Tipos de câncer

Câncer de Cabeça e Pescoço

O câncer de cabeça e pescoço engloba tumores que surgem na boca, garganta, laringe, tireoide, glândulas salivares e outras estruturas dessa região. Reconhecer seus sinais precocemente pode ser decisivo para o sucesso do tratamento. Entenda como essa doença se desenvolve, quais são os principais fatores de risco e quais opções terapêuticas estão disponíveis.

O câncer de cabeça e pescoço é um grupo de tumores malignos que se origina nas células de diferentes estruturas anatômicas dessa região do corpo — incluindo a boca, a garganta, a laringe (caixa de voz), as glândulas salivares, a tireoide, as glândulas paratireoides, os seios paranasais e a pele da face, do couro cabeludo e do pescoço. Por envolverem áreas fundamentais para funções vitais do dia a dia, como falar, engolir, mastigar, respirar, ver e ouvir, esses tumores exigem diagnóstico precoce e tratamento especializado e multidisciplinar.

No Brasil, os cânceres de cabeça e pescoço figuram entre os tumores mais incidentes na população masculina. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de cavidade oral representa cerca de 4,6% dos casos em homens no triênio 2023-2025. Apesar dos avanços no tratamento, muitos casos ainda são diagnosticados em estágios avançados, o que reforça a importância de conhecer os sinais de alerta e buscar avaliação médica ao perceber qualquer alteração persistente na região.

É importante destacar que os tumores cerebrais primários, embora localizados dentro do crânio, envolvem células e tratamentos distintos e não são classificados como câncer de cabeça e pescoço. Para entender essa diferença, confira o conteúdo completo sobre câncer de cérebro em nosso site.

O que é câncer de cabeça e pescoço?

O câncer de cabeça e pescoço se desenvolve quando células saudáveis nessa região sofrem mutações genéticas e passam a se multiplicar de forma descontrolada, formando uma massa tumoral. Para entender melhor o que é o câncer e como ele se forma no organismo, confira nosso artigo dedicado ao tema.

Por conta da localização anatômica privilegiada dessa região — onde se concentram nervos, vasos sanguíneos, glândulas hormonais e estruturas relacionadas à comunicação e à alimentação —, o câncer de cabeça e pescoço pode impactar múltiplas funções essenciais. Além disso, alguns tumores dessa região afetam os níveis hormonais do organismo, influenciando funções como o metabolismo e a frequência cardíaca. O tratamento bem-sucedido exige equipes compostas por cirurgiões oncológicos, radioterapeutas, oncologistas clínicos, fonoaudiólogos, nutricionistas e outros especialistas.

Principais tipos de câncer de cabeça e pescoço

A denominação abrange tumores com origens, comportamentos e tratamentos distintos. Conheça os principais:

Câncer de boca (cavidade oral)

O câncer de boca é um dos tipos mais comuns dentro do grupo do câncer de cabeça e pescoço. Pode se originar na língua, nos lábios, no assoalho da boca, na gengiva, no palato, nas glândulas salivares menores e no revestimento interno das bochechas. O tabagismo e o consumo excessivo de álcool são seus principais fatores de risco, mas a infecção pelo HPV também tem sido apontada como causa crescente, especialmente em adultos jovens.

Câncer de garganta (faringe e laringe)

O câncer de garganta é um termo amplo que engloba tumores de quatro localizações distintas: a orofaringe (palato mole, tonsila, base da língua e paredes da garganta), a nasofaringe (atrás da cavidade nasal), a hipofaringe (região que conecta a garganta ao esôfago) e a laringe (caixa de voz). O câncer de orofaringe relacionado ao HPV tornou-se uma das formas mais frequentes de câncer de cabeça e pescoço nas últimas décadas. A maioria dos tumores de garganta inicia-se na orofaringe, e muitas pessoas só percebem a doença quando notam um nódulo indolor no pescoço — uma das manifestações mais características.

