Receber o diagnóstico de câncer colorretal é um momento que muda a vida de qualquer pessoa e de toda a sua família. Diante disso, é natural surgirem perguntas sobre as opções de tratamento disponíveis — e a imunoterapia para câncer colorretal tem surgido como uma das abordagens mais promissoras e inovadoras da oncologia moderna. Diferente da quimioterapia tradicional, que ataca diretamente as células tumorais, a imunoterapia age de outra forma: ela fortalece o próprio sistema de defesa do organismo para que ele reconheça e destrua as células cancerígenas.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer colorretal é um dos tumores mais frequentes no Brasil, com estimativa de aproximadamente 45 mil novos casos diagnosticados por ano. Diante desse cenário, entender todas as alternativas terapêuticas disponíveis — incluindo a imunoterapia para câncer colorretal — é fundamental para que pacientes e seus familiares possam tomar decisões mais conscientes ao lado da equipe médica.
Este texto foi elaborado para que você compreenda, com clareza e sem termos excessivamente técnicos, como a imunoterapia funciona, quem pode se beneficiar dela, quais medicamentos são utilizados, quais são os resultados dos estudos mais recentes — incluindo dados de 2024 e 2025 — e quais efeitos colaterais podem aparecer. Todas as informações estão alinhadas com as orientações das principais sociedades oncológicas, como a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), a American Society of Clinical Oncology (ASCO) e a American Cancer Society.
O que é a imunoterapia para câncer colorretal?
A imunoterapia para câncer colorretal é um tipo de tratamento oncológico que utiliza medicamentos especialmente desenvolvidos para estimular ou restaurar a capacidade do sistema imunológico de reconhecer e eliminar as células tumorais. Em condições normais, o sistema imunológico possui mecanismos de controle que impedem que ele ataque as células saudáveis do próprio corpo — mas as células cancerígenas são capazes de explorar esses mecanismos para se esconder das defesas naturais do organismo.
Os medicamentos imunoterápicos atuam justamente nesse ponto: eles bloqueiam essas “travas” do sistema imunológico — chamadas de pontos de controle imunológico ou checkpoints —, liberando as células de defesa para que possam agir com mais eficácia contra o tumor. É um tratamento que representa uma mudança de paradigma na oncologia, pois ao invés de atacar o câncer diretamente, ele capacita o próprio corpo a fazer esse trabalho.
Conforme destacado pela American Cancer Society, a imunoterapia está indicada principalmente para pacientes com características moleculares específicas no tumor — e entender isso é essencial para saber se esse tratamento é adequado para cada caso.
Quem pode se beneficiar da imunoterapia para câncer colorretal?
Nem todos os pacientes com câncer colorretal são candidatos à imunoterapia. Para que esses medicamentos funcionem adequadamente, o tumor precisa apresentar características moleculares específicas, identificadas por meio de testes genéticos realizados na amostra do tumor. As duas principais alterações pesquisadas são:
- dMMR (Deficiência no Reparo de Incompatibilidade de DNA): ocorre quando o tumor apresenta falhas nos genes responsáveis por corrigir erros durante a duplicação do DNA celular. Essa condição prejudica o processo natural de reparo e torna o tumor mais reconhecível pelo sistema imunológico — e excepcionalmente sensível ao bloqueio de PD-1.
- MSI-H (Alta Instabilidade de Microssatélites): refere-se a defeitos em regiões específicas do DNA chamadas microssatélites. Tumores com MSI-H acumulam muitas mutações, o que os torna mais vulneráveis à ação do sistema imunológico quando ele é devidamente ativado. MSI-H e dMMR são termos complementares que frequentemente se referem ao mesmo perfil molecular.
De acordo com informações do National Cancer Institute (NIH), aproximadamente 10% a 15% dos tumores colorretais não metastáticos apresentam essas características. Na doença metastática, essa proporção é menor — em torno de 4% a 5% dos casos. É exatamente nesses tumores que a imunoterapia para câncer colorretal demonstra os melhores resultados. Por isso, a realização de testes moleculares é uma etapa fundamental no planejamento do tratamento — e deve ser solicitada pelo oncologista logo após o diagnóstico.
