O que é o pâncreas e qual sua função?
O pâncreas está localizado na parte superior do abdômen e possui duas funções principais: produzir hormônios responsáveis pelo controle do açúcar no sangue, como a insulina, e fabricar enzimas que auxiliam na digestão dos alimentos.
O que são cistos pancreáticos?
De tempos em tempos, podem surgir pequenas bolsas cheias de líquido dentro do pâncreas, conhecidas como cistos pancreáticos. Na maioria dos casos, esses cistos não provocam sintomas ou problemas, e muitas pessoas desconhecem sua presença.
Os cistos são particularmente comuns em pessoas com mais de 60 anos, sendo que a maioria deles é benigna — ou seja, não se trata de câncer nem evoluirá para câncer.
No entanto, a presença de cistos pancreáticos aumenta discretamente o risco de câncer de pâncreas no futuro. Por esse motivo, ao identificar um cisto, é essencial realizar o acompanhamento médico adequado.
Quais sinais de alerta merecem atenção?
Embora a maioria dos cistos não cause sintomas perceptíveis, existem alguns sinais de alerta que merecem atenção.
- Enjoo frequente ou vômitos sem causa aparente e que não melhoram com o tempo.
- Sensação de inchaço abdominal ou desconforto na barriga.
- Dor abdominal constante ou intermitente, geralmente na parte superior do abdômen.
Caso você experimente qualquer um desses sintomas sem alívio por mais de duas semanas, é fundamental procurar orientação médica. O diagnóstico precoce permite um melhor acompanhamento e, quando necessário, tratamento adequado.
Como são descobertos os cistos pancreáticos?
Na maioria das vezes, os cistos pancreáticos são identificados acidentalmente, durante exames realizados por outros motivos, como:
- Tomografia feita após dor nas costas.
- Exames de imagem após quedas ou acidentes.
- Ultrassom ou ressonância do abdômen durante a investigação de outros problemas de saúde.
Após a detecção de um cisto, o tamanho é um dos principais fatores avaliados pelo médico. Cistos menores que 2 centímetros geralmente não exigem tratamento, a menos que provoquem sintomas.
Além do tamanho, os médicos verificam a presença de algumas características específicas, como:
- Dilatação do canal principal do pâncreas, sugerindo possível alteração.
- Presença de nódulos sólidos dentro do cisto.
- Parede do cisto mais espessa, observada em exames com contraste.
Diante de algum desses achados, pode ser necessário realizar uma biópsia para análise detalhada do líquido do cisto.
Existe relação genética com os cistos pancreáticos?
Após a biópsia, o líquido retirado do interior do cisto pode ser enviado para análise genética. Existem dois genes principais associados aos cistos pancreáticos: KRAS e GNAS. Outros genes relacionados a maior risco de câncer, como mutações no BRCA, também podem desempenhar um papel no desenvolvimento dos cistos.
Apesar disso, ainda não se sabe exatamente por que alguns cistos evoluem para câncer e outros não, o que motiva pesquisas contínuas sobre a ligação genética.
Quais são os tipos de cistos pancreáticos?
Existem vários tipos de cistos no pâncreas, com diferentes riscos de transformação em câncer:
Neoplasias mucinosas papilares intraductais (NMPI): Tipo mais comum, surge nos canais que transportam enzimas digestivas, com três subtipos:
- Do canal principal: maior risco de câncer.
- De ramo lateral: mais frequentes, com menor risco.
- Mista: presente tanto no canal principal quanto nos ramos laterais.
Neoplasias císticas mucinosas: Costumam ocorrer em mulheres jovens e saudáveis, crescendo dentro do tecido pancreático.
Neoplasias pseudopapilares sólidas: Apesar de parecerem cistos, trata-se de massas sólidas celulares.
Cistadenomas serosos: São benignos, mas podem crescer o suficiente para exigir remoção.
Pseudocistos: Benignos, surgem após inflamação do pâncreas e raramente causam problemas, exceto quando atingem grandes dimensões.
Como é feito o tratamento?
Na maioria dos casos, o acompanhamento regular com exames de rotina é o melhor tratamento, para observar se há crescimento ou alterações no cisto ao longo do tempo.
Se o cisto for canceroso ou apresentar alto risco de malignização, pode ser indicado tratamento cirúrgico. A decisão sobre a cirurgia leva em conta fatores como idade, condições gerais de saúde e características do cisto.
Durante a cirurgia, são removidos tanto o cisto quanto a parte do pâncreas afetada, o que reduz o risco de câncer. Os tipos de cirurgia variam conforme a localização do cisto:
- Procedimento de Whipple: Indicado quando o cisto está na cabeça do pâncreas (próxima ao intestino).
- Pancreatectomia distal: Realizada para cistos em outras regiões do órgão.

