Tipos de câncer

Câncer de Coluna Vertebral

Os tumores da coluna podem aparecer em qualquer parte da coluna — no pescoço, no meio das costas ou na parte de baixo das costas. A maioria deles surge quando um câncer de outra parte do corpo se espalha até a coluna.

Um tumor da coluna é um crescimento anormal de células dentro ou ao redor da medula espinhal e dos ossos da coluna. Ele pode começar em diferentes lugares: nas células nervosas da medula, nos tecidos e músculos que sustentam a coluna ou nos ossos que formam a coluna, as vértebras.

Os tumores que começam na própria coluna são chamados de tumores primários. Quando o tumor chega à coluna porque um câncer de outro órgão se espalhou até ali, ele é chamado de tumor metastático. As metástases são bem mais comuns que os tumores primários.

Um tumor da coluna pode ser perigoso mesmo quando não é câncer. À medida que cresce, ele pode pressionar partes importantes da coluna e da medula e causar sintomas. Por isso, todo tumor da coluna merece atenção e avaliação médica.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) não divulga números isolados para os tumores da coluna e da medula: eles entram no grupo dos tumores do sistema nervoso central, que reúne cérebro e medula. Para o triênio de 2026 a 2028, são estimados 12.060 novos casos de câncer do sistema nervoso central por ano no país, sendo 6.500 em homens e 5.560 em mulheres. De forma geral, a chance de uma pessoa desenvolver um tumor do cérebro ou da medula ao longo da vida é inferior a 1%.

Quando o tumor fica dentro da própria medula, há informações específicas a considerar. Veja o conteúdo completo sobre tumor na medula espinhal: sintomas, tipos e tratamento.

Anatomia da coluna

A coluna é formada por ossos, músculos e ligamentos. Juntos, eles sustentam o corpo e protegem os nervos que controlam funções importantes, além da sensibilidade e dos movimentos.

As vértebras são os ossos da coluna, empilhados um sobre o outro a partir da base do cérebro. Ao redor e entre as vértebras existem nervos, articulações, músculos e cartilagem. As cinco vértebras unidas na parte inferior das costas formam o sacro. As três últimas vértebras formam o cóccix.

Ilustração da anatomia da coluna vertebral mostrando as vértebras cervicais, torácicas, lombares, o sacro e o cóccix
Anatomia da coluna vertebral e seus segmentos: vértebras cervicais, torácicas, lombares, sacro e cóccix.

A parte interna da coluna é chamada de medula espinhal. Ela contém vasos sanguíneos, células nervosas e células da glia, que ajudam o cérebro a funcionar. Três camadas de tecido, chamadas meninges, protegem a parte externa da medula: a pia-máter (camada interna), a aracnoide (camada intermediária) e a dura-máter (camada externa).

Tipos de tumores da coluna

Existem vários tipos de tumores da coluna, e os médicos costumam organizá-los pelo lugar onde aparecem. Não é preciso decorar esses nomes — o que importa é entender que o local do tumor influencia bastante os sintomas e o tratamento. De forma geral, eles se dividem em três grupos, conforme ficam mais perto ou mais longe da medula.

Tumores nos ossos da coluna (extradurais)

São os que ficam fora do revestimento da medula, atingindo principalmente os ossos da coluna, as vértebras. São o tipo mais comum, e a maior parte deles é formada por metástases — ou seja, por cânceres que começaram em outro órgão e se espalharam até a coluna. Quando o tumor nasce no próprio osso, ele pode ser benigno ou maligno.

Benignos (não são câncer):
  • Hemangioma (o mais comum);
  • Osteoblastoma;
  • Encondroma;
  • Cistos ósseos aneurismáticos;
  • Tumores de células gigantes;
  • Granuloma eosinofílico.
Malignos (são câncer):
  • Osteossarcoma;
  • Cordoma;
  • Condrossarcoma;
  • Sarcoma de Ewing;
Tumores ao redor da medula (intradurais extramedulares)

Ficam dentro do revestimento que protege a medula, mas por fora dela. Costumam ser benignos e de crescimento lento. Os mais comuns são:

  • Meningioma — nasce nas camadas que envolvem a medula; quase sempre é benigno, mas pode crescer e exigir tratamento.
  • Neurofibroma — cresce sobre os nervos e, muitas vezes, está ligado a uma condição de família (genética).
  • Schwannoma — surge nas células que recobrem os nervos; costuma ser benigno e raramente vira câncer.
Tumores dentro da medula (intramedulares)

São os que crescem dentro da própria medula espinhal — é a isso que, com precisão, chamamos de tumor na medula espinhal. São os menos comuns. Os principais são:

  • Astrocitoma — nasce das células de sustentação que ficam dentro da medula; pode ser benigno ou maligno.
  • Ependimoma — surge do revestimento por onde circula o líquido que banha a medula e o cérebro.
  • Hemangioblastoma — forma-se a partir de vasos sanguíneos.
Tumores que vêm de outro câncer (metástases)

São os tumores que chegam à coluna porque um câncer de outra parte do corpo se espalhou até ali, atingindo em geral a parte óssea das vértebras. É o tipo mais frequente de tumor da coluna. Os cânceres que mais costumam se espalhar para a coluna são os de pulmão, mama, próstata, rim e tireoide, além de alguns tumores do sangue, como os linfomas, que também podem comprimir a medula. Por isso, quem já tem ou teve câncer e passa a sentir dores nas costas deve sempre comentar isso com o médico.

