Tireoidectomia: como é a cirurgia de tireoide e a recuperação

Retirar a tireoide assusta menos quando se sabe o que vai acontecer. Este guia explica, em linguagem simples, quando a cirurgia é indicada, como o cirurgião protege a voz e o cálcio, quanto tempo dura a recuperação e o que muda no dia a dia depois da alta.

Receber a indicação de uma tireoidectomia costuma vir acompanhado de uma enxurrada de dúvidas. Vou perder a voz? Vou tomar remédio para sempre? A cicatriz vai ficar aparente? Vou engordar? Este texto foi escrito para responder a essas perguntas em linguagem simples, sem termos complicados, para que paciente e familiares consigam entender o que esperar antes, durante e depois do procedimento.

Tireoidectomia é o nome técnico da cirurgia que retira a tireoide, a glândula em formato de borboleta que fica na frente do pescoço, apoiada sobre a traqueia. Ela pode ser retirada inteira ou apenas do lado onde está o nódulo. A escolha entre uma coisa e outra não é aleatória: depende do tipo e do tamanho do tumor, do que o ultrassom mostrou no restante do pescoço, da idade, das doenças associadas e do estado geral de saúde de cada pessoa.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de tireoide está entre os tumores mais frequentes no Brasil, com cerca de 16.450 novos casos por ano, e atinge sobretudo mulheres. A maior parte dos casos cresce devagar e responde bem ao tratamento. Como descreve o National Cancer Institute (NIH), a cirurgia é o primeiro passo do tratamento na quase totalidade dos tipos de câncer de tireoide.

O que é a tireoidectomia

A palavra soa complicada, mas quer dizer exatamente o que parece: retirada da tireoide. Na prática, existem duas operações principais e uma terceira situação que aparece com frequência.

A lobectomia, também chamada de hemitireoidectomia, retira apenas um dos lados da glândula junto com o istmo, que é a faixa de tecido que liga as duas metades. Voltando à imagem da borboleta, é como retirar uma das asas junto com o corpinho central. A tireoidectomia total retira a glândula inteira, as duas asas.

Existe ainda a totalização, também chamada de tireoidectomia complementar. Ela acontece quando a pessoa operou apenas um lado e o exame do material retirado, feito depois pelo patologista, revelou um câncer que pede a retirada do restante. Nesse caso, a segunda cirurgia costuma ser feita ou nos primeiros cinco a sete dias, antes de a região inflamar, ou depois de pelo menos seis semanas, quando a inflamação já cedeu. Não existe pressa que justifique operar no meio desse intervalo.

Em alguns casos, o cirurgião também retira gânglios do pescoço, procedimento chamado de esvaziamento cervical. Os gânglios, ou ínguas, funcionam como pequenos filtros por onde o tumor pode se espalhar. Eles são retirados quando os exames de imagem ou o achado durante a cirurgia mostram comprometimento, e, em situações específicas, de forma preventiva.

Uma regra importante mudou nas últimas décadas: quando a doença está em um dos lados, o mínimo aceitável hoje é retirar o lobo inteiro. Cirurgias menores, que removiam só o nódulo, foram abandonadas porque deixavam tecido doente para trás, aumentavam a chance de a doença voltar e obrigavam a reoperar uma região já cheia de cicatriz, o que eleva o risco.

Quando a tireoidectomia é indicada

A cirurgia não é o destino de todo nódulo de tireoide. Nódulos são muito comuns e a grande maioria é benigna e só precisa de acompanhamento. A operação entra em cena principalmente nas seguintes situações, listadas também pela American Cancer Society:

  • Nódulo com punção (biópsia por agulha fina) mostrando câncer ou resultado suspeito ou indeterminado.
  • Câncer de tireoide já confirmado, dos tipos papilífero, folicular, medular ou anaplásico.
  • Hipertireoidismo, principalmente na doença de Graves, quando o remédio e o iodo radioativo não resolveram ou não podem ser usados.
  • Bócio volumoso que comprime a traqueia ou o esôfago, causa falta de ar deitado ou mergulha para dentro do tórax.