Saiba mais sobre as opções completas de tratamentos para câncer colorretal disponíveis atualmente, incluindo cirurgia, quimioterapia, terapia-alvo e imunoterapia.
Medicamentos usados na imunoterapia para câncer colorretal
Os medicamentos mais utilizados na imunoterapia para câncer colorretal pertencem a duas categorias principais: os inibidores de PD-1 e os inibidores de CTLA-4. Ambos atuam nos chamados “pontos de controle imunológico” — proteínas que regulam a intensidade da resposta do sistema imunológico contra células anormais.
Inibidores de PD-1: Pembrolizumabe, Nivolumabe e Dostarlimabe
A proteína PD-1 está presente nas células T (células de defesa do organismo) e funciona como um “freio” que impede que essas células ataquem outros tecidos do corpo. As células cancerígenas exploram essa proteína para se proteger. Os inibidores de PD-1 bloqueiam esse mecanismo, liberando as células T para combater o tumor.
- Pembrolizumabe (Keytruda®): administrado por via intravenosa (na veia), a cada três ou seis semanas, de forma isolada. É aprovado pelo FDA e indicado como primeira linha de tratamento para pacientes com câncer colorretal metastático dMMR/MSI-H.
- Nivolumabe (Opdivo®): pode ser usado isoladamente ou em combinação com o ipilimumabe. Quando administrado sozinho, a infusão é feita a cada duas ou quatro semanas. A combinação nivolumabe + ipilimumabe demonstrou resultados expressivos em estudos de fase II como o NICHE-2.
- Dostarlimabe (Jemperli®): administrado a cada três semanas nas primeiras quatro doses e, em seguida, a cada seis semanas em dose maior. É o medicamento que protagonizou os resultados mais notáveis da oncologia nos últimos anos, especialmente no câncer de reto dMMR — conforme detalhado adiante.
Inibidor de CTLA-4: Ipilimumabe
O ipilimumabe (Yervoy®) atua em outro ponto de controle imunológico, a proteína CTLA-4, que também funciona como um “freio” das células T. Esse medicamento é utilizado em combinação com o nivolumabe no tratamento do câncer colorretal metastático, especialmente nos casos em que o tumor apresenta dMMR ou MSI-H. A administração é feita por infusão intravenosa, geralmente uma vez a cada três semanas, por quatro ciclos de tratamento.
Segundo a SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica), a combinação de medicamentos imunoterápicos pode, em alguns casos, potencializar os resultados do tratamento, mas também exige acompanhamento médico mais próximo para monitorar possíveis efeitos adversos.
Em quais situações a imunoterapia para câncer colorretal é indicada?
A imunoterapia para câncer colorretal pode ser indicada em diferentes momentos da doença, dependendo do estágio do tumor, da localização (cólon ou reto) e das características moleculares:
- Antes da cirurgia (tratamento neoadjuvante): em casos de câncer de cólon em estágio II ou III com dMMR/MSI-H, a imunoterapia neoadjuvante pode ser usada para reduzir o tumor antes da operação — com taxas de resposta patológica que superam amplamente o que a quimioterapia convencional oferece nesses tumores.
- Doença avançada ou metastática: quando o tumor não pode ser removido cirurgicamente ou já se espalhou para outros órgãos, a imunoterapia pode ser a principal linha de tratamento para pacientes com dMMR/MSI-H, com respostas duráveis documentadas em vários estudos.
- Recidiva (retorno da doença): em casos em que o câncer voltou após um tratamento anterior, a imunoterapia pode ser uma opção valiosa se o tumor apresentar as características moleculares adequadas.
- Câncer de reto localmente avançado com dMMR (cenário especial): no câncer de reto localmente avançado com dMMR, o dostarlimabe em monoterapia tem demonstrado respostas clínicas completas que permitiram a alguns pacientes evitar cirurgia, radioterapia e quimioterapia — um cenário sem precedentes na oncologia.
Entender o estágio do seu câncer e as características moleculares do tumor é essencial. Para saber mais sobre como o diagnóstico do câncer colorretal é feito, incluindo por colonoscopia, confira nosso conteúdo específico sobre o tema.
Avanços recentes: o que os estudos de 2024 e 2025 revelam
Nos últimos dois anos, a imunoterapia para câncer colorretal produziu alguns dos resultados mais impactantes da história da oncologia. Dois estudos merecem destaque especial por suas implicações clínicas diretas para pacientes com tumores dMMR/MSI-H.
