Receber o diagnóstico de câncer de ovário levanta muitas dúvidas — e a primeira delas costuma ser: “qual será o meu tratamento?”. A boa notícia é que o tratamento do câncer de ovário evoluiu bastante nos últimos anos e hoje é planejado de forma individual, considerando o estágio da doença, o tipo do tumor e a saúde geral da paciente.
Neste texto, explicamos de maneira simples e direta como funciona o tratamento do câncer de ovário — da cirurgia às medicações mais modernas — para que você e sua família entendam cada passo do caminho.
Como é o tratamento do câncer de ovário?
O tratamento do câncer de ovário se apoia em três pilares principais: cirurgia, quimioterapia e terapias direcionadas (medicamentos que atacam características específicas do tumor). Mais recentemente, a imunoterapia vem sendo estudada como uma opção adicional. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), na maioria dos casos o combate à doença começa pela cirurgia. Já a radioterapia, tão comum em outros tumores, é raramente usada aqui.
O plano só é definido depois de exames de sangue e de imagem, avaliados por uma equipe multidisciplinar. É esse conjunto de informações que indica o melhor caminho para cada mulher. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), boa parte dos casos ainda é descoberta em fases mais avançadas, o que reforça a importância de um tratamento bem estruturado.
Cirurgia: geralmente o primeiro passo
A cirurgia costuma ser o tratamento principal. O tipo e a extensão do procedimento dependem de quanto a doença avançou e se ela se espalhou para outras regiões do abdômen.
Laparoscopia (tumores iniciais)
Quando o tumor está restrito ao ovário, muitas vezes é possível operar por laparoscopia — uma técnica minimamente invasiva, feita por pequenos cortes com auxílio de uma microcâmera. A recuperação tende a ser mais rápida, com um a dois dias de internação e retorno às atividades em cerca de três semanas.
Cirurgia tradicional e citorredução (casos avançados)
Nos casos mais avançados, quando o tumor compromete outras estruturas, a remoção é feita por cirurgia tradicional (aberta). Pode ser necessário retirar os dois ovários, as trompas, o útero e, às vezes, gânglios linfáticos ou partes do peritônio e do intestino. Esse esforço de remover ao máximo o tumor visível chama-se citorredução — e, quanto mais completa, melhor tende a ser o resultado.
É possível preservar a fertilidade?
Sim, em situações selecionadas. Mulheres jovens com doença em estágio inicial podem, em alguns casos, manter o útero e um dos ovários, preservando a chance de ter filhos. Essa decisão é sempre individual e conversada com cuidado antes do início do tratamento.
Quimioterapia: antes ou depois da cirurgia
A quimioterapia usa medicamentos que combatem as células do câncer em todo o corpo. No câncer de ovário, a combinação mais empregada há décadas é carboplatina + paclitaxel, geralmente em torno de seis ciclos.
Pacientes com pouca doença costumam operar primeiro e fazer quimioterapia depois. Já quem tem doença mais avançada pode começar com alguns ciclos de quimioterapia para reduzir o tumor (a chamada quimioterapia neoadjuvante), fazer a cirurgia e completar o restante dos ciclos em seguida.
Em situações específicas, a quimioterapia pode ser aplicada diretamente no abdômen — a quimioterapia intraperitoneal, incluindo a modalidade aquecida conhecida como HIPEC.
Terapia direcionada e terapia de manutenção
Aqui está uma das maiores evoluções recentes no tratamento do câncer de ovário. Após a quimioterapia inicial, muitas mulheres recebem uma terapia de manutenção — remédios que ajudam a segurar a doença por mais tempo.
O exame das mutações BRCA e do status HRD (uma característica do tumor ligada ao reparo do DNA) orienta essa escolha. Pacientes com BRCA ou HRD positivos costumam se beneficiar dos inibidores de PARP, comprimidos de terapia direcionada tomados em casa. Outro medicamento usado é o bevacizumabe, que dificulta a formação dos vasos que alimentam o tumor. Segundo a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e a ASCO (Cancer.Net), essas terapias personalizadas mudaram a forma de tratar a doença.
