O tumor mais frequente do Brasil reúne desde carcinomas de crescimento lento até o melanoma, e o tipo define todo o restante da conduta
O câncer de pele surge quando células da camada mais superficial da pele, a epiderme, passam a se multiplicar de forma desordenada. Essa camada é formada principalmente por três tipos de células: as basais, que ficam na base da epiderme e dão origem às novas células; as escamosas, que compõem a maior parte da superfície; e os melanócitos, responsáveis pela melanina, o pigmento que dá cor à pele, aos cabelos e aos olhos. O tipo de tumor é definido pela célula em que ele começa, e essa origem explica quase todas as diferenças de comportamento entre um caso e outro.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026-2028, dos quais 263.280 são de pele não melanoma. Esse grupo é apresentado separadamente nas estatísticas justamente porque combina incidência altíssima com letalidade baixa. Retirando esses tumores da conta, sobram aproximadamente 518 mil diagnósticos anuais no país.
A doença aparece com mais frequência nas áreas que recebem sol ao longo da vida: face, orelhas, couro cabeludo, pescoço, colo, ombros, antebraços e dorso das mãos. Mas pode surgir em qualquer região, inclusive nas costas, nas plantas dos pés e sob as unhas, o que torna o exame de toda a superfície corporal parte da avaliação.
A boa notícia está do outro lado da estatística: quando descoberto cedo, o câncer de pele costuma ser tratado com um procedimento pequeno, feito em consultório, e não volta. O problema aparece quando a lesão é interpretada como uma espinha teimosa, uma micose ou um machucado de barbear, e passa meses sem avaliação.

Essa é a primeira pergunta a responder diante de um diagnóstico, porque muda o significado de tudo o que vem depois. Dois pacientes podem ouvir a mesma frase, “é um câncer de pele”, e estar diante de situações completamente distintas: uma lesão que sai com uma cirurgia de trinta minutos e não volta, ou um tumor que exige estadiamento, avaliação de linfonodos e, às vezes, tratamento sistêmico.
| Característica | Não melanoma (basocelular e espinocelular) | Melanoma |
| Frequência no Brasil | Cerca de 263 mil novos casos por ano | Muito menos frequente, uma pequena fração dos tumores de pele |
| Célula de origem | Células basais e escamosas da epiderme | Melanócitos, que produzem a melanina |
| Velocidade de crescimento | Lenta no basocelular, intermediária no espinocelular | Variável, pode progredir em poucos meses |
| Risco de espalhar | Muito baixo no basocelular, baixo no espinocelular | O maior entre os tumores de pele |
| Aparência típica | Ferida que não cicatriza, elevação perolada, placa áspera | Pinta nova ou pinta que mudou de forma, cor ou tamanho |
| Tratamento inicial | Cirurgia local, muitas vezes em consultório | Cirurgia com margens definidas pela espessura do tumor |
| Papel do oncologista clínico | Restrito aos casos avançados | Presente já em estágios intermediários |
Uma ressalva importante: o não melanoma ser menos grave em média não significa que possa ser ignorado. Um carcinoma basocelular abandonado por anos no nariz ou na pálpebra destrói cartilagem e osso, e a reconstrução passa a ser um problema maior que o tumor original.
Os tipos de câncer de pele estão reunidos abaixo em ordem de frequência, dos mais comuns aos raros, seguidos das lesões que costumam anteceder a doença.
É o tipo mais frequente de todos. Nasce nas células basais e cresce devagar, ao longo de meses ou anos. Raramente se espalha para outros órgãos, mas destrói localmente se for ignorado, o que preocupa especialmente em nariz, pálpebras e orelhas.
O aspecto clássico é uma elevação perolada ou brilhante, às vezes com pequenos vasos visíveis na superfície. Também pode aparecer como uma mancha avermelhada que descama ou como uma ferida que forma crosta, sangra, parece cicatrizar e volta a abrir semanas depois. Essa ferida que insiste em não fechar é a queixa que mais leva ao diagnóstico.