Sintomas

Os sintomas dependem da localização do tumor na coluna, do seu tamanho e do tipo de tumor. Alguns tumores não causam sintomas por serem pequenos demais para pressionar os tecidos ao redor. À medida que crescem, porém, podem provocar sintomas — sobretudo dor.

A dor nas costas é o sintoma mais comum, tanto nos tumores benignos quanto nos malignos. A dor causada por um tumor da coluna costuma:

  • Não estar ligada a uma lesão, mas piorar com esforço, como exercício, espirro ou tosse;
  • Ser profunda e do tipo dolorida;
  • Começar devagar e aumentar aos poucos;
  • Persistir à noite, às vezes a ponto de atrapalhar o sono;
  • Com o tempo, tornar-se intensa mesmo em repouso;
  • Não melhorar com analgésicos comuns.

Dependendo da localização e do tipo, outros sinais podem surgir quando o tumor pressiona a medula, as raízes nervosas, os vasos ou os ossos da coluna. Entre eles:

  • Dormência, formigamento ou perda de sensibilidade nas pernas, nos braços ou no tórax;
  • Fraqueza muscular nas pernas, nos braços ou no tórax;
  • Espasmos ou contrações musculares;
  • Rigidez nas costas ou no pescoço;
  • Perda do controle do intestino e/ou da bexiga;
  • Dificuldade para caminhar, que pode causar quedas;
  • Escoliose ou outra deformidade da coluna;
  • Paralisia, em graus variados e em diferentes partes do corpo.

Fatores de risco

Pouco se sabe sobre o que causa os tumores primários da coluna vertebral, e eles não são preveníveis. Em um pequeno número de casos, porém, esses tumores podem resultar de certas condições genéticas, entre elas:

  • Neurofibromatose tipo 2 (NF2) — pessoas com essa condição hereditária (genética) podem desenvolver tumores benignos na camada aracnoide da medula espinhal ou nas células gliais de suporte.
  • Doença de von Hippel-Lindau (VHL) — esta rara condição genética está associada a tumores benignos dos vasos sanguíneos (hemangioblastomas) no cérebro, na retina e na medula espinhal, e a outros tipos de tumores nos rins ou nas glândulas suprarrenais.

Distúrbios do sistema imunológico também podem ter relação com os linfomas da medula espinhal.

Se você tem um parente de primeiro grau (irmão ou pai) com uma dessas condições, é importante procurar aconselhamento genético ou fazer um teste genético para verificar se você também pode ter a doença. Detectar os tumores da coluna vertebral em estágios iniciais geralmente proporciona o melhor prognóstico.

Diagnóstico e prevenção

Os tumores primários da coluna muitas vezes não causam sintomas e são descobertos por acaso, em um exame de imagem feito por outro motivo. Já quem tem sintomas costuma achar que a dor nas costas vem de uma lesão recente. Por isso, diante de uma dor nas costas persistente, é importante procurar o médico — especialmente quem tem histórico de câncer.

Avaliação inicial e exame neurológico

O médico pergunta sobre os sintomas e o histórico de saúde e realiza um exame físico e neurológico para procurar sinais como:

  • Sensibilidade ou dor à palpação da coluna;
  • Perda da sensibilidade à dor e/ou à temperatura;
  • Reflexos alterados;
  • Fraqueza muscular.
Exames

Além do exame físico e neurológico, o médico pode solicitar alguns exames para confirmar ou descartar a presença de um tumor:

  • Exames de imagem — a ressonância magnética é a melhor forma de visualizar a medula, os nervos e a coluna ao redor. A radiografia e a tomografia computadorizada também podem ser usadas, sobretudo para avaliar os ossos da coluna; a radiografia costuma ser o primeiro exame em quem tem câncer e apresenta dor nas costas súbita. Quando o tumor é uma metástase, os exames de imagem ajudam a procurar onde o câncer começou.
  • Biópsia — retirada de uma amostra do tumor para análise. Define se o tumor é benigno ou maligno e, no caso de câncer, qual o seu tipo e a rapidez com que cresce, o que orienta o tratamento. Pode exigir cirurgia ou, em alguns casos, ser feita com agulha fina. Nem sempre é necessária nos tumores metastáticos.
  • Cintilografia óssea — uma pequena quantidade de material radioativo é injetada na veia e, com exames de imagem, ajuda a identificar áreas alteradas nos ossos da coluna.
  • PET (tomografia por emissão de pósitrons) — usa uma pequena quantidade de substância radioativa segura, que se concentra nas áreas de maior atividade do corpo, como as células do tumor, e as evidencia na imagem. Costuma ser usado quando o médico precisa de mais informações sobre o tumor ou para verificar se um câncer de outra parte do corpo se espalhou até a coluna; em geral, não é o primeiro exame nos tumores da coluna.
  • Exames de sangue — podem detectar níveis anormais de substâncias, como o cálcio, liberadas quando há destruição do tecido ósseo.

