O câncer de mama triplo negativo costuma assustar quem recebe o diagnóstico, porque aparece em mulheres mais jovens, cresce mais rápido e não responde aos remédios hormonais. Ainda assim, a maioria dos casos é descoberta em fase inicial, quando o tratamento tem como objetivo a cura.
O que é câncer de mama triplo negativo
O câncer de mama triplo negativo é um subtipo menos comum que a maioria dos outros cânceres de mama, porém mais agressivo, que tende a crescer e se espalhar mais rápido. As células desse tumor não têm os dois receptores hormonais, de estrogênio e de progesterona, e não produzem a proteína HER2 em excesso. Sem esses três alvos, o tumor não responde à hormonioterapia nem às medicações anti-HER2, o que torna o tratamento mais desafiador.
Causas e fatores de risco de câncer de mama triplo negativo
O câncer de mama triplo negativo responde por cerca de 10% a 15% dos cânceres de mama, segundo a American Cancer Society. Ele é mais frequente em mulheres jovens, com menos de 40 anos, enquanto nos demais tipos de câncer de mama a idade média ao diagnóstico fica entre 55 e 60 anos. Também aparece com mais frequência em mulheres negras e que herdam alterações no DNA, como as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2.
Outros fatores também aumentam o risco, como ter mamas densas, que têm mais tecido glandular do que gordura e podem dificultar a detecção do tumor na mamografia, usar anticoncepcional oral por 10 anos ou mais, ter o primeiro filho mais cedo e menstruar pela primeira vez antes dos 11 anos. Nos outros tipos de câncer de mama, ao contrário, ter filho antes dos 30 anos reduz o risco.
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Agendar pelo WhatsAppSinais e sintomas de câncer de mama triplo negativo
No início, o câncer de mama triplo negativo pode não causar nenhum sintoma. À medida que cresce, costuma apresentar os mesmos sinais e sintomas dos outros tipos de câncer de mama, segundo a American Cancer Society e a Mayo Clinic. Os principais são:
- nódulo na mama ou área de pele mais grossa, com textura diferente do restante;
- mamilo achatado ou voltado para dentro;
- mudança na cor da pele da mama, que pode ficar rosada ou avermelhada na pele clara e mais escura, avermelhada ou arroxeada na pele morena ou negra;
- mudança no tamanho, no formato ou na aparência da mama;
- pele com aspecto de casca de laranja ou com ondulações;
- descamação, crostas ou pele soltando na mama.
Diagnóstico do câncer de mama triplo negativo
Como nos outros tipos de câncer de mama, o triplo negativo pode ser descoberto pelos sintomas ou em uma mamografia de rastreamento. O diagnóstico é feito em etapas: começa pelo exame físico da mama e das axilas, segue com exames de imagem, como mamografia, ultrassom e, em alguns casos, ressonância, e é confirmado pela biópsia. No material da biópsia, o laboratório pesquisa os receptores de estrogênio e de progesterona e a proteína HER2, no exame chamado imuno-histoquímica. Quando os três resultados são negativos, o tumor é classificado como câncer de mama triplo negativo.
Como é o tratamento do câncer de mama triplo negativo
O câncer de mama triplo negativo tem menos opções de tratamento que os outros tipos, porque não responde à hormonioterapia nem às medicações anti-HER2. Por outro lado, costuma responder bem à quimioterapia, e muitas pessoas com doença inicial têm evolução muito favorável, sobretudo quando o tumor desaparece com o tratamento feito antes da cirurgia. A base do tratamento é a combinação de cirurgia, quimioterapia, imunoterapia e radioterapia, em ordem que depende do tamanho do tumor e do comprometimento dos linfonodos. A escolha final leva em conta também a idade, outras doenças e o estado geral da paciente, e costuma ser discutida por uma equipe multidisciplinar.
Estágios I a III: cirurgia primeiro
Quando o tumor é pequeno e não há linfonodos comprometidos, o tratamento pode começar pela cirurgia, com retirada de parte da mama ou mastectomia, além da avaliação dos linfonodos da axila. Depois, pode ser indicada quimioterapia, chamada de adjuvante, para reduzir a chance de o câncer voltar, e radioterapia, sobretudo quando a mama é preservada, o tumor é grande ou há linfonodos acometidos. Pessoas com mutação no gene BRCA cujo tumor tenha de 2 a 5 cm ou que tenham de 1 a 3 linfonodos da axila comprometidos podem usar o olaparibe, uma terapia alvo em comprimido, por um ano após a quimioterapia, o que reduz o risco de volta da doença e aumenta a sobrevida.