Duas exceções ajudam a entender a lógica. No linfoma que nasce na tireoide, o tratamento é feito com medicamentos e radioterapia, e a cirurgia serve apenas para colher a biópsia. Quando a tireoide é atingida por metástase de outro tumor, situação rara, a cirurgia pode ser indicada se aquela for a única área comprometida.

Retirar um lado ou a glândula inteira

Esta é a decisão que mais gera dúvida, e ela segue critérios bem definidos:

  • Tumores papilíferos menores que 1 centímetro, únicos e sem gânglios comprometidos podem ser tratados com lobectomia. Em pessoas selecionadas, sobretudo acima de 60 anos, com margens bem definidas e acompanhadas por equipe experiente, existe ainda a opção de vigilância ativa, ou seja, acompanhar com ultrassom e operar só se houver mudança.
  • Tumores entre 1 e 4 centímetros, sem sinais de crescimento para fora da glândula e sem gânglios comprometidos, podem ser tratados tanto com lobectomia quanto com retirada total. É uma decisão compartilhada, que leva em conta preferência da pessoa, necessidade de iodo radioativo e facilidade de acompanhamento.
  • Tumores de 4 centímetros ou mais, com invasão de estruturas vizinhas, com gânglios ou metástases evidentes, em quem já recebeu radiação em cabeça e pescoço ou tem parente de primeiro grau com câncer de tireoide: a indicação é retirar a glândula toda.
  • No carcinoma medular, a retirada é sempre total e vem acompanhada da remoção dos gânglios do compartimento central do pescoço. Esse tipo tem regras próprias, explicadas no texto sobre câncer medular de tireoide.
  • Na doença de Graves e no bócio com vários nódulos, a retirada total é preferida às operações parciais, que têm mais chance de a doença voltar e obrigam a uma segunda cirurgia mais arriscada.

Vale reforçar: nenhuma dessas regras substitui a avaliação individual. Idade, doenças do coração e dos pulmões, uso de anticoagulantes e capacidade de recuperação pesam tanto quanto o tamanho do tumor na hora de definir a extensão da cirurgia.

Quais exames são pedidos antes da tireoidectomia

Com raras exceções, a tireoidectomia é uma cirurgia programada, não uma urgência. Isso permite ajustar o que precisa ser ajustado antes de entrar na sala. O preparo costuma incluir:

  • Ultrassom do pescoço em todos os casos. Ele avalia o nódulo, o outro lado da glândula e os gânglios das cadeias central e lateral. Funciona como o mapa da região antes da obra: quanto melhor o mapa, menor a chance de surpresa.
  • Exames de sangue: TSH, para saber se a glândula está funcionando demais, de menos ou normalmente, e cálcio, que pode revelar um problema associado nas paratireoides. Quando há suspeita de carcinoma medular, entra também a dosagem de calcitonina.
  • Tomografia ou ressonância apenas quando existe suspeita de doença mais extensa, como tumor que cresceu para fora da glândula ou gânglios volumosos.
  • Exame das cordas vocais, feito com laringoscopia ou ultrassom da laringe. Não é obrigatório para todo mundo, mas é indicado para quem já tem rouquidão ou mudança na voz, quem já operou o pescoço antes, quem tem tumor crescendo para trás e quem tem gânglios volumosos.
  • Testes moleculares no material da punção, em casos de citologia indeterminada. Eles podem ajudar a decidir a extensão da cirurgia.

Quem tem hipertireoidismo precisa de preparo extra, com medicação antitireoidiana, betabloqueador e, em muitos casos, solução de iodo nos dias que antecedem o procedimento. Esse preparo evita a chamada crise tireotóxica e ainda deixa a glândula menos irrigada, o que reduz sangramento. Anticoagulantes e antiagregantes devem ser suspensos conforme orientação da equipe.

Como a tireoidectomia é feita

A operação é feita quase sempre com anestesia geral. A pessoa fica deitada de barriga para cima, com um coxim entre as escápulas e o pescoço levemente estendido, o suficiente para expor a região sem forçar. Estender demais o pescoço causa dor, tontura e enjoo no pós-operatório, e por isso é evitado.