Câncer de tireoide

A tireoide é uma pequena glândula em formato de borboleta localizada na parte anterior do pescoço, responsável pela produção de hormônios que regulam o metabolismo, a frequência cardíaca e a temperatura corporal. O câncer de tireoide é o sétimo tipo mais frequente no Brasil, com estimativa de 16,6 mil novos casos por ano, de acordo com o INCA. Na maioria dos casos cresce de forma lenta e tem excelente prognóstico, com taxa de sobrevida em cinco anos superior a 98%. Formas mais agressivas, como o carcinoma anaplásico, exigem tratamento imediato.

Câncer de glândulas salivares

Cada pessoa possui centenas de glândulas salivares distribuídas na boca, na garganta e nas cavidades sinusais. Existem três pares de glândulas salivares maiores — parótida, submandibular e sublingual — onde a maioria dos tumores malignos se origina. Esses tumores têm comportamentos muito variados: alguns são de baixo grau e tratáveis com cirurgia, outros são altamente agressivos e exigem tratamento combinado.

Câncer de pele da cabeça e pescoço

A pele da face, das orelhas, do couro cabeludo e do pescoço é uma das regiões mais expostas ao sol ao longo da vida. Por isso, essa área concentra grande parte dos casos de câncer de pele, incluindo carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular, melanoma e carcinoma de células de Merkel. Dada a proximidade de estruturas nobres — nervos, vasos sanguíneos e músculos —, o tratamento requer equipe especializada em cirurgia oncológica de cabeça e pescoço.

Outros tumores da região

Tumores da base do crânio, tumores oculares (incluindo o retinoblastoma, mais comum em crianças até 5 anos), tumores da hipófise e doenças das glândulas paratireoides também integram o espectro dos tumores de cabeça e pescoço, cada um com abordagem diagnóstica e terapêutica própria.

Onde o câncer de cabeça e pescoço geralmente se manifesta

Sintomas

Os sintomas do câncer de cabeça e pescoço variam bastante conforme o tipo e a localização do tumor. Muitas pessoas não apresentam sintomas nas fases iniciais — e quando eles surgem, costumam ser sutis e facilmente confundidos com condições benignas, como infecções ou alergias. Por isso, qualquer sinal que persista por mais de duas a três semanas merece avaliação médica.

Sintomas mais comuns

  • Nódulo ou caroço indolor no pescoço, mandíbula ou boca — um dos sinais mais frequentes, podendo indicar que células tumorais se alojaram nos linfonodos da região
  • Ferida ou úlcera na boca que não cicatriza em 15 dias
  • Rouquidão ou alteração persistente na voz
  • Dificuldade para engolir (disfagia) ou mastigar
  • Dificuldade para abrir a boca
  • Dor de garganta persistente, geralmente em apenas um lado
  • Dor de ouvido (otalgia), muitas vezes referida a partir da língua ou da garganta
  • Perda auditiva, especialmente unilateral
  • Obstrução nasal persistente ou sinusite que não responde ao tratamento convencional
  • Sangramento pela boca, pelo nariz ou proveniente da garganta
  • Alterações visuais, incluindo visão dupla, especialmente em tumores perioculares ou da base do crânio
  • Fraqueza ou paralisia facial
  • Dificuldade para respirar ou falar
  • Tontura ou desequilíbrio

Sintomas relacionados a alterações hormonais

Alguns tumores de cabeça e pescoço — especialmente da tireoide e das paratireoides — afetam a produção hormonal do organismo, podendo causar sintomas sistêmicos que, à primeira vista, parecem não ter relação com um tumor nessa região:

  • Ganho ou perda de peso sem causa aparente
  • Pressão arterial elevada
  • Suor excessivo
  • Constipação intestinal
  • Necessidade frequente de urinar
  • Dor óssea ou fraturas sem trauma significativo
  • Cálculos renais de repetição
  • Fraqueza muscular e fadiga intensa

Atenção especial deve ser dada a sintomas que surjam de forma unilateral (em apenas um lado do rosto, pescoço ou garganta), pois isso é característica frequente dos tumores de cabeça e pescoço. Uma dor de garganta que nunca melhora, sempre presente no mesmo lado, é sinal de alerta importante. Alguns sintomas exigem avaliação mais urgente, sem necessidade de esperar duas semanas: dificuldade progressiva para engolir, perda de peso involuntária, alteração da voz e sangramento na garganta devem ser investigados com prioridade.

