O câncer de colo do útero é um dos tipos de câncer mais comuns entre as mulheres no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados mais de 17.000 novos casos por ano no país, tornando-o o terceiro tumor mais frequente entre as brasileiras. Entender o que causa o câncer de colo do útero é o primeiro passo para se proteger. A boa notícia é que, na maioria dos casos, ele pode ser prevenido — e quando detectado cedo, tem grandes chances de cura. Neste texto, respondemos às principais dúvidas sobre as causas dessa doença de forma clara e acessível.
O papel do HPV no desenvolvimento do câncer de colo do útero
O vírus HPV (Papilomavírus Humano) é responsável por mais de 90% dos casos de câncer de colo do útero. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), isso significa que, de cada 10 mulheres diagnosticadas, pelo menos 9 desenvolveram a doença por conta da infecção pelo HPV. Porém, é importante saber que contrair o HPV não significa, necessariamente, desenvolver o câncer — o sistema imunológico de muitas pessoas consegue eliminar o vírus naturalmente.
Existem dezenas de tipos de HPV, mas nem todos causam câncer. Os chamados tipos de “alto risco” são os que preocupam. Conforme orientações da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), o HPV-16 é responsável por aproximadamente metade de todos os casos de câncer de colo do útero. O HPV-18 responde por outros 20%. Outros tipos associados a maior risco incluem o HPV-31, HPV-33, HPV-45, HPV-52 e HPV-58.
Quando um exame de HPV dá positivo, o resultado geralmente informa se o tipo encontrado é de alto risco ou não, e pode especificar qual cepa foi detectada. Essa informação é importante para o acompanhamento médico adequado.
O que causa o câncer de colo do útero além do HPV?
Embora o HPV seja o principal fator, outros elementos também podem aumentar o risco. O tabagismo, por exemplo, está diretamente ligado a um maior risco de desenvolver câncer de colo do útero, conforme destacado pelo INCA. Da mesma forma, ter o sistema imunológico cronicamente comprometido — como ocorre em pessoas com HIV/AIDS ou outras condições que afetam a imunidade — também aumenta essa vulnerabilidade, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Vale destacar uma diferença importante: tratamentos de câncer que suprimem temporariamente o sistema imunológico não aumentam o risco de câncer de colo do útero. O risco está associado à imunossuppressão crônica e persistente, não à temporária. Saiba mais sobre como funciona a imunoterapia no tratamento do câncer.
Alguns estudos também apontam que o uso prolongado de anticoncepcionais orais pode estar relacionado a um risco levemente maior, embora outros fatores possam influenciar esse resultado. Por isso, é sempre importante conversar com seu médico sobre os métodos contraceptivos mais adequados para o seu caso.
Por fim, a ausência de rastreamento regular — ou seja, não fazer os exames preventivos com a frequência recomendada — é um fator que impede a detecção precoce de alterações celulares que poderiam ser tratadas antes de se tornarem um câncer. As Diretrizes Brasileiras de Rastreamento do INCA orientam sobre a periodicidade ideal para cada perfil de paciente.
Pólipo cervical tem relação com o câncer de colo do útero?
Não. Pólipo cervical e câncer de colo do útero são condições diferentes, sem relação direta entre si. Os pólipos cervicais são, na maioria das vezes, crescimentos benignos do tecido do colo do útero, sem associação com o HPV ou com o câncer. No entanto, se você tiver um pólipo, é importante comunicar ao seu ginecologista, que poderá avaliar a necessidade de uma biópsia para confirmar que se trata de algo benigno.
Displasia cervical: pré-câncer que tem tratamento
A displasia cervical ocorre quando as células do colo do útero apresentam alterações visíveis ao microscópio. Ela é considerada uma lesão pré-cancerosa — ou seja, não é câncer, mas pode se transformar em um se não for tratada. O HPV é a principal causa dessas alterações celulares, conforme orienta a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
A displasia cervical é detectada pelo exame de Papanicolau (conhecido como “preventivo”) e tem tratamento eficaz. Os resultados desse exame podem ser classificados como:
- Normal: células saudáveis, sem alterações
- Displasia ou anormal: células com alterações, mas sem confirmação de câncer
- Câncer: confirmação de células malignas (podendo ser carcinoma escamoso ou adenocarcinoma)
- Inadequado: amostra insuficiente ou comprometida, sendo necessário repetir o exame
Por isso, não pule o preventivo. Esse exame simples pode salvar vidas ao identificar problemas em estágios iniciais. Saiba mais sobre o câncer de colo do útero e como se proteger.
Como prevenir o câncer de colo do útero
Entender o que causa o câncer de colo do útero também ajuda a perceber o quanto ele pode ser evitado. A Estratégia Global da OMS para Eliminação do Câncer de Colo do Útero, lançada em 2020 e adotada por 194 países incluindo o Brasil, baseia-se em três pilares essenciais: vacinação, rastreamento e tratamento. Na prática do dia a dia, isso se traduz em três ações fundamentais:
- Vacinar-se contra o HPV. A vacina é altamente eficaz e está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de grupos específicos como imunossuprimidos e vítimas de violência sexual. Se você se enquadra em algum grupo elegível, procure a vacina na unidade de saúde mais próxima.
- Parar de fumar. O tabagismo aumenta o risco de câncer de colo do útero. Abandonar o cigarro é uma das medidas mais importantes para a saúde geral, e existem programas de apoio disponíveis no SUS.
- Fazer os exames preventivos O Papanicolau e o teste de HPV devem ser realizados conforme as recomendações da FEBRASGO e do INCA, que variam de acordo com a idade e o histórico de cada pessoa. Converse com seu ginecologista para saber qual frequência é adequada para você.
Essas três medidas juntas reduzem de forma expressiva o risco de desenvolver a doença. O câncer de colo do útero é um dos que a ciência mais avançou em termos de prevenção — e aproveitar essas ferramentas é a melhor forma de se proteger.
Se você tiver dúvidas sobre o que causa o câncer de colo do útero ou sobre seus exames de rastreamento, procure seu médico. Cuidar da saúde com informação e acompanhamento profissional faz toda a diferença.

