Tratamento do câncer de orofaringe: opções por estágio

O tratamento do câncer de orofaringe pode combinar radioterapia, quimioterapia, cirurgia (muitas vezes robótica), terapia direcionada e imunoterapia. A escolha depende da extensão do tumor, da localização, do status de HPV e das condições clínicas do paciente.

O tratamento do câncer de orofaringe evoluiu muito nos últimos anos, e hoje uma parte importante dos casos tem chance real de cura, muitas vezes preservando funções essenciais como falar e engolir. Este guia explica, em linguagem simples, quais são as opções de tratamento do câncer de orofaringe disponíveis, quando cada uma é indicada e o que esperar durante e depois. Para entender primeiro o que é a doença, seus sintomas e a relação com o vírus, vale consultar o guia sobre o câncer de orofaringe e o HPV.

O que é o câncer de orofaringe (em poucas palavras)

O câncer de orofaringe é um tumor da parte do meio da garganta, região que inclui as amígdalas, a base da língua, o palato mole e as paredes laterais e posterior da faringe. Na grande maioria das vezes trata-se de um carcinoma de células escamosas, o mesmo tipo celular que reveste essa área. Ele faz parte do grupo dos tumores de cabeça e pescoço e não deve ser confundido com o câncer de boca, que acomete a parte anterior da língua, a gengiva e o assoalho da boca, nem com o câncer de laringe, que atinge a caixa de voz. O sinal de alerta mais comum costuma ser um caroço no pescoço que não desaparece.

Ilustração da boca aberta com amígdalas, palato mole, língua e parede posterior da orofaringe identificadas.
As amígdalas, a base da língua, o palato mole e a parede posterior da faringe formam a orofaringe, região onde se origina o câncer de orofaringe.

Por que o HPV muda a leitura do estágio

Este é o ponto que mais gera confusão em quem pesquisa sobre a doença. Existem hoje dois sistemas de estadiamento para os tumores de orofaringe: um para os casos associados ao HPV (identificados pelo marcador p16 no exame do tecido) e outro para os não associados. O mesmo tumor pode receber números diferentes conforme o resultado do p16, porque os tumores ligados ao vírus respondem muito melhor ao tratamento e têm prognóstico distinto.

Na prática, isso significa que o número do estágio, isoladamente, não define a intensidade do tratamento do câncer de orofaringe. De acordo com a American Cancer Society, a maioria dos tumores p16-positivos em estágios I, II e III é conduzida como doença localmente avançada, ao lado dos p16-negativos em estágios III, IVA e IVB. Um paciente p16-positivo classificado como estágio II, portanto, pode perfeitamente receber quimiorradioterapia, e não uma única modalidade de tratamento.

Por esse motivo, as seções a seguir estão organizadas pela extensão real da doença, e não apenas pelo número do estágio. Ao receber o laudo, vale pedir à equipe que explique a qual dos dois sistemas ele se refere.

Tratamento do câncer de orofaringe por estágio

Assim que o diagnóstico é confirmado por biópsia e exames de imagem, a equipe define a extensão da doença, e é ela que orienta todo o tratamento do câncer de orofaringe. Veja como costuma ser conduzida cada situação.

Carcinoma in situ (estágio 0)

Nessa fase, as células alteradas estão restritas à camada mais superficial e ainda não invadiram os tecidos profundos, embora possam fazê-lo caso nada seja feito. O tratamento do câncer de orofaringe nessa fase costuma ser a retirada cirúrgica das camadas superficiais junto de uma pequena margem de tecido normal. O acompanhamento próximo é essencial, e nos casos que voltam repetidamente após a cirurgia a radioterapia pode ser indicada.

Doença inicial

Corresponde à maioria dos tumores pequenos, sem comprometimento significativo dos linfonodos, tanto p16-positivos quanto p16-negativos. Em geral o tratamento do câncer de orofaringe inicial utiliza uma única modalidade: radioterapia dirigida ao tumor e às cadeias de linfonodos do pescoço, ou cirurgia do tumor primário acompanhada do esvaziamento cervical. Vale destacar que o pescoço é tratado mesmo quando não há doença evidente nele, seja pela radioterapia eletiva, seja pela retirada dos linfonodos.

