O que é glioma?
O glioma é uma das categorias mais comuns de tumor cerebral primário. Esse tipo de câncer se origina nas células gliais, que são células de suporte que envolvem as terminações nervosas no cérebro. A palavra “glial” vem de “cola”, porque essas células funcionam como uma espécie de sustentação para os neurônios.
Os neurônios são responsáveis por funções essenciais como caminhar, falar, pensar e enxergar. As células gliais ajudam a protegê-los, nutri-los e limpar resíduos ao seu redor. Quando algo dá errado nessas células de suporte, pode se formar um glioma. Na maioria dos casos, não sabemos exatamente o que causa essa transformação.
Glioblastoma é um tipo de glioma
Aqui está a primeira diferença importante: glioma e glioblastoma não são condições opostas ou completamente distintas. Na verdade, o glioblastoma é um tipo específico de glioma. Pense no glioma como um termo “guarda-chuva” que engloba diversos tipos de tumores cerebrais que se originam das células gliais, e o glioblastoma é uma dessas variações.
Como os gliomas são classificados por grau
Os tumores do tipo glioma são classificados em diferentes graus, de 1 a 4, dependendo de quão rapidamente as células cancerígenas se dividem e crescem. Quanto maior o grau, mais agressivo é o tumor cerebral.
Os gliomas de crescimento mais lento são chamados de “baixo grau” e incluem os Graus 1 e 2. Já os de “alto grau” são os Graus 3 e 4. Os tumores de baixo grau são mais comuns em pacientes mais jovens, enquanto os de alto grau, como o glioblastoma, são mais frequentes em pessoas mais velhas.
Alguns exemplos de classificação incluem:
Grau 1: Existem diversos tipos de gliomas Grau 1. Os astrocitomas pilocíticos são um exemplo e aparecem mais comumente em crianças.
Grau 2: Gliomas difusos, que podem ser astrocitomas ou oligodendrogliomas.
Grau 3: Gliomas anaplásicos, também podendo ser astrocitomas ou oligodendrogliomas.
Grau 4: Por definição, o glioblastoma é sempre um Grau 4. Existem subtipos como o glioblastoma IDH selvagem (o mais agressivo) ou o astrocitoma IDH mutado.
Como é feito o diagnóstico
Graças aos avanços nas técnicas de diagnóstico, os médicos conseguem fazer identificações cada vez mais precisas de glioma e glioblastoma. O exame de imagem mais comum é a ressonância magnética. Se a ressonância mostrar um tumor, o médico provavelmente solicitará uma biópsia, que é um procedimento cirúrgico onde uma pequena amostra do tumor é removida para análise em laboratório.
Antigamente, os médicos analisavam apenas as células cancerígenas no microscópio para identificar o tipo de célula glial. Hoje, eles conseguem identificar esses tumores também pelas suas características moleculares, ou seja, pela genética dentro das próprias células cancerígenas.
Em 2021, a Organização Mundial da Saúde atualizou a classificação dos tumores do sistema nervoso central. Isso significa que, mesmo que as células pareçam um glioma de grau mais baixo quando vistas ao microscópio, as características genéticas podem mostrar que o tumor se comporta de forma mais agressiva, similar a um glioblastoma.
Certos marcadores genéticos ajudam a distinguir entre diferentes tipos de gliomas. Os médicos testam a presença da enzima IDH, que afeta o metabolismo das células cancerígenas, e também o marcador genético 1p19q, que ajuda a diferenciar oligodendrogliomas de astrocitomas.
Fatores de risco
Na maioria das vezes, os gliomas ocorrem de forma aleatória. Existem apenas duas situações conhecidas que podem aumentar o risco. Pessoas que fizeram radioterapia para tratar câncer de cabeça, pescoço ou cérebro quando jovens têm maior risco de desenvolver cânceres secundários. Além disso, algumas doenças genéticas hereditárias podem estar relacionadas ao desenvolvimento de gliomas.
Para o glioblastoma especificamente, embora não existam fatores de risco modificáveis, homens na faixa dos 50 anos têm maior probabilidade de receber esse diagnóstico.
As diferenças no tratamento
Os tratamentos para glioma e glioblastoma também diferem. Na maioria dos casos, os gliomas tendem a infiltrar o tecido cerebral, o que pode dificultar a remoção completa das células cancerígenas. Por isso, a cirurgia é uma parte importante do tratamento, mas radioterapia ou quimioterapia também podem ser necessárias.
Como os glioblastomas são mais agressivos, geralmente são tratados com uma combinação de radioterapia e quimioterapia em dose baixa ao mesmo tempo. Depois disso, segue-se um período de mais quimioterapia.
Outros tipos de gliomas costumam ser tratados com radioterapia sozinha seguida de quimioterapia, ou podem receber diferentes tipos de quimioterapia dependendo do tipo específico de tumor. Mas geralmente não recebem quimioterapia e radioterapia juntas como no glioblastoma.
Após completar o tratamento, os pacientes fazem ressonâncias magnéticas regularmente para verificar se o tumor não voltou. A frequência dessas consultas varia conforme o diagnóstico e o plano de tratamento de cada pessoa.
A importância de entender as diferenças
Existem muitos tipos diferentes de gliomas, e nossa compreensão sobre o que faz certos tumores se comportarem de forma diferente continua evoluindo. É importante fazer essa distinção porque os avanços científicos identificam diferentes prognósticos e diferentes opções de tratamento ideais para cada paciente.
Compreender as diferenças entre glioma e glioblastoma ajuda você e sua família a terem conversas mais informadas com a equipe médica e a participarem ativamente das decisões sobre o tratamento. A equipe do Dr. Hugo Tanaka acompanha de perto essas atualizações na classificação e no manejo desses tumores cerebrais, oferecendo uma abordagem especializada e atualizada para cada caso. Não hesite em fazer perguntas aos seus médicos sempre que tiver dúvidas sobre seu diagnóstico ou tratamento.

