Os astrócitos desempenham um papel importante ao ajudar os nervos a funcionarem adequadamente, oferecendo suporte estrutural e nutricional para o cérebro.
Quando os astrócitos começam a crescer de forma anormal e descontrolada, forma-se o astrocitoma. Embora ainda não se saiba exatamente o que causa esse crescimento anormal, os cientistas identificaram que certas alterações genéticas estão associadas ao desenvolvimento desses tumores. Os astrócitos são células gliais, que compõem um grupo de células especializadas em dar suporte às funções do sistema nervoso. Como os tumores originados dessas células gliais recebem o nome de gliomas, o astrocitoma é considerado um tipo específico de glioma.
Como o astrocitoma é classificado
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o astrocitoma em diferentes graus, que variam do Grau 1 ao Grau 4. Essa classificação ajuda os médicos a entenderem o comportamento do tumor e a planejarem o melhor tratamento. Os tumores de Grau 1 e Grau 2 são considerados astrocitomas de baixo grau, enquanto os de Grau 3 e Grau 4 são classificados como de alto grau.
O astrocitoma pilocítico representa o Grau 1 da OMS e é o tipo mais comum em crianças. Este tumor geralmente não é considerado canceroso porque não se espalha para outras partes do cérebro, sendo raro em adultos. Já o astrocitoma de Grau 2 cresce mais rapidamente que o de Grau 1 e pode afetar áreas maiores do cérebro. Esse tipo é mais frequente em adultos jovens.
Alguns tumores de baixo grau podem evoluir com o tempo e se tornarem tumores de alto grau. O astrocitoma de Grau 3 geralmente afeta adultos e anteriormente era chamado de astrocitoma anaplásico. Recentemente, a OMS revisou sua terminologia e esse nome não é mais utilizado, sendo chamado simplesmente de astrocitoma de Grau 3. Os tumores de alto grau (Grau 3 e 4) crescem rapidamente e são considerados agressivos.
A diferença entre astrocitoma e glioblastoma
Até pouco tempo atrás, o glioblastoma era considerado um astrocitoma de Grau 4, ou seja, o tipo mais agressivo. No entanto, mudanças recentes na classificação da OMS estabeleceram uma distinção importante entre esses dois tipos de tumores cerebrais.
Hoje, a diferenciação entre astrocitoma e glioblastoma se baseia na presença ou ausência de uma mutação em uma enzima chamada isocitrato desidrogenase (IDH). Todos os astrocitomas apresentam mutação na enzima IDH, enquanto os glioblastomas não possuem essa mutação. Por isso, diz-se que os astrocitomas são tumores IDH-mutante e os glioblastomas são IDH-selvagem.
Essa diferença molecular é importante porque indica que o glioblastoma tem características distintas e não evolui de um astrocitoma de grau mais baixo, como se pensava anteriormente. Ainda assim, tanto o glioblastoma quanto o astrocitoma de Grau 4 são tumores cancerosos e agressivos que requerem tratamento intensivo.
Para determinar se um tumor é IDH-mutante ou IDH-selvagem, o médico precisa retirar uma amostra do tumor durante uma cirurgia ou biópsia. Essa amostra é então analisada em laboratório através de testes especializados que identificam a presença ou ausência da mutação.
Sintomas do astrocitoma
Os sinais e sintomas do astrocitoma podem variar dependendo da localização e do tamanho do tumor no cérebro. As manifestações mais comuns incluem dores de cabeça persistentes, visão embaçada ou dupla, crises convulsivas, dificuldades com equilíbrio e coordenação motora, além de alterações de humor e comportamento.
É importante ressaltar que esses sintomas não são exclusivos do astrocitoma e podem estar presentes em diversas outras condições neurológicas. Por isso, ao perceber qualquer um desses sinais, é fundamental procurar avaliação médica especializada.
Causas e fatores de risco
As causas precisas do astrocitoma ainda não são totalmente conhecidas pela ciência. No entanto, sabe-se que alguns fatores genéticos podem aumentar o risco de desenvolver esse tipo de tumor. Algumas síndromes hereditárias, como a síndrome de Li-Fraumeni, síndrome de Turcot e doença de von Hippel-Lindau, apresentam associação com o desenvolvimento de astrocitoma.
Tratamento do astrocitoma
O tratamento do astrocitoma representa um desafio porque as células tumorais frequentemente estão misturadas com o tecido cerebral saudável. A abordagem terapêutica varia conforme o grau do tumor.
Os astrocitomas de Grau 1, quando completamente removidos através de cirurgia, geralmente não necessitam de tratamentos adicionais. Já o astrocitoma de Grau 2 pode requerer tanto cirurgia quanto quimioterapia. A necessidade de radioterapia depende de fatores como idade do paciente e quantidade de tumor que permanece após a cirurgia.
Para os astrocitomas de Grau 3 e Grau 4, normalmente é necessária uma combinação de cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Isso acontece porque esses tumores de alto grau tendem a se espalhar dentro do cérebro e não podem ser completamente removidos apenas pela cirurgia. Por isso, após o procedimento cirúrgico, a quimioterapia e a radioterapia são utilizadas para eliminar as células tumorais que se espalharam além da área operada.
Atualmente existem mais opções de tratamento do que nunca para o manejo do astrocitoma. Os procedimentos cirúrgicos modernos permitem aos cirurgiões serem mais precisos e eficazes na remoção dos tumores. Técnicas como a cirurgia guiada por fluorescência e o mapeamento cerebral possibilitam que os cirurgiões identifiquem com maior exatidão as áreas do cérebro durante a operação, minimizando o impacto sobre as regiões saudáveis.
Em alguns casos, é possível utilizar radioterapia para tratar os tumores sem necessidade de abrir o crânio cirurgicamente. Para pacientes que não respondem à radioterapia, existe a opção da terapia térmica intersticial a laser (LITT), que utiliza calor para destruir o tumor.
A pesquisa científica continua avançando no desenvolvimento de novos tratamentos para tumores cerebrais. Estudos clínicos estão testando terapias inovadoras, incluindo o uso de vírus modificados ou células T assassinas naturais para destruir as células cancerosas. Os resultados desses estudos ajudarão a determinar se essas terapias poderão se tornar parte do tratamento padrão para tumores cerebrais no futuro.
O diagnóstico e tratamento de tumores cerebrais como o astrocitoma exigem conhecimento especializado e experiência no acompanhamento de casos complexos. A equipe do Dr. Hugo Tanaka trabalha com dedicação no atendimento a pacientes com tumores do sistema nervoso central, oferecendo cuidado individualizado e acesso às abordagens terapêuticas mais atualizadas disponíveis.