Depois da cirurgia, se o exame do tecido retirado mostrar doença residual ou risco elevado de recidiva, costuma-se complementar com quimiorradioterapia. E quando os exames de imagem ou a biópsia já revelam linfonodos comprometidos, a quimiorradioterapia pode ser o primeiro tratamento. As chances de cura nessa fase são altas.

Doença localmente avançada

Reúne os tumores maiores, que cresceram para dentro de estruturas vizinhas, e os casos com linfonodos do pescoço comprometidos, mas ainda sem metástase em órgãos distantes. É justamente aqui que a leitura do p16 mais altera a numeração do estágio.

A abordagem mais comum é a quimiorradioterapia. Se restar doença após o término, a cirurgia costuma ser indicada para retirar o que sobrou. Em algumas situações, a quimioterapia é utilizada primeiro, estratégia conhecida como quimioterapia de indução, seguida de radioterapia isolada ou de quimiorradioterapia e, se necessário, de cirurgia.

A cirurgia também pode ser o primeiro passo quando o cirurgião avalia que o tumor pode ser retirado com segurança. Nesse cenário, a imunoterapia com um inibidor de checkpoint pode ser administrada antes e depois do procedimento, e a radioterapia ou a quimiorradioterapia podem ser acrescentadas no pós-operatório. A escolha entre começar pela cirurgia ou pela quimiorradioterapia leva em conta a localização do tumor, a extensão da doença, os efeitos colaterais esperados, as condições clínicas e as preferências do paciente. Mesmo nesta fase, o tratamento do câncer de orofaringe é conduzido com intenção de cura.

Doença metastática

Quando o câncer se espalha para órgãos distantes, como os pulmões, o objetivo passa a ser controlar a doença e preservar a qualidade de vida pelo maior tempo possível. O tratamento do câncer de orofaringe metastático costuma envolver quimioterapia, a terapia direcionada com cetuximabe, ou a combinação das duas. A imunoterapia, isolada ou associada à quimioterapia, é outra opção frequente. A radioterapia pode entrar para aliviar sintomas e prevenir complicações. Cada plano é individualizado.

Como é feito o tratamento do câncer de orofaringe?

Não existe um único melhor tratamento para todos. Além da extensão da doença e do status de HPV, pesam na decisão a localização exata do tumor, os efeitos colaterais esperados, a idade, as doenças associadas (as comorbidades), o performance status, que é a capacidade funcional para as atividades do dia a dia, e as preferências do paciente. Dois pacientes com o mesmo estágio podem receber condutas diferentes por causa desses fatores.

Radioterapia com quimioterapia

É a abordagem mais usada no tratamento do câncer de orofaringe localmente avançado. A radioterapia utiliza feixes de energia para destruir as células do tumor e costuma ser combinada com a quimioterapia, em geral um medicamento chamado cisplatina, que a torna mais eficaz, conforme detalha o National Cancer Institute (NIH/NCI). Essa combinação recebe o nome de quimiorradioterapia. A grande vantagem é preservar o órgão, tratando sem remover partes da garganta. O tratamento costuma durar cerca de sete semanas. Entre as técnicas modernas empregadas nesses tumores estão a radioterapia de intensidade modulada (IMRT) e a terapia com prótons, que concentram a dose no alvo e poupam os tecidos saudáveis ao redor. A terapia com prótons, no entanto, ainda tem disponibilidade restrita no Brasil.

Cirurgia

A cirurgia é uma das principais opções de tratamento do câncer de orofaringe e costuma ser indicada sobretudo em tumores menores, em locais que permitam retirar todo o câncer com margem de segurança e boa recuperação funcional. Hoje muitas operações são minimamente invasivas, como a cirurgia robótica transoral (TORS) e a microcirurgia transoral a laser, que trabalham por dentro da boca, sem grandes cortes externos e com recuperação bem mais rápida. Após o procedimento, conforme o resultado do exame do tecido retirado, pode ser necessário complementar com radioterapia ou quimiorradioterapia para reduzir o risco de o tumor voltar.

Em tumores iniciais, as duas principais estratégias de tratamento do câncer de orofaringe, a cirurgia minimamente invasiva e a radioterapia, oferecem controle oncológico semelhante, porém com perfis de efeitos colaterais diferentes, o que reforça a necessidade de uma decisão individualizada e discutida em equipe.