Estadiamento e graus do tumor

O estadiamento é a forma de classificar um câncer pela quantidade de doença no corpo e por onde ela se espalhou no momento do diagnóstico. Segundo a American Cancer Society, os tumores da coluna, sejam malignos ou benignos, não são classificados por estágios da mesma forma que muitos outros tipos de câncer, porque raramente se espalham para fora do sistema nervoso central. Em vez de um estágio, os médicos atribuem ao tumor um grau, de 1 a 4, com base na aparência das células ao microscópio.

Tumor de grau 1: São tumores de baixo grau, o que significa que tendem a crescer mais lentamente e têm menor probabilidade de invadir os tecidos próximos.

Tumor de grau 2: Crescem lentamente, mas podem invadir os tecidos próximos.

Tumor de grau 3: Tendem a crescer mais rapidamente e têm maior probabilidade de invadir os tecidos próximos. Por isso, muitas vezes precisam de um tratamento mais intensivo.

Tumor de grau 4: São os que crescem mais rapidamente entre todos os graus. Podem se espalhar para outras partes da coluna ou para outras estruturas e podem reaparecer após o tratamento.

Além do grau, para alguns tumores ósseos da coluna e para as metástases o médico também avalia o quanto a coluna está afetada e se a medula está sendo pressionada, informações que ajudam a definir a urgência e o tipo de tratamento.

Tratamento

O tratamento é individualizado e depende da localização, do tamanho e do tipo do tumor. Nos tumores metastáticos, os objetivos são aliviar a dor, manter ou melhorar a função da coluna e dos nervos e melhorar a qualidade e o tempo de vida. Nos tumores primários, o objetivo é remover o tumor por completo sempre que possível, quando ele causa sintomas. Em geral, vários especialistas participam do plano de tratamento, entre eles neurologistas, cirurgiões de coluna, oncologistas clínicos e radio-oncologistas. As principais opções são:

Corticosteroides

Podem ser usados para reduzir o inchaço ao redor da medula e aliviar a pressão sobre os nervos, ajudando a controlar os sintomas.

Cirurgia

Procura remover o tumor e aliviar a pressão sobre a medula e os nervos, além de estabilizar a coluna quando necessário. Alguns tumores primários podem ser retirados por completo, com possibilidade de cura. Outros, em especial os que ficam dentro da medula, não podem ser totalmente removidos sem risco de lesão neurológica. Em metástases, a cirurgia costuma ser indicada para aliviar sintomas e dar suporte à coluna.

Radioterapia

Usa doses altas de radiação para destruir as células do tumor ou reduzir o seu tamanho, o que pode aliviar a dor e outros sintomas. A radiocirurgia estereotáxica é uma técnica que direciona feixes precisos de radiação ao tumor, com mínima exposição dos tecidos vizinhos.

Quimioterapia

Usa medicamentos para destruir as células do câncer e pode ser aplicada na veia ou por via oral, isolada ou combinada a outros tratamentos, conforme o tipo de tumor.

Terapias-alvo

São medicamentos mais modernos, voltados para alterações específicas presentes em alguns tumores. São escolhidos conforme as características do tumor de cada paciente, identificadas em exames detalhados do tecido.

Acompanhamento

Quando o tumor é benigno, não causa sintomas e não está crescendo, o médico pode optar por acompanhá-lo com exames de imagem periódicos, em vez de tratá-lo de imediato.

Convivendo com o diagnóstico

Se você tem um tumor da coluna, é importante seguir o plano de tratamento para que ele funcione da melhor forma possível. Também é importante contar com apoio para os efeitos físicos, emocionais e sociais de conviver com a dor nas costas e/ou com o câncer.

Em geral, o diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento levam a melhores resultados. Procure o médico diante de uma dor nas costas forte, que surge de repente ou que piora, especialmente se você tem histórico de câncer. Durante o tratamento, busque atendimento se aparecerem sintomas novos ou que piorem.

Descobrir um tumor na coluna assusta. Mas a equipe de saúde monta um plano de tratamento individualizado para aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida, e as consultas de acompanhamento ajudam a identificar mudanças o quanto antes.

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