Estudo NICHE-2: Imunoterapia neoadjuvante no câncer de cólon localmente avançado
Publicado no New England Journal of Medicine em 2024, o estudo NICHE-2 avaliou o uso de nivolumabe em combinação com ipilimumabe como tratamento neoadjuvante (antes da cirurgia) em 115 pacientes com câncer de cólon dMMR em estágio II ou III localmente avançado.
Os resultados foram expressivos: 98% dos pacientes realizaram a cirurgia no prazo previsto, e as taxas de resposta patológica — inclusive respostas completas — superaram significativamente o que seria esperado com quimioterapia convencional nesses tumores. Apenas 2% dos pacientes tiveram eventos adversos relacionados ao tratamento que causaram atraso na cirurgia. O estudo reforçou que a imunoterapia neoadjuvante é uma alternativa eficaz e segura para esse perfil de paciente, com potencial para redefinir o padrão de tratamento cirúrgico do câncer de cólon dMMR em estágio inicial e localmente avançado.
Dostarlimabe no câncer de reto dMMR: Resultados sem precedentes em 2025
O caso do dostarlimabe no câncer de reto com dMMR representa um dos momentos mais marcantes da oncologia recente. Iniciado em 2022 com um estudo piloto no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, que demonstrou resposta clínica completa em 100% dos primeiros 12 pacientes tratados — algo inédito na história do tratamento do câncer —, o programa de pesquisa foi expandido e seus resultados atualizados foram apresentados na reunião anual de 2025 da Associação Americana de Pesquisa do Câncer (AACR) e publicados no New England Journal of Medicine.
Na coorte de câncer retal, todos os 49 pacientes que completaram o tratamento com dostarlimabe apresentaram resposta clínica completa — ou seja, o tumor desapareceu completamente aos exames de imagem, endoscopia e biópsia. Entre todos os participantes do estudo (117 pacientes com diferentes tumores sólidos dMMR), 80% não necessitaram de cirurgia, radioterapia ou quimioterapia após seis meses de imunoterapia. Dois anos depois, cerca de 92% dos pacientes permaneciam sem recidiva da doença.
As implicações para a qualidade de vida são substanciais: o tratamento padrão para o câncer de reto localmente avançado — que envolve quimiorradioterapia seguida de cirurgia — pode resultar em colostomia definitiva, perda de fertilidade e incontinência. Três pacientes do estudo que tiveram resposta completa ao dostarlimabe conseguiram conceber e dar à luz filhos saudáveis após o tratamento, o que não seria possível com a abordagem convencional.
A FDA dos Estados Unidos concedeu ao dostarlimabe a designação de “Breakthrough Therapy” (terapia inovadora) para o câncer de reto dMMR/MSI-H localmente avançado — uma classificação reservada a medicamentos que demonstram resultados superiores às alternativas existentes em doenças graves. No Brasil, o Jemperli® possui aprovação da ANVISA para câncer de endométrio com dMMR; sua utilização no câncer colorretal segue sendo avaliada pelas agências regulatórias e está disponível em centros especializados dentro de protocolos clínicos.
É fundamental ressaltar que esses resultados se aplicam exclusivamente a tumores com dMMR/MSI-H. Pacientes cujos tumores não apresentam essa característica molecular não se beneficiam da imunoterapia com inibidores de checkpoint, e o oncologista é o profissional indicado para orientar sobre as opções disponíveis em cada situação.
Efeitos colaterais da imunoterapia para câncer colorretal
Como qualquer tratamento oncológico, a imunoterapia pode causar efeitos colaterais. É importante que o paciente conheça essas possibilidades para comunicar ao médico qualquer sintoma novo assim que surgir. Os efeitos mais comuns incluem:
- Fadiga (cansaço intenso)
- Náusea e perda de apetite
- Diarreia ou constipação
- Erupções cutâneas e coceira na pele
- Dor nas articulações
- Tosse
Efeitos colaterais que exigem atenção imediata
Além dos efeitos comuns, a imunoterapia pode, em alguns casos, provocar reações mais sérias que precisam de atenção médica imediata:
Reações à infusão: durante a administração do medicamento, alguns pacientes podem apresentar febre, calafrios, tontura, erupções cutâneas ou dificuldade para respirar — similar a uma reação alérgica. Qualquer sinal durante a infusão deve ser comunicado imediatamente à equipe de saúde.