Segundo tipo mais comum, tem origem nas células escamosas. Cresce mais rápido que o basocelular e apresenta risco real, ainda que baixo, de atingir linfonodos e outros órgãos. Costuma se manifestar como uma placa endurecida e áspera que descama, um nódulo avermelhado com crosta central ou uma ferida dolorida que não cicatriza. Lábio inferior, orelha e couro cabeludo merecem atenção redobrada.
Além do sol acumulado, esse tipo pode surgir em cicatrizes antigas, queimaduras, feridas crônicas e áreas submetidas a radioterapia no passado. Também é mais frequente e mais agressivo em pessoas com imunidade reduzida, como transplantados de órgãos sólidos, situação em que múltiplos tumores podem aparecer ao mesmo tempo.
O melanoma se origina nos melanócitos. Representa uma fração pequena dos casos, mas concentra a maior parte da mortalidade por tumores cutâneos, porque tem capacidade de se espalhar mais cedo, quando a lesão ainda é pequena.
Costuma se apresentar como uma pinta nova diferente das outras, uma pinta antiga que mudou de forma, cor ou tamanho, ou uma mancha escura com várias tonalidades dentro da mesma lesão. Pode surgir em áreas pouco expostas ao sol, incluindo couro cabeludo, planta do pé e região sob a unha. Existe ainda uma parcela de melanomas pouco pigmentados, que aparecem como lesões rosadas ou avermelhadas e enganam justamente por não serem escuras.
O que define o prognóstico é a espessura do tumor no momento da retirada, medida pelo patologista. Por isso, no melanoma, a diferença entre procurar ajuda em um mês e procurar em um ano é maior do que em qualquer outro tumor de pele. O detalhamento do estadiamento e das opções de tratamento está na página sobre melanoma.
Alguns tumores cutâneos são incomuns, mas exigem conduta específica e costumam envolver o oncologista clínico desde o início. O carcinoma de células de Merkel se apresenta como um nódulo avermelhado e brilhante de crescimento rápido, em geral na face, no pescoço ou nos membros, e tem comportamento agressivo. O sarcoma de Kaposi causa lesões avermelhadas, arroxeadas ou acastanhadas na pele e em órgãos internos, e está ligado ao herpes-vírus humano 8 em pessoas com imunidade comprometida. O carcinoma sebáceo começa nas glândulas da pele e pode estar associado a uma síndrome hereditária. Os linfomas cutâneos, por sua vez, não nascem das células da pele, mas de células de defesa que a habitam, e costumam ser confundidos por anos com eczema ou psoríase.
Nem toda lesão de pele danificada pelo sol é câncer, e algumas são o passo anterior. A queratose actínica é uma mancha áspera, avermelhada e descamativa em área de sol crônico, mais fácil de sentir ao toque do que de enxergar. Cerca de 5% dessas lesões evoluem para um tumor não melanoma, o que justifica tratá-las quando aparecem e acompanhar quem tem muitas delas. O mesmo raciocínio vale para as pintas atípicas, que não são câncer, mas sinalizam risco maior e mudam o intervalo entre as consultas.
A regra prática é simples: qualquer lesão nova, ou qualquer lesão antiga que mudou, e que persista por mais de quatro semanas, merece avaliação. O câncer de pele em fase inicial quase nunca dói, e essa ausência de sintoma é justamente o que faz muita gente adiar a consulta.
Os sinais que mais justificam procurar um médico são:
Para as lesões pigmentadas, a regra ABCDE (assimetria, bordas, cor, diâmetro e evolução) é o roteiro mais usado no autoexame, e o critério de evolução é o mais importante de todos. O detalhamento desse método, com o que observar em cada letra e as armadilhas dos melanomas pouco pigmentados, está no texto sobre pinta cancerosa.
Vale registrar o que a regra não cobre: os carcinomas basocelular e espinocelular, que são a grande maioria dos casos, quase nunca aparecem como pintas escuras. Quem observa apenas as pintas acaba deixando passar exatamente o tipo mais comum de câncer de pele.
Pele com mais melanina oferece alguma proteção contra a radiação ultravioleta, e a incidência de câncer de pele relacionado ao sol é menor. Isso, porém, não elimina o risco, e o diagnóstico costuma chegar mais tarde, em estágios mais avançados, porque a suspeita demora a surgir tanto do paciente quanto de quem examina.
