Glioma: O Que É, Tipos, Sintomas e Tratamento

Receber um diagnóstico de glioma levanta dúvidas imediatas: o que é isso, qual o grau, tem cura? Este artigo responde essas perguntas com linguagem acessível — do glioma de baixo grau até o glioblastoma, o tipo mais agressivo.

Quando o médico fala em glioma, a primeira reação costuma ser de confusão. É o mesmo que glioblastoma? É câncer? Tem cura? O glioma é, na verdade, o nome de uma família inteira de tumores cerebrais — e o glioblastoma é apenas um dos seus membros, ainda que o mais agressivo. Entender essa distinção é o primeiro passo para navegar o diagnóstico com mais clareza e tomar decisões mais informadas.

Este artigo explica, em linguagem acessível, o que é o glioma, como ele é classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), quais são os tipos existentes, o que esperar em termos de sintomas, diagnóstico e tratamento — e como cada tipo se relaciona com o prognóstico.

O Que É um Glioma?

O glioma é um tumor que se origina nas células gliais do sistema nervoso central — as células que sustentam, nutrem e protegem os neurônios. O nome vem do grego glia, que significa ‘cola’, em referência ao papel estrutural dessas células no tecido cerebral.

Os gliomas representam o grupo de tumores cerebrais primários mais frequente em adultos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se cerca de 11.100 novos casos de tumores do sistema nervoso central por ano no Brasil, e os gliomas respondem por aproximadamente 80% dos tumores cerebrais malignos primários.

Uma característica importante que distingue o glioma de outros tumores é seu comportamento infiltrativo: ao invés de crescer como uma massa bem delimitada, as células tumorais se misturam ao tecido cerebral saudável ao redor, o que torna a remoção cirúrgica completa muito difícil — especialmente nos tipos de alto grau.

Como o Glioma É Classificado? A Escala de Graus da OMS

A Organização Mundial da Saúde classifica os gliomas em quatro graus, que vão do menos agressivo (grau I) ao mais agressivo (grau IV). Essa classificação é baseada tanto nas características microscópicas do tumor quanto, desde 2021, em seu perfil molecular.

Entender o grau é fundamental porque ele define o comportamento esperado do tumor, orienta o tratamento e ajuda a estimar o prognóstico.

Glioma Grau I — Crescimento Lento, Possibilidade de Cura

Os gliomas de grau I são tumores de crescimento lento, bem delimitados e raramente infiltrativos. O exemplo mais comum é o astrocitoma pilocítico, frequente em crianças e adolescentes. Quando removidos cirurgicamente de forma completa, podem ser curados sem necessidade de tratamentos adicionais. São a exceção mais favorável dentro do espectro dos gliomas.

Glioma Grau II — Baixo Grau, Mas Não Benigno

Os gliomas de grau II crescem lentamente, mas são considerados malignos porque têm capacidade de infiltrar o tecido cerebral e, com o tempo, evoluir para graus mais agressivos. Podem permanecer estáveis por anos antes de progredir. O oligodendroglioma e o astrocitoma difuso são os tipos mais comuns nessa categoria. O tratamento pode envolver cirurgia, seguida ou não de radioterapia e quimioterapia, dependendo de fatores clínicos e moleculares.

Glioma Grau III — Alto Grau, Crescimento Rápido

O glioma grau III já é considerado de alto grau: cresce mais rapidamente, apresenta células com alto grau de atipia e tem alta capacidade de invasão do tecido cerebral saudável. O diagnóstico mais frequente nessa categoria é o astrocitoma anaplásico. O tratamento combina cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

Glioma Grau IV — O Mais Agressivo: Glioblastoma

O glioma grau IV é o glioblastoma — o tipo mais agressivo e mais comum entre os gliomas em adultos. Cresce rapidamente, se infiltra extensamente pelo cérebro e tem alta taxa de recorrência após o tratamento. Para entender em detalhes o diagnóstico, tratamento e prognóstico do glioblastoma, leia o artigo completo: Glioblastoma: O Que É, Sintomas, Tratamento e Perspectivas.

Tipos de Glioma: Astrocitoma, Oligodendroglioma e Ependimoma

Além da classificação por grau, os gliomas também são categorizados de acordo com o tipo de célula glial de que se originam. Os três principais tipos são:

Astrocitoma

Originado dos astrócitos, o astrocitoma é o tipo de glioma mais frequente. Abrange todo o espectro de graus (I a IV) e, portanto, inclui desde tumores de crescimento lento até o glioblastoma. A característica molecular mais importante dos astrocitomas é a presença da mutação IDH — o que os distingue do glioblastoma verdadeiro (IDH-selvagem). Para saber mais, leia: Astrocitoma: entenda este tumor cerebral e suas diferenças em relação ao glioblastoma.

