditores mais consistentes de resposta à quimioterapia com platina.
  • Tratamentos já recebidos, em especial cisplatina durante quimiorradioterapia e uso prévio de inibidor de checkpoint.
  • Local da doença, já que recidiva restrita à pelve responde de forma diferente da doença fora da pelve.
  • Resultado do PD-L1 e do painel molecular.

Doença autoimune ativa merece destaque. Não é contraindicação absoluta, mas exige discussão específica, porque a imunoterapia para câncer de colo do útero pode reativar o quadro de base. A decisão nesses casos costuma ser tomada em conjunto com o especialista que acompanha a doença autoimune.

O melhor formato de decisão continua sendo a discussão multidisciplinar, com oncologia clínica, radioterapia, cirurgia ginecológica oncológica, radiologia e patologia examinando o mesmo caso. É nesse ambiente que a indicação de imunoterapia para câncer de colo do útero é confrontada com as alternativas locais ainda disponíveis, como cirurgia de resgate ou radioterapia paliativa para controle de dor e sangramento.

Perguntas frequentes sobre imunoterapia para câncer de colo do útero

A imunoterapia para câncer de colo do útero cura a doença?

Na doença metastática, o objetivo da imunoterapia para câncer de colo do útero é controle prolongado, não cura. Ainda assim, a mudança é significativa: a sobrevida global mediana passou de cerca de 13 meses com quimioterapia isolada para 26 a 32 meses com os esquemas atuais, e existe um grupo de pacientes com resposta muito duradoura. No cenário localmente avançado, combinada à quimiorradioterapia, a intenção do tratamento é curativa.

Preciso fazer nova biópsia para dosar o PD-L1?

Na maioria das vezes, não. O exame é feito por imuno-histoquímica no bloco de parafina já armazenado do material que confirmou o diagnóstico. Nova biópsia só é necessária quando o material é insuficiente ou muito antigo.

E se o meu PD-L1 der negativo?

CPS abaixo de 1 não elimina a possibilidade de imunoterapia para câncer de colo do útero. O atezolizumabe demonstrou ganho de sobrevida independentemente do resultado do PD-L1, o que o torna a alternativa nesse grupo. A escolha final considera também custo e disponibilidade.

A imunoterapia causa queda de cabelo?

O inibidor de checkpoint isoladamente não costuma causar queda de cabelo. Quando ela ocorre, decorre da quimioterapia associada, em especial do paclitaxel, e é temporária: o cabelo volta a crescer após o fim dos ciclos.

Quem já fez radioterapia com cisplatina pode receber esse tratamento?

Pode, e é uma situação comum. Nesses casos a carboplatina costuma substituir a cisplatina na dupla de quimioterapia. A ressalva importante é outra: quem já recebeu um inibidor de checkpoint junto à quimiorradioterapia em geral não repete a imunoterapia, seguindo com quimioterapia e bevacizumabe.

Posso trabalhar durante o tratamento?

Muitas pacientes mantêm a rotina profissional, com ajustes nos dias de infusão e na semana seguinte, quando a fadiga é maior. A resposta depende muito mais da quimioterapia associada e do performance status inicial do que do inibidor de checkpoint.

O plano de saúde é obrigado a cobrir?

A indicação registrada na Anvisa é o principal argumento para a cobertura na saúde suplementar. O pedido precisa vir acompanhado de laudo anatomopatológico, estadiamento, resultado do PD-L1 com o valor do CPS e justificativa clínica do esquema. Em caso de negativa, cabe recurso administrativo e, se necessário, orientação jurídica especializada.

Oncologista em São Paulo - Dr. Hugo Tanaka

Dr. Hugo Tanaka
Oncologista Clínico
CRM 163241 | RQE 100689 – Oncologia Clínica

Oncologista clínico e pesquisador atuante em São Paulo, com sólida formação acadêmica que inclui doutorado e mestrado em oncologia clínica e atendimento multidisciplinar.
Especialista certificado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), desenvolve práticas médicas integradas com foco em atendimento humanizado e ágil, sempre baseado em diretrizes internacionais.

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