As localizações que merecem atenção específica são as palmas das mãos, as plantas dos pés, a região sob as unhas e as mucosas da boca e da região genital. Uma mancha escura em faixa na unha, uma lesão que não cicatriza na sola do pé ou uma área endurecida em cicatriz antiga são achados que devem ser mostrados ao dermatologista, independentemente do tom de pele.
A radiação ultravioleta é o principal fator ambiental, e atua de duas formas distintas. A exposição acumulada ao longo da vida, típica de quem trabalha ao ar livre, pesa mais para os carcinomas. Já as queimaduras solares intensas, especialmente na infância e na adolescência, pesam mais para o melanoma. Os dois padrões somam risco.
Aumentam a chance de desenvolver a doença:
Ter um ou vários desses fatores não significa que a doença vá aparecer. Significa que o intervalo entre as avaliações dermatológicas deve ser menor. Quando há vários casos de melanoma na família ou tumores em idade jovem, vale discutir a possibilidade de uma avaliação de síndromes de câncer hereditário.
A avaliação de um possível câncer de pele começa no consultório, com o exame de toda a superfície corporal, incluindo couro cabeludo, orelhas, entre os dedos, plantas dos pés e unhas. A dermatoscopia, um aparelho que amplia e ilumina a lesão, permite enxergar estruturas invisíveis a olho nu e reduz muito o número de cirurgias desnecessárias. Em quem tem muitas pintas, o mapeamento corporal fotográfico ajuda a comparar imagens ao longo do tempo e a identificar o que mudou.
Nada disso substitui a biópsia, que é o único exame capaz de confirmar um câncer de pele. Conforme o tamanho e a localização, ela pode ser feita por raspagem, por punção com um instrumento circular ou pela retirada completa da lesão. Nessa última situação, o mesmo procedimento serve para diagnosticar e tratar. O material vai para o patologista, que define o tipo do tumor, o grau, a profundidade e a situação das margens, informações que orientam todo o restante da conduta.
A técnica é escolhida conforme o tamanho da lesão, a localização e a suspeita clínica.
Uma ressalva que faz diferença: diante da suspeita de melanoma, a preferência é retirar a lesão inteira. A raspagem pode seccionar o tumor pela metade em profundidade e comprometer a medida da espessura, que é o dado usado para definir o estadiamento e a largura da margem na cirurgia definitiva. Nesse cenário, a técnica mal escolhida atrasa a decisão e às vezes obriga a repetir o procedimento.
Nem todo caso de câncer de pele precisa de teste genético, e a maioria dos carcinomas dispensa. A pesquisa de mutações entra sobretudo no melanoma avançado ou de risco mais alto, quando o resultado muda a conduta: a alteração no gene BRAF, por exemplo, abre a possibilidade de terapia direcionada, e alterações em NRAS e KIT são avaliadas em situações selecionadas, conforme as características do tumor e o protocolo do serviço. Esses exames são feitos no material da própria biópsia, complementam o laudo do patologista e não substituem nenhuma etapa anterior. O detalhamento está na página sobre melanoma.
Exames de imagem não fazem parte da rotina. Tomografia, ressonância ou PET-CT entram apenas em situações específicas: tumores grandes ou recidivados, suspeita de invasão de estruturas profundas, alteração em linfonodos ao exame, melanomas mais espessos ou tipos de comportamento agressivo. Pedir imagem para um carcinoma basocelular pequeno de face não muda a conduta e apenas atrasa o tratamento. Sobre a possibilidade de disseminação, o texto sobre câncer metastático traz o panorama geral.
O tratamento resolve a maior parte dos casos com um procedimento local, feito com anestesia local e alta no mesmo dia. As decisões mudam conforme o tipo do tumor, o tamanho, a profundidade, a localização, se é um caso novo ou uma recidiva, e conforme características do paciente como idade, comorbidades e performance status. Um tumor idêntico pode ser conduzido de formas diferentes em uma pessoa de 45 anos e em outra de 88 anos com múltiplas doenças associadas.