Fatores de risco

Um fator de risco é qualquer condição que aumenta a probabilidade de desenvolver uma doença. Os principais fatores de risco associados ao câncer de cabeça e pescoço são:

  • Tabagismo: o uso de cigarros, charutos, cachimbo ou tabaco mascado aumenta significativamente o risco de câncer de boca, laringe e faringe. De acordo com o INCA, quanto maior o tempo de exposição e a quantidade consumida, maior o risco.
  • Consumo de álcool: o uso excessivo de bebidas alcoólicas eleva o risco de tumores orais e faríngeos. A combinação com o tabagismo potencializa o risco de forma expressiva.
  • Infecção pelo HPV (papilomavírus humano): o HPV é hoje o principal fator de risco para o câncer de orofaringe, especialmente em adultos entre 40 e 60 anos. A vacinação está disponível no calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
  • Exposição solar: a radiação ultravioleta é responsável pelos cânceres de pele na região da cabeça e do pescoço, incluindo melanoma e carcinomas.
  • Exposição à radiação prévia: pacientes que fizeram radioterapia na cabeça e no pescoço para tratar outro câncer têm risco aumentado de desenvolver novos tumores nessa região.
  • Idade e sexo: o câncer de boca e o de garganta são mais frequentes em homens acima de 45 anos. O câncer de tireoide é mais comum em mulheres entre 20 e 55 anos.
  • Predisposição genética: alguns tumores de cabeça e pescoço estão associados a síndromes hereditárias. Nesses casos, o aconselhamento genético pode ser recomendado.

Diagnóstico e prevenção

O diagnóstico precoce e preciso do câncer de cabeça e pescoço é fundamental para aumentar as chances de cura e preservar ao máximo a qualidade de vida — incluindo funções como ouvir, falar e engolir. O processo diagnóstico começa com a consulta clínica, na qual o médico avalia os sintomas, examina a cabeça, pescoço e cavidade oral, e investiga hábitos de vida como tabagismo, consumo de álcool e histórico familiar.

Exame físico e endoscopia

O exame físico detalhado pode incluir técnicas especializadas para visualizar áreas de difícil acesso. A laringoscopia indireta utiliza um pequeno espelho posicionado na parte posterior da garganta, com iluminação, para visualizar a laringe e a faringe. Já a laringoscopia por fibra óptica — também chamada de nasofibrolaringoscopia — usa um telescópio flexível fino que é introduzido pelo nariz até a garganta, permitindo a visualização direta das vias aéreas superiores, da laringe e da faringe. É o método mais completo e preciso, realizado com anestesia local em spray, e costuma durar menos de um minuto. Ambos os exames podem ser realizados no consultório.

Biópsia

A biópsia é o exame definitivo para confirmação do diagnóstico de câncer de cabeça e pescoço. Uma amostra de tecido é retirada da lesão suspeita e analisada ao microscópio por um patologista. Dependendo da localização do tumor, a biópsia pode ser realizada com agulha e anestesia local (biópsia por agulha fina ou por core) ou exigir um procedimento cirúrgico sob anestesia geral. Além de confirmar se há câncer, a biópsia permite identificar o tipo histológico do tumor e o seu grau de agressividade.