Reações autoimunes: ao “liberar o freio” do sistema imunológico, esses medicamentos podem fazer com que as células de defesa ataquem tecidos saudáveis do próprio corpo. Isso pode afetar pulmões, intestinos, fígado, rins, glândulas hormonais, pele e nervos. Embora menos frequente, esse tipo de efeito pode ser grave e exigir o uso de corticosteroides em altas doses ou até a suspensão temporária do tratamento.
A ASCO (American Society of Clinical Oncology) recomenda que pacientes em imunoterapia mantenham acompanhamento médico regular e comuniquem qualquer sintoma novo, por menor que pareça, ao oncologista responsável.
Por que o teste molecular é essencial antes de iniciar a imunoterapia?
Um dos pontos mais importantes que qualquer paciente com câncer colorretal deve saber é que a imunoterapia para câncer colorretal só é eficaz em tumores que apresentam as alterações moleculares específicas — dMMR ou MSI-H. Por isso, antes de iniciar esse tratamento, é imprescindível que o tumor seja testado para identificar essas características.
Esses testes são realizados a partir de amostras do tumor (obtidas por biópsia ou peça cirúrgica) e analisadas em laboratório de patologia molecular. Existem dois métodos principais:
- Imunohistoquímica (IHQ): detecta a ausência das proteínas MLH1, MSH2, MSH6 ou PMS2 no tecido tumoral, indicando dMMR. É um método amplamente disponível e de custo acessível.
- Sequenciamento genético (PCR ou NGS): detecta diretamente a MSI-H por análise do DNA tumoral. Pode ser feito por PCR convencional ou por sequenciamento de nova geração (NGS), que oferece informações moleculares adicionais relevantes para o planejamento terapêutico.
O resultado orienta diretamente o planejamento terapêutico. Pacientes cujo tumor não apresenta essas características dificilmente se beneficiarão da imunoterapia e devem receber outros tipos de tratamento, como quimioterapia ou terapia-alvo. Pergunte ao seu oncologista sobre a realização desse teste caso ainda não tenha sido feito — ele deve ser solicitado em todos os pacientes com câncer colorretal ao diagnóstico.
Para entender se você pode ter risco elevado para essa doença e sobre a importância do rastreamento do câncer colorretal, incluindo quando e como fazer os exames preventivos, acesse nosso conteúdo detalhado sobre o tema.
Imunoterapia para câncer colorretal: perspectivas e avanços em 2026
Os resultados clínicos com imunoterapia para câncer colorretal em pacientes com dMMR/MSI-H têm sido progressivamente mais impressionantes. Nos últimos três anos, acumularam-se evidências de que esses medicamentos são capazes não apenas de controlar a doença avançada por longos períodos, mas também de eliminar completamente o tumor em situações selecionadas — algo que redefiniu o que se considera possível na oncologia.
As principais frentes de investigação em andamento incluem a expansão do uso da imunoterapia neoadjuvante para estágios iniciais do câncer de cólon dMMR, a avaliação de estratégias de “vigília ativa” (watch and wait) em casos de resposta completa ao tratamento — especialmente no câncer de reto —, e a busca por formas de tornar tumores sem dMMR mais responsivos à imunoterapia, seja por combinação com outras drogas ou por modulação do microambiente tumoral.
Segundo informações do National Cancer Institute (NIH), a pesquisa em imunoterapia oncológica avança rapidamente, com novos medicamentos e combinações sendo estudados em ensaios clínicos ao redor do mundo. No Brasil, centros especializados em oncologia têm acesso crescente a essas terapias, seja pelo sistema de saúde suplementar ou por programas de acesso expandido.
Para o paciente, o mais importante é estar em acompanhamento com um oncologista especializado no tratamento do câncer colorretal, capaz de interpretar os resultados dos testes moleculares e propor o tratamento mais adequado para cada caso individual.