Oligodendroglioma

O oligodendroglioma se origina dos oligodendrócitos, células responsáveis pela produção da mielina. Geralmente afeta adultos jovens, tem crescimento mais lento que o astrocitoma e costuma responder bem à quimioterapia. O marcador molecular que define esse diagnóstico é a codeleção 1p/19q — um achado genético específico que também é um indicador favorável de resposta ao tratamento.

Ependimoma

O ependimoma surge das células ependimárias, que revestem os ventrículos cerebrais e o canal central da medula espinhal. É mais comum em crianças do que em adultos. Ao contrário dos astrocitomas e oligodendrogliomas, os ependimomas tendem a ser mais delimitados, o que pode facilitar a remoção cirúrgica.

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Quais São os Sintomas do Glioma?

Os sintomas do glioma dependem diretamente da localização do tumor no cérebro, do seu tamanho e da velocidade de crescimento. Tumores de baixo grau podem permanecer assintomáticos por meses ou anos; os de alto grau tendem a produzir sintomas de forma mais rápida e progressiva.

Os sinais mais frequentes incluem:

  • Dor de cabeça persistente, especialmente pela manhã ou ao deitar, que não melhora com analgésicos comuns
  • Crise convulsiva em adulto sem histórico prévio de epilepsia — frequentemente o primeiro sintoma que leva ao diagnóstico
  • Fraqueza ou dormência progressiva em um lado do corpo (braço, perna ou rosto)
  • Dificuldades de memória, atenção ou raciocínio
  • Alterações na fala — dificuldade para encontrar palavras, fala arrastada ou incoerente
  • Mudanças de visão, como visão dupla ou perda de campo visual
  • Alterações de personalidade ou comportamento, percebidas com frequência pelos familiares antes do próprio paciente

O surgimento de qualquer desses sintomas — especialmente convulsão nova em adulto — deve ser investigado com urgência por um médico. O diagnóstico precoce amplia as opções de tratamento e pode fazer diferença significativa no desfecho.

Como o Glioma É Diagnosticado?

O diagnóstico do glioma é feito em etapas complementares. Nenhum exame isolado é suficiente — é a combinação de imagem, histologia e análise molecular que define com precisão o tipo, o grau e o melhor tratamento.

Ressonância Magnética com Contraste

A ressonância magnética (RM) com contraste é o exame de imagem mais sensível para detectar gliomas. Ela permite avaliar a localização exata do tumor, seu tamanho, o grau de invasão do tecido ao redor, a presença de edema cerebral e características que sugerem o grau de malignidade. Para gliomas, a RM é indispensável tanto no diagnóstico quanto no acompanhamento durante e após o tratamento.

Cirurgia ou Biópsia — Confirmação Histológica

A confirmação definitiva do glioma exige análise do tecido tumoral por patologista especializado. Isso é feito por cirurgia de ressecção (remoção do tumor) ou, em casos selecionados, por biópsia estereotáxica com agulha. Saiba mais sobre o papel da cirurgia oncológica nesse contexto.

Testes Moleculares — IDH, MGMT, 1p/19q e TERT

A análise molecular do tecido tumoral é hoje obrigatória para classificar corretamente o glioma. Os principais marcadores avaliados são:

  • IDH (isocitrato desidrogenase): mutante nos astrocitomas e oligodendrogliomas; selvagem no glioblastoma verdadeiro
  • Codeleção 1p/19q: define o oligodendroglioma e indica boa resposta à quimioterapia
  • Metilação do promotor MGMT: fator preditivo de resposta à temozolomida, especialmente no glioblastoma
  • Mutação TERT: presente na maioria dos glioblastomas IDH-selvagem

Esses marcadores não são apenas diagnósticos — eles definem o tratamento e ajudam a estimar o prognóstico de forma individualizada.

Tratamento do Glioma — Por Grau e Tipo

O tratamento do glioma varia significativamente de acordo com o grau, o tipo histológico, o perfil molecular, a localização e o estado clínico do paciente. Não existe um protocolo único — cada caso é avaliado individualmente por uma equipe multidisciplinar.

Gliomas de Baixo Grau (I e II)

Para gliomas grau I completamente ressecados, a cirurgia pode ser o único tratamento necessário. Para grau II, a abordagem depende de fatores de risco como idade, extensão da ressecção e marcadores moleculares. Muitos pacientes ficam em observação após a cirurgia, com radioterapia e quimioterapia reservadas para sinais de progressão.

Gliomas de Alto Grau (III e IV)

Para graus III e IV, o tratamento combina cirurgia, radioterapia cerebral e quimioterapia com temozolomida. No glioblastoma (grau IV), o dispositivo de campos elétricos tumorais (Optune) pode ser adicionado ao protocolo, com benefício demonstrado em estudos de fase III. A sobrevida no glioblastoma varia de acordo com fatores moleculares e clínicos.