Exames de imagem

Os exames de imagem são fundamentais para avaliar o tamanho do tumor, seu envolvimento com estruturas adjacentes, o comprometimento de linfonodos e a presença de metástases a distância. Os principais métodos utilizados no câncer de cabeça e pescoço são:

  • Tomografia computadorizada (TC): utiliza múltiplas imagens de raios-X de diferentes ângulos, gerando uma representação detalhada das estruturas da cabeça e do pescoço.
  • Ressonância magnética (RM): usa campos magnéticos e ondas de rádio para gerar imagens de alta resolução dos tecidos moles — especialmente útil para tumores próximos à base do crânio, nervos e vasos.
  • Ultrassonografia cervical: amplamente utilizada para avaliar nódulos tireoidianos e linfonodos do pescoço, sendo o primeiro método de imagem em muitos casos.
  • PET-CT (tomografia por emissão de pósitrons): injeta uma pequena quantidade de glicose radioativa que se concentra nas células tumorais, tornando visíveis os focos de doença em todo o corpo — essencial para estadiamento e detecção de metástases.
  • Raio-X: usado principalmente para avaliação óssea e triagem inicial.
Exames de sangue, urina e testes funcionais

Exames de sangue e urina são utilizados para verificar os níveis hormonais do paciente, que podem ser alterados por tumores como o câncer de tireoide e a doença das paratireoides. Esses exames também ajudam a monitorar a resposta ao tratamento e os efeitos colaterais das terapias.

Já os testes funcionais avaliam o impacto do tumor sobre órgãos como olhos, ouvidos e estruturas da deglutição. Pacientes com suspeita de tumor nessas áreas podem ser submetidos a avaliação de visão, audiometria, testes de equilíbrio e exame de deglutição, dependendo da localização da lesão.

Diagnóstico molecular e teste genético

O diagnóstico molecular identifica características específicas do tumor no nível celular e genômico — mutações no DNA e RNA das células tumorais — que orientam o planejamento de um tratamento personalizado. Alguns cânceres de cabeça e pescoço têm perfis moleculares que indicam maior sensibilidade a determinadas terapias-alvo ou imunoterapias. O teste genético, por sua vez, é indicado quando há suspeita de que o câncer seja hereditário, como nos casos de retinoblastoma familiar ou câncer tireoidiano medular associado à síndrome NEM.

Tratamento

O tratamento do câncer de cabeça e pescoço é altamente individualizado e dependente do tipo tumoral, da localização, do estágio e das condições gerais de saúde do paciente. A abordagem multidisciplinar é indispensável: cirurgiões, radioterapeutas, oncologistas clínicos, fonoaudiólogos, nutricionistas, dentistas oncológicos e fisioterapeutas trabalham juntos para obter o melhor resultado oncológico com a menor perda funcional possível. As principais modalidades terapêuticas disponíveis atualmente são:

Cirurgia

A cirurgia é um dos pilares do tratamento de muitos tipos de câncer de cabeça e pescoço. Pode ser realizada como tratamento principal, antes ou após a radioterapia. Existem duas grandes abordagens cirúrgicas:

  • Cirurgia aberta (convencional): são feitas incisões na pele da cabeça ou do pescoço para expor o tumor. As incisões são planejadas para ficarem ocultas em dobras da pele, cabelo ou dentro da boca, preservando ao máximo a estética. O tumor é removido com margem de segurança, protegendo nervos e vasos sanguíneos. Quando necessário, cirurgiões plásticos realizam reconstrução imediata de tecidos moles e osso para restaurar função e aparência.
  • Cirurgia minimamente invasiva: realizada sem incisões na pele ou com incisões muito pequenas. Inclui a cirurgia endoscópica (com endoscópio — tubo flexível com câmera e instrumentos), a cirurgia a laser e a cirurgia robótica (TORS — Trans-Oral Robotic Surgery), especialmente indicada para tumores de orofaringe. A cirurgia robótica permite ao cirurgião operar com precisão em espaços reduzidos, como a garganta, sem grandes cortes externos. Essas abordagens oferecem menor tempo de internação, recuperação mais rápida e menos complicações em relação à cirurgia convencional.
Radioterapia

A radioterapia usa feixes de energia de alta intensidade para destruir células tumorais. Pode ser empregada como tratamento principal (em substituição à cirurgia, em tumores iniciais), após a cirurgia (adjuvante) ou de forma concomitante com a quimioterapia (radioquimioterapia). As tecnologias disponíveis atualmente permitem alta precisão e menor toxicidade para os tecidos saudáveis ao redor do tumor:

  • IMRT (Radioterapia de Intensidade Modulada): direciona múltiplos feixes de raios-X de intensidades variadas e ângulos diferentes para o tumor, poupando ao máximo os tecidos adjacentes. Uma variante moderna, a VMAT (Volumetric Modulated Arc Therapy), usa um equipamento giratório que entrega radiação em arco ao redor do paciente, aumentando ainda mais a precisão.
  • Próton-terapia: usa feixes de prótons (partículas com carga positiva) em vez de raios-X. A grande vantagem é que os prótons depositam sua energia precisamente no tumor, sem dose de saída — ou seja, sem irradiar tecidos além do alvo. Isso é especialmente valioso para tumores próximos a estruturas críticas, como o tronco encefálico, os olhos e a medula espinal.
  • Radiocirurgia estereotáxica (SBRT/SABR): forma de radioterapia extremamente precisa que concentra altas doses de radiação em poucas sessões (geralmente 1 a 5 frações). Utiliza múltiplos feixes de intensidades diferentes direcionados ao tumor de ângulos variados.
  • Braquiterapia: método que posiciona fontes radioativas diretamente dentro ou ao lado do tumor (pequenos grãos ou fios radioativos do tamanho de um grão de arroz), permitindo doses muito elevadas no local da doença com menor exposição dos tecidos circundantes.
Quimioterapia

A quimioterapia utiliza medicamentos que destroem células cancerosas, controlam seu crescimento ou aliviam sintomas da doença. Pode ser administrada como tratamento único ou em combinação com dois ou mais agentes, dependendo do tipo e da velocidade de crescimento do tumor. No câncer de cabeça e pescoço, é frequentemente usada em concomitância com a radioterapia (radioquimioterapia) para potencializar a resposta ao tratamento ou no cenário metastático para controle da doença.

Terapia-alvo

As terapias-alvo atuam diretamente em moléculas específicas — geralmente proteínas produzidas por genes que impulsionam o crescimento tumoral — bloqueando vias de sinalização que as células cancerosas precisam para sobreviver, se multiplicar e se disseminar. O cetuximabe, anticorpo monoclonal contra o receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR), é um dos agentes-alvo aprovados para tumores de cabeça e pescoço, utilizado em combinação com radioterapia ou quimioterapia em casos selecionados.

Imunoterapia

A imunoterapia potencializa a capacidade do próprio sistema imunológico de reconhecer e eliminar as células tumorais. Os inibidores de checkpoint imunológico — como pembrolizumabe e nivolumabe — estão aprovados para o tratamento do câncer de cabeça e pescoço recorrente ou metastático e representam um dos maiores avanços terapêuticos das últimas décadas. Esses medicamentos bloqueiam proteínas que impedem o sistema imunológico de atacar o tumor, liberando uma resposta imune mais eficaz e duradoura.

Hormonioterapia

Determinados cânceres de cabeça e pescoço — especialmente alguns tipos de câncer de tireoide — são sensíveis a hormônios. A hormonioterapia pode ser usada para modificar os níveis hormonais no organismo, reduzindo o estímulo ao crescimento tumoral. O radioiodo (iodo-131) é uma forma específica de terapia para o câncer de tireoide diferenciado, destruindo células tireoidianas remanescentes após a cirurgia.

Crioablação

A crioablação (também chamada de crioterapia ou criocirurgia) usa temperaturas extremamente baixas para destruir células tumorais. Uma sonda especial é introduzida no tumor e resfriada até formar uma bola de gelo que congela e elimina o tecido canceroso. É um procedimento menos invasivo que a cirurgia convencional e pode, em alguns casos, ser realizado em regime ambulatorial.

