Câncer de intestino: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento
Câncer colorretal é o nome dado aos tumores do intestino grosso, que atingem o cólon, o reto ou ambos. Também é chamado de câncer de intestino, câncer de cólon ou câncer de reto, conforme o local onde surge.
O cólon é a parte central do intestino grosso e sua maior estrutura, com um comprimento aproximado de 1,5 metro de extensão. Ele tem a função de absorver líquidos e sais oriundos da alimentação que eventualmente ainda restem após a passagem pelo intestino delgado.
Já o reto é a parte final do trato gastrointestinal: com cerca de 15 centímetros, é para onde os últimos restos da digestão vão depois de passarem pelo cólon. Ali, esses resíduos, já na forma de bolo fecal, são posteriormente eliminados pela defecação.

Segundo a Estimativa 2026-2028 do INCA, o Brasil deve registrar cerca de 53 mil novos casos de câncer colorretal por ano, cerca de 26 mil em homens e 27 mil em mulheres. É o terceiro tipo mais frequente no país, sem contar o câncer de pele não melanoma, e o segundo mais frequente entre as mulheres.
Um amplo estudo conduzido por pesquisadores do Inca, da Fiocruz e da Universidade da Califórnia em San Diego mostrou, em 2023, que a mortalidade tem aumentado em países da América Latina, inclusive no Brasil: foram cerca de 20,5% óbitos a mais na região entre 1990 e 2019.
As causas para o aumento ainda têm sido debatidas, mas um maior acesso a alimentos ultraprocessados e uma demora no diagnóstico têm sido associadas à maior incidência e à dificuldade de tratamento.
Em geral, o câncer de colorretal começa a partir de pólipos no intestino. Pequenas protuberâncias no revestimento interno do cólon e do reto, os pólipos não são, por si mesmo, um câncer – mas podem evoluir de forma maligna com o tempo. No início, eles tendem a se desenvolver de forma assintomática, ou com sintomas que não provocam alterações significativas na rotina do paciente, o que pode atrasar a busca por diagnóstico.
Quando aparecem, os sintomas envolvem:
Qualquer pessoa pode desenvolver câncer de colorretal, mas alguns fatores de risco aumentam a propensão à doença. Eles incluem:
Em geral, exames de rastreio regulares para o câncer de colorretal costumam ser iniciados por volta dos 45 anos, mas uma maior incidência da doença em pacientes jovens tem aumentado a indicação para avaliações mais precoces.
Discuta com seu médico sobre a necessidade de iniciar uma investigação para a doença mais cedo na vida, bem como a periodicidade para a realização desses exames – como ocorre com outros tumores, quanto mais cedo o câncer for detectado, maior o leque de opções de tratamento e melhor o prognóstico. Veja quando fazer, como é o preparo e o que esperar da colonoscopia.
O exame tradicionalmente utilizado para investigar um câncer colorretal é a colonoscopia. Com o paciente sedado, uma microcâmera em um tubo é inserida no reto para permitir que o médico visualize as características do cólon em busca de pólipos e outras alterações que indicam a presença (ou o risco) de um câncer. A colonoscopia exige preparação prévia para garantir que o cólon esteja desobstruído, facilitando a observação. Conforme indicação médica, nos dias prévios ao teste, o paciente deverá evitar ingerir alimentos sólidos e bebidas com corante, além de utilizar medicamentos laxativos para evacuar o máximo possível.
Em muitos casos, o médico pode remover pólipos durante a própria colonoscopia, sem necessidade de um novo procedimento apenas para essa remoção.
A sigmoidoscopia é outra opção de exame, indicado para quem já tem a confirmação de tumores no reto ou no final do cólon. O procedimento pouco invasivo visualiza apenas esta porção do intestino, e é utilizado para avaliar a progressão do câncer e orientar o tratamento.
Outros métodos que auxiliam na identificação de um câncer colorretal incluem:
Outros tipos de exame de imagem, usados com menos frequência para câncer de colorretal são:
O estágio indica quanto o tumor avançou na parede do intestino, se atingiu os linfonodos e se chegou a outros órgãos. É definido pelo sistema TNM e orienta o tratamento e o prognóstico.
A sobrevida e o tratamento de cada fase estão detalhados em estágios do câncer colorretal.
O tratamento depende do local do tumor (cólon ou reto), do estágio, do perfil molecular e também da idade, das comorbidades e do performance status de cada paciente. No câncer de cólon, a cirurgia do câncer de cólon costuma ser o primeiro passo. No reto, o tratamento muitas vezes começa com quimioterapia e radioterapia antes da cirurgia do câncer de reto. Quando há metástases, as opções estão em câncer colorretal metastático.