Imunoterapia: uma fronteira em estudo
A imunoterapia é um tipo de tratamento que estimula o próprio sistema de defesa do corpo a reconhecer e atacar as células do câncer. Ela já transformou o tratamento de vários tumores, como o melanoma e alguns tipos de câncer de pulmão.
No câncer de ovário, a imunoterapia ainda está principalmente em fase de pesquisa e é avaliada em estudos clínicos — muitas vezes combinada com quimioterapia ou com terapias direcionadas. Em situações específicas, quando o tumor apresenta certas características moleculares (como a instabilidade de microssatélites, o chamado MSI-alto/dMMR), ela já pode ser considerada. Por isso, perguntar ao seu oncologista sobre a participação em estudos clínicos pode abrir acesso a essas opções mais recentes.
E a radioterapia?
Diferente do que acontece em outros tumores, a radioterapia é raramente usada no câncer de ovário. Ela pode ter um papel pontual para aliviar sintomas em áreas específicas, mas geralmente não faz parte do tratamento principal.
O que esperar depois do tratamento do câncer de ovário?
Terminada a fase inicial, começa o acompanhamento. As consultas de rotina incluem exames de imagem e a dosagem do marcador CA-125 no sangue. O câncer de ovário tem uma tendência maior de retornar (recidiva), e é por isso que o acompanhamento próximo é tão importante: quanto antes uma recaída é identificada, mais opções de tratamento existem.
Segundo o National Cancer Institute (NIH) e a American Cancer Society, mesmo quando os exames ficam normais, podem restar pequenas quantidades de doença que os métodos atuais não detectam — a chamada doença residual mínima. A pesquisa avança justamente para encontrar e tratar essas células antes que voltem a crescer.
Cada história é única. O papel do oncologista é traduzir todas essas opções para a sua realidade e construir, junto com você, o melhor tratamento do câncer de ovário possível.
Perguntas frequentes sobre o tratamento do câncer de ovário (FAQ)
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Câncer de ovário tem cura?
Sim. Quando descoberto em estágios iniciais, as chances de cura são altas. Mesmo em casos avançados, os tratamentos atuais permitem controlar a doença por longos períodos e, em parte das pacientes, alcançar a cura.
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Qual é o tratamento para o câncer de ovário?
Na maioria dos casos, combina cirurgia e quimioterapia, muitas vezes seguidas de terapia de manutenção com terapia direcionada (como os inibidores de PARP). A imunoterapia pode entrar em situações específicas ou em estudos clínicos. O plano é sempre individualizado.
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Quanto tempo dura o tratamento do câncer de ovário?
A fase inicial (cirurgia + quimioterapia) costuma levar alguns meses. A terapia de manutenção, quando indicada, pode se estender por um a dois anos ou mais, conforme a resposta ao tratamento.
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A quimioterapia do câncer de ovário sempre causa queda de cabelo?
A combinação mais usada (carboplatina e paclitaxel) frequentemente causa queda de cabelo, mas isso é temporário: o cabelo volta a crescer após o término. Há medidas de suporte para amenizar os efeitos colaterais.
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É possível engravidar após o tratamento do câncer de ovário?
Em casos iniciais tratados com cirurgia conservadora (preservando o útero e um ovário), a gravidez pode ser possível. Converse com seu oncologista sobre preservação de fertilidade antes de iniciar o tratamento.
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O câncer de ovário pode voltar depois do tratamento?
Sim. O câncer de ovário tem tendência à recidiva, sobretudo nos casos avançados. Por isso o acompanhamento regular com exames de imagem e CA-125 é fundamental para agir cedo.
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Preciso remover os dois ovários e o útero?
Nem sempre. A extensão da cirurgia depende do estágio da doença. Em tumores iniciais é possível preservar órgãos; em casos mais avançados, a remoção costuma ser mais ampla.