O corte é horizontal, na parte da frente do pescoço, e o cirurgião procura posicioná-lo dentro de uma prega natural da pele, do mesmo jeito que uma costura feita na dobra do tecido some quando a roupa está vestida. O tamanho varia conforme o volume da glândula e o biotipo da pessoa: pescoço mais curto ou glândula maior pedem uma abertura um pouco maior.

Depois de abrir a pele e uma camada muscular fina, os músculos da frente do pescoço são afastados pelo meio, como quem abre uma cortina, sem serem cortados. A glândula é então liberada aos poucos: os vasos são selados, o lobo é rodado para expor a face de trás e a tireoide é descolada da traqueia. O ponto mais delicado fica no fim, onde a glândula é mais aderida à traqueia.

Alguns detalhes práticos costumam surpreender quem imagina uma cirurgia maior: antibiótico não é rotina, porque a taxa de infecção é muito baixa. Dreno também não é rotina, e fica reservado para glândulas muito volumosas ou cirurgias mais extensas. Medicação para prevenir enjoo é rotina, porque náusea depois desse procedimento é frequente. O fechamento é feito com pontos absorvíveis ou cola de pele. A duração média fica entre uma e três horas.

O que o cirurgião protege durante a tireoidectomia

Duas estruturas explicam praticamente todo o cuidado técnico da tireoidectomia.

A primeira é o nervo laríngeo recorrente. Ele é um fio fino que sobe pelo sulco entre a traqueia e o esôfago e comanda a corda vocal do mesmo lado. Passa exatamente por trás do ponto onde a glândula está mais colada à traqueia, e é ali que ocorre a maioria das lesões. Por isso o nervo é procurado e identificado com os olhos ao longo de todo o trajeto, do mesmo modo que se localiza a fiação dentro da parede antes de furar. Existe também um segundo nervo, o laríngeo superior, responsável pelas notas agudas e pela projeção da voz, importante sobretudo para quem canta ou fala em público.

Muitos serviços usam a neuromonitorização, um aparelho que emite um sinal sonoro quando o nervo é estimulado. É um recurso útil, principalmente em reoperações, bócios grandes e tumores maiores, mas os estudos mostram que ele não reduz sozinho a taxa de lesão. Ou seja, ajuda, mas não substitui a técnica cuidadosa e a identificação visual do nervo.

A segunda estrutura são as paratireoides. São quatro glândulas do tamanho aproximado de um grão de arroz, coladas atrás da tireoide, e elas regulam o cálcio do organismo como um termostato regula a temperatura da casa. Sempre que possível, ficam onde estão, com seu próprio encanamento de sangue preservado. Quando uma delas perde a irrigação durante a cirurgia, o cirurgião a fragmenta e a reimplanta dentro de um músculo do pescoço, como quem replanta uma muda em terra bem irrigada, e ela volta a funcionar em algumas semanas. Tecnologias mais recentes de fluorescência ajudam a enxergar essas glândulas e a avaliar se estão bem irrigadas.

Cirurgia por vídeo e cirurgia robótica

Além da tireoidectomia aberta clássica, existem abordagens minimamente invasivas. Uma delas usa uma incisão menor com auxílio de câmera. Outras entram por caminhos alternativos, como a axila, a região atrás da orelha ou a boca, o que evita a cicatriz na frente do pescoço. Algumas podem ser feitas com auxílio de robô, que melhora a manobra dos instrumentos e a ergonomia do cirurgião. Essas vias de acesso alternativas são descritas pela American Thyroid Association.

Esses caminhos têm limitações honestas: exigem curva de aprendizado longa, tempo de sala maior, custo mais alto e seleção cuidadosa dos casos. Os resultados de longo prazo no tratamento do câncer ainda estão sendo avaliados, e o uso do robô nessa cirurgia é considerado investigacional. Mais moderno não significa automaticamente melhor: a via de acesso deve ser escolhida junto com um cirurgião experiente naquela técnica, e não pelo apelo do equipamento.