Com chances mais altas de sucesso quando realizada antes de o câncer se espalhar, a cirurgia costuma ser a opção de tratamento mais frequente para esse tumor. O tipo específico de operação pode variar conforme o tamanho e localização do câncer, com diferentes opções dependendo de ele estar no cólon ou no reto.
Hoje, já existem técnicas minimamente invasivas, que requerem incisões menores e permitem ao paciente se recuperar mais rapidamente. Um exemplo é a videolaparoscopia. A cirurgia robótica avançada também traz maior precisão aos procedimentos.
As operações na região do reto podem afetar a capacidade de evacuação do paciente – o que pode tornar necessária uma colostomia ou ileostomia. Nesses casos, uma abertura do intestino é feita no abdômen para que as fezes possam ser coletadas em uma bolsa que fica no exterior do corpo. Esse procedimento é realizado já durante a cirurgia de remoção do tumor.
A bolsa de colostomia ou ileostomia pode ser provisória ou definitiva. A necessidade de utilizá-la depende da proximidade do tumor em relação ao ânus.
As abordagens cirúrgicas incluem:
Uma dose direcionada de radiação é aplicada sobre o tumor. Em casos de câncer colorretal, ela pode ser utilizada também antes da cirurgia, buscando reduzir o tamanho do tumor e a área a ser removida cirurgicamente. Não é comum utilizar radioterapia para tratar câncer localizado no cólon. Em casos de câncer retal, o uso é mais frequente. Saiba mais.
Medicamentos específicos são empregados contra as células cancerígenas. O tipo de fármaco depende das características do câncer. Saiba mais.
Nessas técnicas, o objetivo é destruir as células cancerígenas, respectivamente, aplicando frio ou calor extremos e direcionados. Na crioablação, uma sonda é inserida na região do tumor e resfriada a temperaturas baixíssimas para congelar e matar as células. Na ablação por micro-ondas, é feito um processo oposto, utilizando as ondas para aquecer as células e destruí-las.
Medicamentos que agem sobre alterações específicas do tumor. Os anti-EGFR (cetuximabe e panitumumabe) são usados em tumores sem mutação nos genes RAS e BRAF. O bevacizumabe (anti-VEGF) bloqueia a formação de vasos que alimentam o tumor. Há ainda tratamentos dirigidos para a mutação BRAF V600E e para tumores com HER2 amplificado. Por isso, o exame molecular do tumor faz parte do planejamento no câncer colorretal avançado. Saiba mais.
A imunoterapia com inibidores de checkpoint, como pembrolizumabe ou nivolumabe associado a ipilimumabe, é indicada para tumores com instabilidade de microssatélites alta ou deficiência de reparo do DNA (MSI-H/dMMR), presentes em uma minoria dos casos. Nesses pacientes, a resposta costuma ser superior à da quimioterapia. Saiba mais em imunoterapia para câncer colorretal.
Sim. Câncer colorretal é o termo médico para os tumores do cólon e do reto, que formam o intestino grosso. No dia a dia, a doença também é chamada de câncer de intestino.
Na fase inicial, a doença costuma não dar sintomas. Quando aparecem, os mais comuns são sangue nas fezes, mudança persistente no hábito intestinal, sensação de evacuação incompleta, dor abdominal, anemia e perda de peso sem explicação.
Para pessoas sem fatores de risco, a partir dos 45 anos. Quem tem parente de primeiro grau com câncer colorretal, síndrome hereditária ou doença inflamatória intestinal deve começar antes, com orientação médica.
A maioria dos tumores colorretais nasce de pólipos do tipo adenoma, mas nem todo pólipo vira câncer. A retirada durante a colonoscopia interrompe esse caminho. Veja mais sobre pólipos no intestino.
Sim, sobretudo quando descoberto nos estágios iniciais. Mesmo em parte dos casos com metástase no fígado ou no pulmão, a cirurgia associada ao tratamento sistêmico pode ter intenção curativa. O prognóstico depende do estágio, do perfil molecular e das condições clínicas de cada paciente.
O tratamento é conduzido por uma equipe multidisciplinar. O oncologista clínico coordena quimioterapia, terapia-alvo e imunoterapia, e trabalha junto com o cirurgião coloproctologista ou oncológico, o radioterapeuta, o patologista e o radiologista.