Tratamento dos gânglios (ínguas) do pescoço

O pescoço quase sempre precisa ser avaliado e, na maior parte das vezes, incluído no tratamento do câncer de orofaringe. Na abordagem cirúrgica, realiza-se o esvaziamento cervical, que é a retirada das cadeias de linfonodos. Quando o tratamento é a quimiorradioterapia, faz-se um PET-CT algumas semanas após o término: se a resposta for completa, costuma-se apenas observar; se restar doença, indica-se a cirurgia de resgate. Essa reavaliação por imagem antes de decidir operar o pescoço está descrita nas orientações do National Cancer Institute (NIH/NCI).

Imunoterapia

A imunoterapia age estimulando o sistema imune a reconhecer e destruir as células tumorais. Ela ocupa dois espaços distintos no tratamento do câncer de orofaringe.

No cenário perioperatório, em tumores localmente avançados considerados ressecáveis cujo exame demonstra expressão da proteína PD-L1, o pembrolizumabe pode ser administrado antes da cirurgia e mantido depois, associado à radioterapia com ou sem cisplatina. Vale corrigir uma confusão comum: essa indicação não se restringe aos tumores não relacionados ao HPV, já que o estudo que a sustentou incluiu também tumores de orofaringe HPV-positivos de maior extensão.

No cenário da doença metastática ou que retorna após o tratamento, a imunoterapia é utilizada isolada ou junto da quimioterapia. Trata-se de uma área em rápida evolução, e tanto a indicação quanto a disponibilidade de cada esquema, que depende de aprovação regulatória e de cobertura, devem ser avaliadas caso a caso.

Terapia direcionada

O cetuximabe é um anticorpo que bloqueia o EGFR, uma proteína da qual as células tumorais dependem para crescer e se multiplicar. É empregado sobretudo na doença metastática e na recidiva, isolado ou combinado à quimioterapia.

Quando a cisplatina não é uma opção

Nem todo paciente reúne condições para a quimiorradioterapia com cisplatina. Em idosos, em pessoas com outras doenças graves, com função renal ou auditiva comprometida ou com baixa reserva clínica, as alternativas descritas pelo National Cancer Institute (NIH/NCI) incluem a radioterapia isolada, ainda com intenção de cura, ou a radioterapia combinada a outros agentes, como a carboplatina ou o cetuximabe. A decisão pesa o benefício esperado contra os riscos e o impacto na qualidade de vida, sempre de forma individual.

Quando o câncer volta: tratamento da recidiva

A doença pode retornar no mesmo local em que começou (recidiva local), nos linfonodos do pescoço (recidiva regional) ou em órgãos distantes, como pulmões e ossos (recidiva a distância). Nessas situações, o tratamento do câncer de orofaringe depende do local e do tamanho da lesão, dos tratamentos já utilizados e das condições clínicas do paciente. Como são situações mais difíceis de tratar, a participação em estudos clínicos merece ser considerada.

Recidiva local

Se a radioterapia foi o tratamento inicial, a cirurgia costuma ser a opção seguinte, desde que o tumor possa ser removido por completo e o paciente tenha condições clínicas para o procedimento. A radioterapia externa em geral não pode ser repetida no mesmo local, salvo em situações selecionadas, mas a braquiterapia, que é a radioterapia aplicada por dentro, frequentemente permite controlar a doença que retorna no ponto de origem. Quando a cirurgia foi o primeiro tratamento, uma nova operação, a radioterapia, a quimioterapia, o cetuximabe, a imunoterapia ou a combinação desses recursos podem ser considerados.

Recidiva regional

Quando o câncer volta nos linfonodos do pescoço, o esvaziamento cervical costuma ser indicado, muitas vezes seguido de radioterapia ou de quimiorradioterapia.

Recidiva a distância

Nesse cenário, utiliza-se a quimioterapia, com ou sem cetuximabe, e a imunoterapia, isolada ou associada à quimioterapia. O tratamento pode reduzir o tumor ou retardar seu crescimento e aliviar sintomas por um período, mas a cura é pouco provável. Vale conversar abertamente com a equipe sobre o objetivo de cada etapa, se a intenção é curar ou controlar a doença e os sintomas pelo maior tempo possível, porque isso muda a forma de pesar riscos e benefícios.