A cirurgia é o tratamento padrão e curativo na maioria das situações. A excisão simples retira a lesão com uma margem de pele sadia ao redor, e o material é enviado ao patologista para confirmar que as margens estão livres. No melanoma, a largura dessa margem é definida pela espessura medida na biópsia, e pode ser necessária a avaliação do linfonodo sentinela.
A cirurgia micrográfica de Mohs segue outra lógica: o cirurgião retira o tumor em camadas finas e examina cada uma ao microscópio durante o próprio procedimento, repetindo o processo até não encontrar mais células tumorais. O resultado é uma taxa de cura muito alta com a menor retirada possível de pele sadia, o que a torna preferida em face, nariz, pálpebras e orelhas, e em tumores recidivados ou de bordas mal definidas.
Nas cirurgias de face, dúvidas sobre cicatriz, dormência e alteração de movimento são frequentes e legítimas. O texto sobre sequelas da cirurgia de câncer de pele no rosto detalha o que costuma ser temporário e o que merece acompanhamento.
Para lesões superficiais e para as pré-cancerosas, existem alternativas que dispensam o bisturi. A criocirurgia congela a lesão com nitrogênio líquido e é bastante usada em queratoses actínicas. A curetagem associada à eletrocoagulação raspa e cauteriza tumores pequenos e superficiais. A terapia fotodinâmica usa uma substância aplicada na pele e ativada por luz, útil quando há muitas lesões em uma mesma área, como um rosto inteiro com dano solar. A quimioterapia tópica, em creme, trata áreas extensas de pele danificada ao longo de algumas semanas, com vermelhidão e descamação esperadas durante o processo.
A radioterapia tem dois papéis. Pode ser o tratamento principal quando a cirurgia não é possível ou traria um resultado funcional e estético ruim, situação comum em tumores extensos de face em pacientes idosos. E pode ser complementar à cirurgia quando o patologista encontra margens comprometidas, invasão de nervos ou linfonodos acometidos, com o objetivo de reduzir o risco de a doença voltar no mesmo lugar.
Uma parcela dos casos precisa de medicação que circula por todo o organismo. Isso acontece quando o tumor é localmente avançado e não pode ser operado nem irradiado, quando há metástase, e no melanoma a partir de determinados estágios, inclusive depois de uma cirurgia aparentemente completa.
A imunoterapia mudou esse cenário nos últimos anos. Os inibidores de checkpoint imunológico retiram o freio que o tumor impõe às defesas do organismo e se tornaram a principal opção no melanoma avançado, no carcinoma espinocelular avançado e no carcinoma de células de Merkel. Já a terapia direcionada age sobre alterações moleculares específicas, com destaque para os inibidores da via Hedgehog no carcinoma basocelular avançado e para os inibidores de BRAF e MEK no melanoma que apresenta essa mutação. A quimioterapia clássica tem hoje papel restrito nesse contexto.
Aqui também vale a ressalva que atravessa todo o tratamento oncológico: a indicação de terapia sistêmica leva em conta as doenças associadas, a idade e a capacidade funcional do paciente, e não apenas o resultado da biópsia.
Precisa de uma avaliação oncológica para um caso de câncer de pele avançado ou de comportamento incomum? Agende sua consulta.
Os carcinomas basocelular e espinocelular tratados no início têm resultado excelente, com índices de controle local muito altos. No melanoma, o que mais pesa é a espessura do tumor na retirada, e por isso o intervalo entre notar a lesão e procurar ajuda tem impacto direto no resultado. Números de sobrevida publicados em qualquer fonte são médias de grandes grupos e não descrevem um paciente específico, cuja situação depende do tipo, do estágio, das comorbidades e da resposta ao tratamento.
Quem já teve um câncer de pele tem risco maior de desenvolver outro, e essa é a razão de o acompanhamento continuar depois da alta cirúrgica. O seguimento inclui consultas periódicas com exame de toda a pele, autoexame mensal em casa e proteção solar mantida como hábito, não como campanha de verão. O intervalo entre as consultas é definido caso a caso, e é menor em quem teve melanoma, em quem teve vários tumores e em pacientes imunossuprimidos.