Como é a recuperação depois da tireoidectomia

Em casos selecionados e com equipes experientes, é possível ter alta no mesmo dia. O mais comum, porém, é passar uma noite em observação, para controlar dor e enjoo, acompanhar o cálcio e vigiar sinais de sangramento nas primeiras horas, que é quando o risco se concentra.

A dor costuma ser menor do que as pessoas esperam, parecida com uma dor de garganta forte, e responde bem a analgésicos comuns como paracetamol e anti-inflamatório. Estudos comparando analgesia com e sem opioide não mostraram diferença relevante na dor até a primeira consulta de retorno, e boa parte das pessoas que recebe receita de opioide acaba não usando.

Sensação de garganta arranhada e de aperto ao engolir são frequentes na primeira semana e vêm em boa parte do tubo da anestesia. Melhoram progressivamente. Em um estudo de acompanhamento, queixas para engolir apareciam em 74% das pessoas na primeira semana e caíam para 20% em seis meses. A massagem da cicatriz, orientada pela equipe, costuma ajudar bastante nessa sensação de repuxado.

A cicatriz fica avermelhada e endurecida por algumas semanas e vai clareando ao longo de seis a doze meses. Proteção solar rigorosa na região faz diferença no resultado final. Caminhar no mesmo dia é estimulado. Atividades leves e direção costumam ser retomadas em uma a duas semanas, e exercícios de maior esforço são liberados individualmente. O retorno com o cirurgião é marcado para uma a duas semanas depois, quando se avalia a cicatrização, se ajusta a medicação e se lê o laudo definitivo da patologia.

Cálcio baixo e formigamento nos primeiros dias

Esse é o efeito mais comum de uma tireoidectomia total. As paratireoides ficam temporariamente atordoadas pela manipulação, como um termostato que precisa ser desligado durante a reforma e demora um pouco para voltar a funcionar. O resultado é queda do cálcio no sangue. Esse quadro, chamado de hipoparatireoidismo pós-cirúrgico pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), pode ser transitório ou permanente.

Os sintomas são característicos: formigamento ao redor da boca e nas pontas dos dedos, às vezes cãibras ou espasmos musculares. O tratamento é simples e feito com carbonato de cálcio por via oral, em geral entre 1.250 e 2.500 mg por dia divididos em duas a quatro tomadas, com a dose ajustada e reduzida aos poucos conforme os sintomas e os exames. Quem usa omeprazol, pantoprazol e semelhantes ou já fez cirurgia bariátrica deve usar citrato de cálcio, porque a absorção do carbonato depende do ácido do estômago. Alguns casos precisam também de calcitriol, que é a vitamina D já ativada, e os quadros mais intensos podem exigir cálcio na veia por alguns dias.

Duas informações tranquilizam: na maioria das vezes o problema é temporário, e ele praticamente não ocorre quando se retira apenas um lado da glândula, porque as paratireoides do outro lado continuam intactas.

A reposição de hormônio depois da cirurgia

Quando a glândula inteira é retirada, o corpo deixa de fabricar o hormônio tireoidiano e passa a recebê-lo em comprimido. É exatamente o mesmo hormônio, apenas por outra via. A dose inicial gira em torno de 1,6 microgramas por quilo de peso por dia, tomada em jejum, menor em pessoas acima de 65 anos ou com problemas cardíacos. Cerca de seis semanas depois, dosa-se o TSH e a dose é ajustada. Depois disso, o controle costuma ser anual em quem está bem.

Quem faz apenas a lobectomia nem sempre precisa de reposição. Aproximadamente um terço dessas pessoas acaba precisando, e é justamente o TSH colhido seis semanas após a cirurgia que responde essa pergunta.

No caso do câncer, a dose pode ser calibrada para manter o TSH em uma faixa mais baixa do que o normal, o que ajuda a reduzir o estímulo ao crescimento de células remanescentes. Esse alvo depende do risco de cada caso e da idade, e não se aplica ao carcinoma medular. Quando há programação de iodo radioativo nas duas a três semanas seguintes, o esquema de reposição é diferente e definido pela equipe.