Vigilância ativa

Alguns cânceres de cabeça e pescoço — especialmente tumores de tireoide de crescimento muito lento — podem ser acompanhados com vigilância ativa (monitoramento clínico e por exames periódicos sem tratamento imediato). O tratamento é iniciado apenas se a doença progredir além de parâmetros pré-estabelecidos. Essa abordagem evita riscos e efeitos colaterais desnecessários em tumores de comportamento indolente.

Cuidados de suporte durante e após o tratamento

O tratamento do câncer de cabeça e pescoço pode impactar funções essenciais como engolir, falar, mastigar e ouvir — além de afetar a aparência do paciente. Por isso, o suporte especializado é parte integrante do plano terapêutico:

  • Fonoaudiologia: avalia e trata alterações na fala e na voz. Os fonoaudiólogos também são especialistas na reabilitação da deglutição, que pode ser comprometida pela cirurgia ou pela radioterapia. Exercícios de deglutição iniciados antes e durante o tratamento podem reduzir significativamente o risco de sequelas a longo prazo.
  • Audiologia e otologia: avalia o impacto do tumor sobre a audição e o equilíbrio e oferece suporte técnico como aparelhos auditivos e reabilitação vestibular.
  • Odontologia oncológica: o tratamento de cabeça e pescoço — especialmente a radioterapia — pode afetar os dentes, a mandíbula e as glândulas salivares. Os dentistas especializados em oncologia planejam o cuidado bucal antes, durante e após o tratamento, além de projetos de implantes para restauração estética e funcional.
  • Nutrição oncológica: dificuldades para engolir e alterações no paladar são comuns durante o tratamento. O acompanhamento nutricional garante ingestão adequada de calorias e nutrientes, evitando perda de peso e desnutrição.
  • Fisioterapia e reabilitação: especialmente importante após cirurgias cervicais (esvaziamento ganglionar), que podem causar limitação de movimento do ombro e do pescoço, e após o tratamento do linfedema cervical.
  • Suporte psicológico: o diagnóstico de câncer e as mudanças na aparência e nas funções corporais têm impacto emocional significativo. O acompanhamento psicológico ou psiquiátrico é parte essencial do cuidado integral.

Após o término do tratamento, é fundamental manter o acompanhamento oncológico regular. O risco de recorrência é maior nos primeiros dois a três anos, e consultas periódicas — inicialmente a cada três meses — são essenciais para monitorar possíveis retornos da doença e os efeitos tardios do tratamento. É igualmente importante que pacientes tratados para câncer de cabeça e pescoço não fumem e não consumam álcool após o término do tratamento, pois essas práticas aumentam significativamente o risco de recidiva e de desenvolvimento de um segundo tumor. Conheça mais sobre o câncer metastático e o que acontece quando a doença se espalha em nosso portal.

É possível prevenir o câncer de cabeça e pescoço?

Embora não seja possível eliminar completamente o risco, diversas medidas contribuem de forma relevante para a prevenção:

  • Não fumar e evitar todas as formas de tabaco (cigarros, charutos, cachimbo, tabaco mascado)
  • Reduzir ou eliminar o consumo de álcool
  • Realizar a vacinação contra o HPV conforme o calendário vacinal
  • Usar protetor solar diariamente e evitar a exposição solar prolongada sem proteção
  • Manter higiene bucal adequada e realizar consultas odontológicas regulares
  • Fazer exames periódicos, especialmente se houver histórico familiar de câncer de cabeça e pescoço ou fatores de risco identificados

Atenção aos sinais faz diferença

O câncer de cabeça e pescoço é uma realidade que afeta milhares de brasileiros a cada ano. O conhecimento sobre os fatores de risco, os sintomas de alerta, os métodos de diagnóstico e as opções de tratamento é o primeiro passo para um diagnóstico mais precoce e um prognóstico mais favorável. Se você ou alguém de sua família apresentar qualquer sinal persistente nessa região do corpo, não deixe de buscar avaliação médica especializada. O diagnóstico oportuno — combinado com um tratamento multidisciplinar bem planejado — continua sendo a ferramenta mais poderosa no combate ao câncer de cabeça e pescoço.

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