Controle de Sintomas e Cuidados de Suporte

Em todos os graus, o controle de sintomas faz parte do tratamento. Corticosteroides reduzem o edema cerebral; anticonvulsivantes controlam as crises; cuidados paliativos integrados ao tratamento ativo melhoram a qualidade de vida em todas as fases da doença.

Glioma de Baixo Grau Pode Virar Glioblastoma?

Essa é uma das perguntas mais frequentes e a resposta exige precisão. O glioma de baixo grau pode progredir para um grau mais alto ao longo do tempo — esse fenômeno é chamado de transformação maligna. Estudos mostram que a maioria dos gliomas grau II apresenta progressão em 5 a 15 anos sem tratamento.

No entanto, há uma distinção molecular importante: o glioblastoma verdadeiro (IDH-selvagem) geralmente se origina de novo — ou seja, já aparece como grau IV desde o início, sem passar por estágios anteriores. Já os astrocitomas IDH-mutantes de grau II ou III podem progredir para astrocitoma grau IV (também maligno, mas molecularmente diferente do glioblastoma clássico).

Para entender melhor essa distinção, leia: Astrocitoma: diferenças em relação ao glioblastoma.

O glioma é uma família de tumores que se origina nas células de suporte do cérebro, representando a maioria dos tumores cerebrais primários. Varia em agressividade e exige diagnóstico preciso por imagem e testes moleculares.
Glioma: Entenda o principal tumor cerebral em adultos.

Glioma É o Mesmo Que Metástase Cerebral?

Não. O glioma é um tumor cerebral primário — ele se origina no próprio cérebro. Já a metástase cerebral ocorre quando células de um câncer localizado em outro órgão — como pulmão, mama ou melanoma — se espalham para o cérebro. São doenças distintas com tratamentos completamente diferentes. A diferenciação entre glioma e metástase é feita por análise de imagem e, quando necessário, por biópsia.

Perguntas Frequentes Sobre Glioma

  1. Glioma de baixo grau tem cura?

Gliomas de grau I completamente ressecados podem ser curados com cirurgia. Os de grau II raramente são curados, mas podem ser controlados por muitos anos com acompanhamento e tratamento adequados. A cura depende do tipo histológico, do perfil molecular e da possibilidade de ressecção completa.

  1. Qual a diferença entre glioma e glioblastoma?

Glioma é o nome genérico para tumores das células gliais do sistema nervoso central. Glioblastoma é o tipo mais agressivo de glioma, classificado como grau IV pela OMS. Todo glioblastoma é um glioma, mas nem todo glioma é um glioblastoma.

  1. Glioma grau 2 é grave?

Glioma grau 2 é um tumor maligno de crescimento lento. Embora a progressão imediata seja rara, é uma doença séria que exige tratamento e acompanhamento continuados. Sem intervenção, a maioria evolui para graus mais agressivos ao longo de anos.

  1. Glioma pode virar glioblastoma?

O glioma de baixo grau pode progredir para formas mais agressivas ao longo do tempo, mas o glioblastoma verdadeiro (IDH-selvagem) geralmente surge de forma primária, sem passar por graus anteriores. A análise molecular (IDH) é fundamental para distinguir esses cenários.

  1. Glioma é hereditário?

Na grande maioria dos casos, não. O glioma surge de mutações espontâneas nas células gliais e não é transmitido geneticamente. Apenas em síndromes raras, como a síndrome de Li-Fraumeni e a neurofibromatose, há predisposição hereditária para tumores cerebrais.

  1. Quais são os primeiros sintomas do glioma?

Os sintomas mais frequentes são dor de cabeça persistente (especialmente pela manhã), crise convulsiva em adulto sem epilepsia prévia, fraqueza ou dormência em um lado do corpo e alterações de memória ou fala. Nos gliomas de baixo grau, a convulsão costuma ser o primeiro sinal.

  1. Glioma grau 3 tem tratamento?

Sim. O tratamento do glioma grau 3 combina cirurgia para remoção máxima segura, radioterapia e quimioterapia (geralmente com temozolomida ou PCV). O perfil molecular — especialmente a presença de IDH mutante e codeleção 1p/19q — influencia a escolha do protocolo e o prognóstico.

Oncologista em São Paulo - Dr. Hugo Tanaka

Dr. Hugo Tanaka
Oncologista Clínico
CRM 163241 | RQE 100689 – Oncologia Clínica

Oncologista clínico e pesquisador atuante em São Paulo, com sólida formação acadêmica que inclui doutorado e mestrado em oncologia clínica e atendimento multidisciplinar.
Especialista certificado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), desenvolve práticas médicas integradas com foco em atendimento humanizado e ágil, sempre baseado em diretrizes internacionais.

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