Tratamento do câncer de próstata: todas as opções explicadas

O tratamento do câncer de próstata evoluiu enormemente na última década. Hoje existem múltiplas opções — da vigilância ativa ao Lutetium-177 — e a escolha certa depende de cada caso. O Dr. Hugo Tanaka explica cada modalidade de forma clara e objetiva.

O tratamento do câncer de próstata é altamente individualizado. A melhor opção depende do estágio da doença, do grau de agressividade (Gleason/Grade Group), dos níveis de PSA, da idade, das condições clínicas gerais e das preferências do paciente. Entender cada modalidade ajuda o paciente a participar ativamente das decisões sobre seu cuidado.

Segundo a American Society of Clinical Oncology (ASCO) e o National Cancer Institute (NIH), as principais modalidades são: vigilância ativa, cirurgia, radioterapia, hormonioterapia, quimioterapia e terapias radioligantes. Veja também o que é o câncer de próstata e como é feito o diagnóstico.

1. Vigilância Ativa

Para tumores de baixo risco — crescimento lento, confinados à próstata, Gleason 6 / Grade Group 1 —, a melhor conduta pode ser monitorar sem tratar imediatamente. A vigilância ativa acompanha a doença com PSA a cada 3–6 meses, toque retal anual e biópsia periódica. Qualquer sinal de progressão aciona o tratamento ativo.

Vigilância ativa é diferente de observação passiva: a primeira tem intenção curativa caso o tumor progrida; a segunda é reservada a pacientes mais idosos, com foco em conforto.

2. Cirurgia — Prostatectomia Radical

A remoção cirúrgica da próstata é uma das principais opções curativas para doença localizada. Pode ser realizada por três abordagens:

  • Cirurgia aberta retropúbica: técnica tradicional com incisão abdominal.
  • Videolaparoscopia: incisões pequenas com câmera e instrumentos miniaturizados.
  • Cirurgia robótica (sistema Da Vinci): maior precisão, menos sangramento, recuperação mais rápida. Técnica mais utilizada nos grandes centros.

Efeitos colaterais possíveis: incontinência urinária (geralmente transitória) e disfunção erétil. A técnica com preservação dos feixes neurovasculares reduz significativamente o risco de disfunção erétil quando tecnicamente possível.

3. Radioterapia

  • Radioterapia de feixe externo (IMRT/VMAT/SBRT): feixes de alta precisão direcionados à próstata. A SBRT permite tratamento em apenas 5 sessões.
  • Braquiterapia: implante de sementes radioativas diretamente na próstata. Indicada para tumores de baixo e médio risco.

Efeitos colaterais possíveis: irritação urinária e retal durante o tratamento, risco de disfunção erétil a médio e longo prazo.

4. Hormonioterapia — Terapia de Privação Androgênica (TPA)

O câncer de próstata depende da testosterona para crescer. A TPA reduz os níveis hormonais ou bloqueia sua ação nas células tumorais.

  • Combinada com radioterapia em tumores de alto risco
  • Como tratamento primário em doença metastática
  • Para controle de recidiva após cirurgia ou radioterapia

Agentes principais: análogos do LHRH (leuprolida, goserelina), antagonistas do LHRH (degarelix, relugolix) e antiandrógenos de nova geração (enzalutamida, apalutamida, darolutamida, abiraterona).

Efeitos colaterais: fogachos, perda de libido, disfunção erétil, ganho de peso, fadiga e fragilidade óssea. Exercício físico, suplementação de cálcio/vitamina D e agentes ósseos (denosumabe, ácido zoledrônico) ajudam a minimizá-los.

5. Quimioterapia

O docetaxel é o principal agente no câncer de próstata metastático resistente à castração. Estudos recentes demonstraram que seu uso precoce combinado à hormonioterapia no diagnóstico de doença metastática de alto volume melhora significativamente a sobrevida (terapia tripla). O cabazitaxel é opção de segunda linha após falha do docetaxel.

6. Novas Terapias

Lutetium-177 PSMA (Lu-PSMA-617)

Terapia radioligante revolucionária que funciona como um míssil guiado: liga-se ao receptor PSMA superexpresso nas células do câncer de próstata e entrega radiação diretamente ao tumor. Indicado para pacientes com doença metastática resistente à castração após falha de terapia hormonal de nova geração e docetaxel. O estudo VISION, publicado no New England Journal of Medicine, demonstrou melhora significativa na sobrevida global.

Inibidores de PARP

Olaparibe e rucaparibe são indicados para pacientes com mutações nos genes BRCA1, BRCA2 ou ATM. O teste molecular do tumor é fundamental para identificar esses candidatos.

Rádio-223

Para pacientes com metástases ósseas sintomáticas e sem metástases viscerais. Melhora sobrevida e reduz complicações ósseas (fraturas, compressão medular).

Como é escolhido o melhor tratamento?

A decisão é tomada em equipe multidisciplinar e leva em conta: estágio TNM, escore de Gleason, nível de PSA, mutações genéticas (BRCA, MSI), expressão de PSMA no PET-CT, idade, condições clínicas gerais e preferências do paciente. Conheça o papel do oncologista clínico nesse processo.

Perguntas frequentes sobre tratamento do câncer de próstata

  1. Qual é o melhor tratamento para câncer de próstata localizado?

Não existe um único ‘melhor tratamento’. Para baixo risco, vigilância ativa pode ser suficiente. Para risco intermediário e alto, cirurgia ou radioterapia são equivalentes em eficácia para muitos pacientes. A escolha depende do perfil individual e das preferências do paciente.

  1. A cirurgia robótica é melhor que a cirurgia aberta?

A cirurgia robótica oferece menor sangramento e recuperação mais rápida. Em termos de controle oncológico e preservação funcional, os resultados dependem mais da experiência do cirurgião do que da técnica utilizada.

  1. A hormonioterapia tem muitos efeitos colaterais?

Sim, e devem ser gerenciados ativamente. Fogachos, perda de libido, ganho de peso e fragilidade óssea são os mais comuns. Exercício físico regular, cálcio, vitamina D e agentes ósseos ajudam a minimizá-los.

  1. O que é o Lutetium-177 e para quem é indicado?

É uma terapia radioligante que entrega radiação diretamente às células do câncer de próstata com PSMA. Indicado para pacientes com doença metastática resistente à castração que já receberam terapia hormonal de nova geração e docetaxel.

  1. Câncer de próstata tratado pode voltar?

Sim. A recidiva bioquímica (aumento do PSA após o tratamento) ocorre em uma parcela dos pacientes. Por isso, o acompanhamento regular com PSA é indispensável após qualquer tratamento.

Oncologista em São Paulo - Dr. Hugo Tanaka

Dr. Hugo Tanaka
Oncologista Clínico
CRM 163241 | RQE 100689 – Oncologia Clínica

Oncologista clínico e pesquisador atuante em São Paulo, com sólida formação acadêmica que inclui doutorado e mestrado em oncologia clínica e atendimento multidisciplinar.
Especialista certificado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), desenvolve práticas médicas integradas com foco em atendimento humanizado e ágil, sempre baseado em diretrizes internacionais.

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