Quais são os riscos da tireoidectomia

Como toda cirurgia, a tireoidectomia não é isenta de riscos, e conhecer os números ajuda a dimensionar o que é raro e o que é esperado. Um estudo italiano que acompanhou 14.934 pessoas operadas encontrou as seguintes frequências:

Complicação Com que frequência
Sangramento com hematoma no pescoço 1,2% (entre 0,7% e 1,5% nos diferentes estudos)
Queda do cálcio por sofrimento das paratireoides 10% no total, sendo 8,3% temporária e 1,7% permanente
Lesão do nervo da voz (laríngeo recorrente) 3,4% no total, sendo 2% temporária e 1% permanente de um lado
Alteração do ramo do nervo laríngeo superior 3,7%
Dificuldade persistente para engolir 1,4%

Complicações mais raras incluem a síndrome de Horner, que ocorre em cerca de 0,2% dos casos e afeta a pálpebra e a pupila de um lado, o vazamento de linfa, mais ligado ao esvaziamento das cadeias laterais, e lesões da traqueia ou do esôfago, muito incomuns. A paralisia das duas cordas vocais é a complicação mais temida e também uma das mais raras, com cerca de 0,4% dos casos, concentrados em reoperações.

Um fator pesa mais do que qualquer tecnologia: a experiência de quem opera. Complicações de nervo, de cálcio e de deglutição são consistentemente menores nas mãos de cirurgiões e serviços com alto volume. Um estudo apontou queda no risco quando o cirurgião realiza mais de 25 tireoidectomias totais por ano. Perguntar quantas cirurgias de tireoide a equipe faz por ano é uma pergunta legítima e bem-vinda.

Sinais de alerta que pedem atendimento imediato
  • Inchaço tenso, duro e que cresce no pescoço, com sensação de aperto, agitação, dor intensa ou falta de ar. É a situação mais urgente e exige pronto-socorro imediato, porque um hematoma pode comprimir a via respiratória.
  • Formigamento intenso, cãibras ou travamento das mãos, que indicam queda importante do cálcio.
  • Rouquidão que piora em vez de melhorar, engasgos com líquidos, tosse ao falar ou falta de ar, que pedem avaliação das cordas vocais.
  • Febre, vermelhidão, calor e saída de secreção pela ferida.
  • Sensação de ar embaixo da pele do pescoço, que estala ao toque.

O acompanhamento depois da tireoidectomia

A tireoidectomia é o começo do tratamento, não o fim. O laudo da patologia, que sai alguns dias depois, é o documento que define os próximos passos: tipo do tumor, tamanho, se as margens ficaram livres, quantos gânglios estavam comprometidos e se houve invasão de vasos.

É a partir dele que se define se existe indicação de iodo radioativo, qual o alvo de TSH, com que frequência colher tireoglobulina, que funciona como marcador de vigilância nos tipos diferenciados, e quando repetir o ultrassom do pescoço. Nos casos avançados que deixam de responder ao iodo, entram os tratamentos sistêmicos e as terapias direcionadas, escolhidas conforme as alterações genéticas encontradas no tumor e orientadas pelas diretrizes da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

Esse acompanhamento é feito em conjunto por cirurgião de cabeça e pescoço, endocrinologista e oncologista clínico, com apoio de fonoaudiólogo quando a voz demora a voltar ao normal. Essa avaliação multidisciplinar é o modelo recomendado também pela American Society of Clinical Oncology (ASCO). Cabe ainda ao oncologista clínico redigir os relatórios necessários para autorização de exames e medicamentos junto ao convênio, o que costuma acelerar bastante a liberação.

Quando procurar uma segunda opinião

Buscar uma segunda avaliação não é desconfiar de quem indicou a cirurgia. É uma prática comum em oncologia e especialmente útil em algumas situações:

  • Quando foi indicada uma tireoidectomia total por um nódulo pequeno e resta dúvida se a lobectomia seria suficiente.
  • Quando a citologia veio indeterminada e a conduta oscila entre operar e acompanhar.
  • Quando o laudo depois da cirurgia mudou o plano, com indicação de totalização ou de iodo radioativo.
  • Quando existem gânglios comprometidos, crescimento para fora da glândula ou doença que voltou.
  • Quando o convênio negou um exame, um medicamento ou o próprio procedimento.