Estágios I a III: quimioterapia antes da cirurgia
Nos tumores maiores ou com linfonodos comprometidos, o tratamento costuma começar pela quimioterapia, chamada de neoadjuvante, em geral associada à imunoterapia com pembrolizumabe, como prevê a diretriz da SBOC. O objetivo é diminuir o tumor antes da cirurgia e reduzir o risco de volta da doença. Depois da cirurgia, o pembrolizumabe continua por mais alguns meses.
Se ainda restar tumor no material retirado na cirurgia, o tratamento pode ser complementado com capecitabina, uma quimioterapia em comprimido usada por 18 a 24 semanas, ou, em quem tem mutação no BRCA, com olaparibe por um ano. As duas opções ajudam a reduzir o risco de recidiva e a prolongar a vida.
Estágio IV
Quando o câncer já se espalhou para outros órgãos, o objetivo é controlar a doença pelo maior tempo possível, com qualidade de vida. O tratamento depende das características do tumor e dos remédios já usados. O primeiro passo é pesquisar o PD-L1, presente em cerca de 1 em cada 5 casos. Quando o PD-L1 é positivo, a imunoterapia com pembrolizumabe pode ser associada à quimioterapia ou ao sacituzumabe govitecana. Quando é negativo, as opções incluem quimioterapia ou o próprio sacituzumabe govitecana. Pessoas com mutação no BRCA ou no PALB2 podem usar quimioterapia com platina ou inibidores de PARP, e tumores com pequena quantidade de HER2 podem receber o trastuzumabe deruxtecana.
Câncer de mama triplo negativo recorrente
Quando o câncer volta apenas na mama, na parede do tórax ou nos linfonodos próximos e pode ser retirado, o tratamento costuma incluir nova cirurgia, às vezes com radioterapia e quimioterapia. Se a volta local não puder ser operada e o tumor tiver PD-L1, as opções são o sacituzumabe govitecana com pembrolizumabe ou o pembrolizumabe com quimioterapia. Quando a doença volta em outros órgãos, o tratamento segue o da doença em estágio IV, com quimioterapia, sacituzumabe govitecana ou outros remédios escolhidos conforme as características do tumor e o tempo desde o fim do tratamento anterior. Em qualquer fase, a participação em estudos clínicos pode dar acesso a tratamentos ainda não disponíveis na rotina e vale ser conversada com o oncologista.
Perguntas frequentes sobre câncer de mama triplo negativo
Câncer de mama triplo negativo tem cura?
Sim. A maioria dos casos é diagnosticada nos estágios I a III, quando o tratamento tem intenção curativa. A chance é maior quando o tumor desaparece por completo com a quimioterapia e a imunoterapia feitas antes da cirurgia.
Por que o câncer de mama triplo negativo é considerado mais agressivo?
Porque costuma crescer mais rápido, tem maior risco de volta nos primeiros anos e não responde à hormonioterapia nem às medicações anti-HER2. Em compensação, costuma responder bem à quimioterapia.
O triplo negativo é hereditário?
Nem sempre, mas a ligação com alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 é maior que em outros subtipos. Por isso o teste genético costuma ser oferecido às pacientes com esse diagnóstico.
Quem tem câncer de mama triplo negativo precisa fazer quimioterapia?
Na maioria dos casos, sim. A exceção são alguns tumores muito pequenos e sem gânglios comprometidos, em que a necessidade de quimioterapia é avaliada caso a caso.
Qual é o tempo de tratamento do câncer de mama triplo negativo?
Nos estágios II e III, o tratamento completo costuma durar cerca de um ano: aproximadamente seis meses de quimioterapia com imunoterapia, cirurgia, radioterapia e alguns meses a mais de imunoterapia.
A imunoterapia funciona no triplo negativo?
Sim. O pembrolizumabe combinado à quimioterapia antes da cirurgia aumentou a sobrevida nos estágios II e III. Na doença metastática, é indicado quando o tumor expressa PD-L1.
O câncer de mama triplo negativo pode voltar?
Pode, e o risco é maior nos primeiros três a cinco anos. Por isso o acompanhamento nesse período é mais frequente. Depois disso, a chance de volta diminui bastante.
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