Grande parte dos casos é conduzida do início ao fim pelo dermatologista, e assim deve ser. O oncologista clínico entra em cena em situações específicas: tumores que não podem ser operados, doença que voltou depois do tratamento, linfonodos acometidos, metástases, carcinoma de células de Merkel, melanoma a partir de determinada espessura e pacientes transplantados com múltiplos tumores agressivos.
Nesses cenários, o trabalho consiste em definir a sequência entre cirurgia, radioterapia e tratamento sistêmico, indicar e monitorar a imunoterapia, manejar os efeitos adversos imunomediados, ajustar as doses conforme a função renal e hepática e as demais medicações em uso, cuidar dos sintomas e escrever os relatórios necessários à autorização junto ao convênio. Casos complexos ganham quando são discutidos por uma equipe multidisciplinar que reúne dermatologista, cirurgião, patologista, radioterapeuta e oncologista clínico. Nos tumores de face e couro cabeludo, a interface com a equipe de cabeça e pescoço costuma ser decisiva para o resultado funcional.
Poucos tumores são tão evitáveis. As recomendações da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da American Cancer Society convergem em pontos práticos:
Uma observação sobre tatuagens: elas não causam câncer de pele, mas dificultam a visualização de pintas e manchas na área coberta, o que pode atrasar a percepção de uma mudança. Tatuar sobre pintas existentes deve ser evitado.
Alguns cenários no câncer de pele justificam ouvir outro especialista antes de seguir adiante:
Uma segunda opinião não interrompe o tratamento em curso nem significa desconfiança da equipe que acompanha o caso. Serve para confirmar a estratégia ou apresentar uma alternativa antes de uma decisão difícil de reverter.
Para discutir um diagnóstico recente ou revisar uma conduta já proposta, agende sua consulta.
Na maioria das vezes, sim. Os carcinomas basocelular e espinocelular diagnosticados cedo são curados com a retirada cirúrgica da lesão, com índices de sucesso muito altos, especialmente com a técnica de Mohs. O prognóstico piora quando o tumor é ignorado por anos, invade estruturas profundas ou se espalha, e no melanoma o fator decisivo é a espessura no momento do diagnóstico.
O não melanoma nasce das células basais e escamosas, é muito mais comum, cresce devagar e raramente se espalha. O melanoma nasce dos melanócitos, é bem menos frequente e tem maior capacidade de atingir linfonodos e outros órgãos. Na prática, o primeiro costuma se resolver com uma cirurgia local, enquanto o segundo exige estadiamento e, em parte dos casos, tratamento sistêmico.
Pelo tempo e pelo comportamento. Ferida comum cicatriza em duas a três semanas. Lesão que passa de quatro semanas sem fechar, que sangra ao menor toque, que forma crosta, aparenta melhorar e reabre no mesmo lugar precisa ser avaliada. Não há como diferenciar com segurança apenas pela aparência, e por isso a dermatoscopia e a biópsia existem.
Em geral não, e essa é justamente a armadilha. As lesões iniciais costumam ser indolores, o que faz muita gente esperar meses. Coceira, ardência ou dor podem aparecer, principalmente no carcinoma espinocelular, mas a ausência desses sintomas não afasta o diagnóstico.
Depende do tipo. O carcinoma basocelular costuma levar meses a anos para mudar de tamanho de forma perceptível. O carcinoma espinocelular evolui em semanas a meses. O melanoma e o carcinoma de células de Merkel podem mudar em poucas semanas. Nenhum deles regride sozinho, e a espera nunca melhora o resultado.
Os dois, em momentos diferentes. O dermatologista diagnostica e trata a maior parte dos casos, incluindo a cirurgia das lesões iniciais. O oncologista clínico assume quando há doença avançada, metástase, indicação de imunoterapia ou terapia direcionada, e nos tipos de comportamento agressivo. Nos casos complexos, os dois acompanham o paciente em conjunto.
Não. O protetor solar é a parte mais conhecida da prevenção, mas depende de quantidade adequada e de reaplicação, o que quase nunca acontece na prática. Roupa, chapéu de aba larga, óculos e sombra protegem de forma mais constante. A combinação de todos esses recursos, somada ao autoexame e à consulta periódica, é o que realmente reduz o risco.