Efeitos colaterais e cuidados durante o tratamento

Como a região tratada é delicada e participa da fala, da respiração e da alimentação, o tratamento do câncer de orofaringe pode causar efeitos como:

  • feridas na boca e na garganta (mucosite), que dificultam comer e falar;
  • boca seca (xerostomia) e alteração do paladar;
  • dificuldade para engolir, perda de peso e cansaço;
  • problemas dentários e maior risco de infecção local.

A boa notícia é que esses efeitos podem ser prevenidos e controlados. Por isso o acompanhamento com nutricionista, dentista e fonoaudiólogo antes, durante e depois do tratamento é tão importante: ele ajuda a manter a alimentação, proteger os dentes e recuperar a fala e a deglutição. Após a cirurgia, sinais como febre acima de 38,4 graus, vermelhidão ou alteração da cor da pele, dor ao toque e secreção espessa no local operado indicam possível infecção e exigem contato imediato com a equipe.

Quais são as chances de cura?

Esta costuma ser a primeira pergunta depois do diagnóstico, e a resposta, na maior parte dos casos, é encorajadora. O câncer de orofaringe é uma doença com boas chances de controle e de cura, sobretudo quando está relacionado ao HPV e quando o diagnóstico acontece antes de o tumor atingir órgãos distantes.

De modo geral, a maioria das pessoas tratadas segue viva cinco anos após o diagnóstico, e o resultado é ainda melhor quando a doença está limitada à orofaringe ou à região do pescoço. Nos tumores relacionados ao HPV, as taxas de cura são altas mesmo em fases localmente avançadas, com sobrevida em cinco anos em torno de 80% nos estudos, um patamar bem superior ao dos tumores não relacionados ao vírus, diferença de prognóstico registrada pelo National Cancer Institute (NIH/NCI). Nos casos não relacionados ao HPV, o cenário é mais variável, mas a cura continua sendo um objetivo real, principalmente com diagnóstico oportuno e com o tratamento do câncer de orofaringe conduzido por uma equipe experiente.

Quando a doença já se espalhou para órgãos distantes, o objetivo muda: passa a ser controlá-la por longos períodos, preservando a qualidade de vida.

Vale lembrar que estatísticas descrevem grupos, não pessoas. Elas ajudam a equipe a planejar o cuidado, mas não definem a história de ninguém. A idade, as condições clínicas, as características do tumor e a resposta ao tratamento tornam cada trajetória única, e a estimativa mais confiável é sempre a que o oncologista faz depois de avaliar o caso em detalhe.

E depois do tratamento?

Terminar o tratamento do câncer de orofaringe não encerra o cuidado. A doença pode voltar, e o risco é maior nos dois primeiros anos após o término, período em que ocorre a maioria das recidivas. Por isso as consultas são mais frequentes nessa fase, com intervalos que variam de algumas semanas a poucos meses conforme o tratamento realizado e o risco de cada caso, espaçando-se progressivamente depois. Além de detectar precocemente uma eventual recidiva, esse acompanhamento cuida dos efeitos de longo prazo, com apoio contínuo de fonoaudiologia, nutrição e odontologia quando necessário. Programas de reabilitação oncológica, de cuidados paliativos e de sobrevivência ao câncer ajudam a lidar com as repercussões físicas e emocionais desse período.

Parar de fumar e de beber faz parte do tratamento, e não é um conselho acessório. Manter o tabagismo e o consumo de álcool durante e depois do tratamento do câncer de orofaringe reduz a eficácia das terapias, agrava os efeitos colaterais e aumenta de forma importante a chance de o câncer voltar, além do risco de um segundo tumor na boca, na garganta ou na laringe. Quem tem dificuldade de interromper deve pedir ajuda à equipe, porque existem apoio especializado e recursos que aumentam bastante as chances de sucesso.