Para quem mora fora de São Paulo, a consulta por telemedicina permite revisar exames e laudos sem deslocamento, com envio prévio dos documentos.

Perguntas frequentes sobre tireoidectomia

A tireoidectomia dói muito?

Na maioria das vezes, não. A dor costuma ser leve a moderada, comparável a uma dor de garganta forte, e é bem controlada com analgésicos simples. Estudos mostram que quem usa apenas paracetamol e anti-inflamatório tem controle de dor semelhante a quem recebe opioide. O desconforto maior costuma vir da rigidez do pescoço e da sensação de engolir com o pescoço apertado, que melhora em poucos dias.

Quanto tempo dura a tireoidectomia e quantos dias de internação?

A operação dura em média de uma a três horas, dependendo da extensão e de haver ou não retirada de gânglios. O mais comum é permanecer uma noite internado. Em serviços com alta experiência, uma parcela das pessoas tem alta no mesmo dia, com taxas de reinternação semelhantes às de quem passa a noite no hospital.

A cicatriz da tireoidectomia fica muito aparente?

A cicatriz fica na frente do pescoço, na horizontal, e o cirurgião procura escondê-la em uma prega natural da pele. Nas primeiras semanas fica avermelhada e endurecida, e depois clareia progressivamente ao longo de seis a doze meses. Proteger do sol e massagear a região, conforme orientação, melhora bastante o resultado. Quem tem tendência a queloide deve avisar a equipe antes da cirurgia.

Vou ficar com a voz rouca para sempre depois da tireoidectomia?

É pouco provável. Rouquidão nas primeiras 24 a 48 horas é comum e quase sempre causada pelo tubo da anestesia, não por lesão de nervo. A alteração permanente da voz por lesão do nervo laríngeo recorrente ocorre em torno de 1% das cirurgias. Rouquidão que piora, engasgos ou tosse ao falar depois de 48 horas devem ser avaliados com exame das cordas vocais, e existem tratamentos eficazes, desde fonoterapia até procedimentos que reposicionam a corda vocal.

Quem retira a tireoide engorda?

Retirar a glândula, por si só, não faz engordar, desde que a reposição hormonal esteja bem ajustada. O que costuma acontecer é uma combinação de repouso nas primeiras semanas, ajuste de dose que leva algumas semanas para ficar no ponto e, em quem tinha hipertireoidismo, o retorno do metabolismo a um ritmo normal, que antes estava acelerado. Se o peso subir de forma persistente, o caminho é reavaliar o TSH e a dose, não abandonar o remédio.

Vou precisar tomar remédio pelo resto da vida?

Quem retira a glândula inteira precisa repor o hormônio de forma definitiva. É um comprimido por dia, em jejum, do mesmo hormônio que o corpo produzia, com exames periódicos para ajuste. Quem faz apenas a lobectomia nem sempre precisa: cerca de um terço acaba precisando, e o TSH colhido seis semanas depois da cirurgia responde a essa pergunta.

É melhor retirar metade ou a tireoide inteira?

Não existe uma resposta melhor para todo mundo. Retirar apenas um lado evita a reposição obrigatória e praticamente elimina o risco de queda permanente do cálcio, mas pode exigir uma segunda cirurgia se o laudo trouxer surpresas e dificulta o uso do iodo radioativo e o acompanhamento com tireoglobulina. Retirar a glândula toda simplifica a vigilância e é obrigatória em tumores maiores, no tipo medular e na doença de Graves. A decisão é individual e deve considerar tipo e tamanho do tumor, achados do ultrassom, idade, doenças associadas e preferência da pessoa.

Oncologista em São Paulo - Dr. Hugo Tanaka

Dr. Hugo Tanaka
Oncologista Clínico
CRM 163241 | RQE 100689 – Oncologia Clínica

Oncologista clínico e pesquisador atuante em São Paulo, com sólida formação acadêmica que inclui doutorado e mestrado em oncologia clínica e atendimento multidisciplinar.
Especialista certificado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), desenvolve práticas médicas integradas com foco em atendimento humanizado e ágil, sempre baseado em diretrizes internacionais.

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