Perguntas frequentes sobre imunoterapia para câncer colorretal
1. O que é imunoterapia para câncer colorretal e como ela funciona?
A imunoterapia para câncer colorretal é um tratamento que usa medicamentos chamados inibidores de checkpoint imunológico para “liberar” o sistema de defesa do organismo, permitindo que ele reconheça e ataque as células cancerígenas. Esses medicamentos bloqueiam proteínas como PD-1 e CTLA-4, que normalmente impedem o sistema imunológico de agir com toda a sua capacidade contra o tumor.
2. Nem todo paciente com câncer colorretal pode fazer imunoterapia?
Correto. A imunoterapia para câncer colorretal é eficaz principalmente em tumores que apresentam deficiência no reparo de incompatibilidade de DNA (dMMR) ou alta instabilidade de microssatélites (MSI-H). Esses tumores representam cerca de 10% a 15% dos casos não metastáticos e entre 4% e 5% dos casos metastáticos. Por isso, um teste molecular do tumor é obrigatório antes de indicar esse tratamento.
3. Quais medicamentos de imunoterapia são aprovados para câncer colorretal no Brasil?
Os principais medicamentos com indicação para câncer colorretal são o pembrolizumabe (Keytruda®), o nivolumabe (Opdivo®), o ipilimumabe (Yervoy®) e o dostarlimabe (Jemperli®). A aprovação e disponibilidade de cada um no Brasil pode variar conforme a indicação específica — o oncologista é o profissional indicado para orientar sobre as opções acessíveis em cada situação clínica.
4. A imunoterapia substitui a quimioterapia no câncer colorretal?
Não necessariamente. Para os pacientes com dMMR/MSI-H, a imunoterapia pode ser usada como tratamento principal ou em combinação com outros medicamentos — e em casos selecionados de câncer de reto dMMR, pode até substituir a quimiorradioterapia e a cirurgia quando há resposta completa. Para os demais pacientes (a maioria), a quimioterapia e a terapia-alvo continuam sendo as principais abordagens. A decisão é sempre individualizada pelo oncologista, com base no perfil molecular do tumor e no histórico clínico do paciente.
5. Quais são os principais efeitos colaterais da imunoterapia para câncer colorretal?
Os efeitos mais comuns incluem fadiga, náusea, diarreia, erupção cutânea e dor nas articulações. Em alguns casos, podem ocorrer efeitos autoimunes mais sérios, como inflamação nos pulmões, fígado, rins ou glândulas hormonais. Todo efeito colateral deve ser comunicado imediatamente ao médico, pois o tratamento precoce evita complicações graves.
6. A imunoterapia pode curar o câncer colorretal?
Em pacientes selecionados — especialmente aqueles com tumores dMMR/MSI-H — os resultados têm sido muito promissores. No câncer de reto dMMR localmente avançado, estudos publicados em 2022 e atualizados em 2025 documentaram respostas clínicas completas em 100% dos pacientes tratados com dostarlimabe, com 92% mantendo-se sem recidiva após dois anos. Em doença metastática, o objetivo principal costuma ser o controle duradouro da doença com boa qualidade de vida. Cada caso é único e deve ser discutido em detalhes com o oncologista.
7. Como sei se o meu tumor tem dMMR ou MSI-H para receber imunoterapia?
O teste é feito por meio de análise de uma amostra do tumor em laboratório de patologia molecular. Pode ser realizado por imunohistoquímica (para detectar dMMR) ou por sequenciamento genético — PCR ou NGS (para detectar MSI-H). Esse exame é solicitado pelo oncologista e geralmente realizado logo após a biópsia ou a cirurgia. Pergunte ao seu médico sobre a realização desse teste caso ainda não tenha sido feito — ele deve ser solicitado em todos os casos de câncer colorretal ao diagnóstico.
8. O que é “resposta clínica completa” e o que acontece depois?
Resposta clínica completa significa que, após o tratamento, não há mais evidência detectável do tumor aos exames de imagem (ressonância magnética, PET-CT), à endoscopia e à biópsia. Em casos de câncer de reto dMMR tratados com dostarlimabe, quando a resposta completa é alcançada, alguns pacientes passam a ser acompanhados em vigilância ativa — sem necessidade imediata de cirurgia ou radioterapia. Esse acompanhamento exige avaliações periódicas rigorosas em centros com expertise em oncologia colorretal.