Por que a equipe multidisciplinar é decisiva

O tratamento do câncer de orofaringe raramente é responsabilidade de um único profissional. O ideal é que o caso seja discutido por uma equipe que reúna o oncologista clínico, o cirurgião de cabeça e pescoço e o radio-oncologista, além de fonoaudiólogo, nutricionista, dentista e enfermagem. Quando a retirada do tumor exige reconstrução, o cirurgião plástico também integra esse núcleo, para preservar a aparência e a função da região tratada. A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e a American Society of Clinical Oncology (ASCO) reúnem as diretrizes de tratamento dos tumores de cabeça e pescoço que orientam essa discussão conjunta. Sempre que possível, o tratamento deve ser conduzido em centros com experiência nesse grupo de tumores.

Perguntas frequentes sobre o tratamento do câncer de orofaringe

Como é feito o tratamento do câncer de orofaringe?

Depende da extensão da doença e do status de HPV. As opções incluem radioterapia, quimioterapia (frequentemente combinadas), cirurgia, muitas vezes robótica, terapia direcionada com cetuximabe e imunoterapia. Na doença inicial costuma-se usar uma única modalidade; na doença localmente avançada, combinam-se tratamentos.

O câncer de orofaringe tem cura?

Sim, em muitos casos tem cura, especialmente quando descoberto cedo e quando está relacionado ao HPV. Mesmo na doença localmente avançada o tratamento é conduzido com intenção de cura. As chances variam conforme a extensão da doença, o status de HPV e as condições clínicas do paciente.

Qual o melhor tratamento para o câncer de orofaringe?

Não existe um tratamento único melhor para todos. Em tumores iniciais, a radioterapia e a cirurgia minimamente invasiva oferecem controle da doença semelhante, com efeitos colaterais diferentes. A melhor opção é definida caso a caso por uma equipe multidisciplinar, considerando o tumor, o status de HPV, a idade, as comorbidades, o performance status e as preferências do paciente.

Quanto tempo dura o tratamento do câncer de orofaringe?

A quimiorradioterapia costuma durar cerca de sete semanas. Quando o tratamento é cirúrgico, o tempo depende da recuperação e da eventual radioterapia complementar. O acompanhamento posterior se estende por vários anos, com consultas mais frequentes no primeiro ano.

O tratamento do câncer de orofaringe tem efeitos colaterais?

Pode ter, como feridas na boca (mucosite), boca seca, alteração do paladar, dificuldade para engolir, perda de peso e cansaço. A maioria é temporária e pode ser prevenida e controlada com apoio de nutrição, odontologia e fonoaudiologia.

Câncer de orofaringe estágio 4 tem cura?

Depende de qual sistema de estadiamento foi usado. Nos tumores não relacionados ao HPV, os estágios IVA e IVB descrevem doença avançada no pescoço, mas ainda sem metástase a distância, e o tratamento é feito com intenção de cura. Já nos tumores relacionados ao HPV, o estágio IV significa, por definição, que houve disseminação para órgãos distantes; nesse caso o objetivo passa a ser controlar a doença por longos períodos. Só a avaliação dos exames permite dizer em qual dos dois cenários o paciente se encontra.

Câncer de orofaringe causado por HPV tem melhor prognóstico?

Sim. De modo geral, os tumores de orofaringe relacionados ao HPV respondem melhor ao tratamento e têm taxas de cura mais altas do que os não relacionados ao vírus. É por isso, inclusive, que existem dois sistemas de estadiamento diferentes e que várias pesquisas testam reduzir a intensidade do tratamento nesses casos.

O tratamento do câncer de orofaringe muda conforme o estágio?

Sim, mas o número do estágio precisa ser lido junto do resultado do p16. Na doença inicial costuma-se usar uma única modalidade, cirurgia ou radioterapia. Na doença localmente avançada, que inclui a maioria dos tumores HPV-positivos em estágios I a III, combinam-se tratamentos, em geral a quimiorradioterapia. Já na doença metastática, o foco passa a ser controlar o câncer e preservar a qualidade de vida.

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Oncologista em São Paulo - Dr. Hugo Tanaka

Dr. Hugo Tanaka
Oncologista Clínico
CRM 163241 | RQE 100689 – Oncologia Clínica

Oncologista clínico e pesquisador atuante em São Paulo, com sólida formação acadêmica que inclui doutorado e mestrado em oncologia clínica e atendimento multidisciplinar.
Especialista certificado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), desenvolve práticas médicas integradas com foco em atendimento humanizado e ágil, sempre baseado em diretrizes internacionais.

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