Com monitoramento frequente e tratamentos que vão da cirurgia à imunoterapia, tumor apresenta bom prognóstico quando diagnosticado precocemente
A bexiga é um órgão oco localizado na região inferior do abdômen, responsável por armazenar a urina produzida pelos rins antes de ser eliminada do corpo. O câncer de bexiga ocorre quando células malignas começam a se reproduzir de forma descontrolada nessa parte do organismo.
Embora possa acometer pessoas de diferentes idades, a incidência aumenta significativamente após os 55 anos, sendo mais comum em homens. Na maioria dos casos, o câncer de bexiga é diagnosticado em estágios iniciais, quando ainda está restrito ao revestimento interno do órgão, o que facilita o tratamento e melhora significativamente as chances de cura.
Em condições normais, a bexiga funciona como um reservatório que recebe a urina dos rins através dos ureteres, armazena esse líquido e o elimina do corpo por meio da uretra durante a micção. Sua parede é composta por várias camadas de tecido que permitem a expansão e contração necessárias para o armazenamento e eliminação da urina.
O câncer de bexiga é classificado de acordo com o tipo de célula em que se inicia e a profundidade de invasão na parede do órgão. Compreender essas classificações é fundamental para determinar o tratamento mais adequado e o prognóstico de cada caso.
O câncer de bexiga também é classificado com base no grau de disseminação dentro e fora da bexiga. As opções de tratamento de um paciente são frequentemente determinadas por essa característica, que é estabelecida através dos exames diagnósticos e da análise do material obtido durante a ressecção transuretral.
Em casos raros, o câncer de bexiga pode estar associado a síndromes hereditárias que aumentam o risco de desenvolver diversos tipos de câncer. Pacientes com histórico familiar significativo de câncer de bexiga ou que apresentam a doença em idade precoce podem se beneficiar de aconselhamento genético. A identificação de mutações genéticas hereditárias pode ter implicações não apenas para o paciente, mas também para seus familiares, permitindo estratégias de vigilância e prevenção mais adequadas.
Esse tipo de câncer frequentemente evolui de forma assintomática nos estágios iniciais. Quando os sintomas aparecem, eles podem incluir um ou mais dos seguintes problemas:
Em casos de metástase, podem surgir sintomas como dor contínua nos ossos, que geralmente se manifesta na parte inferior das costas e na região pélvica, além do quadril e das coxas.
Esses sintomas nem sempre significam que você tem câncer de bexiga. No entanto, é importante discutir quaisquer sintomas com seu médico, pois eles podem indicar outros problemas de saúde que também requerem atenção.
O desenvolvimento do câncer de bexiga está associado a diversos fatores que aumentam a probabilidade de ocorrência da doença em relação à média populacional. Conhecer esses fatores é fundamental para compreender a origem do tumor e orientar medidas preventivas.
Atualmente, não existe uma recomendação formal para o rastreamento populacional do câncer de bexiga em indivíduos que não apresentam sintomas. O diagnóstico é frequentemente realizado quando o paciente manifesta sinais de alerta, sendo o mais comum a presença de sangue na urina. Nesses casos, é fundamental procurar avaliação médica para investigação adequada.
Ao surgir sintomas sugestivos de câncer de bexiga, o médico irá conduzir uma avaliação minuciosa. Essa abordagem inclui o exame físico, além da coleta de informações detalhadas sobre o estado de saúde do paciente, seus hábitos de vida — como tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas — e histórico médico familiar. Esses dados são essenciais para orientar o diagnóstico e definir a necessidade de exames complementares.
O processo de investigação do câncer de bexiga envolve diversos exames, que auxiliam na identificação da doença e na exclusão de outras condições que possam causar sintomas semelhantes. Entre os exames utilizados estão:
A escolha do tratamento para o câncer de bexiga é determinada por fatores como estágio e grau do tumor, idade e saúde geral do paciente, além das preferências individuais. A definição da melhor opção deve sempre ser realizada pelo médico responsável.
A cirurgia é um dos pilares do tratamento do câncer de bexiga, sendo indicada para a maioria dos pacientes. Muitas vezes, é combinada com outros métodos terapêuticos, que podem ser administrados antes ou após o procedimento cirúrgico.
Cirurgiões frequentemente utilizam técnicas minimamente invasivas, como cistectomia robótica e reconstrução robótica. Esses métodos podem resultar em internações hospitalares mais curtas, menor perda de sangue e recuperação mais rápida.
Os dois principais tipos de cirurgia para câncer de bexiga são:
Após a remoção da bexiga, são realizados procedimentos para criar uma nova via de armazenamento e eliminação da urina. As principais técnicas incluem:
Medicamentos de quimioterapia têm como objetivo eliminar as células cancerígenas, controlar o crescimento tumoral ou aliviar sintomas. O tratamento pode ser realizado com um ou mais medicamentos, conforme o tipo de câncer e sua agressividade. A quimioterapia é indicada, principalmente, quando há risco elevado de metástase e pode ser administrada antes da cirurgia em casos de tumores invasivos.
São terapias que associam medicamentos anticancerígenos a anticorpos desenvolvidos para identificar células tumorais, permitindo administração de doses altas com menos efeitos colaterais. Atualmente, estão aprovados para o tratamento de câncer de bexiga metastático, com pesquisas em andamento para ampliar sua indicação.
Esses medicamentos pertencem à imunoterapia e atuam impedindo que o sistema imunológico se desligue antes da eliminação completa do câncer. São utilizados principalmente em estágios avançados da doença (estágio IV) e estão sendo avaliados em ensaios clínicos para outros contextos.
Medicamentos de terapia direcionada agem bloqueando o crescimento ou a disseminação do câncer em nível celular, interferindo em moléculas ou genes específicos essenciais para as células cancerígenas. Atualmente, estão aprovados para câncer de bexiga em estágio IV com determinadas mutações genéticas.
A radioterapia utiliza feixes de energia concentrados para destruir células cancerígenas, com técnicas que permitem alta precisão e menos danos a tecidos saudáveis. Os principais tipos incluem a radioterapia de intensidade modulada (IMRT) e a radioterapia volumétrica modulada por arco (VMAT). Normalmente, a radioterapia é combinada com quimioterapia e ressecção transuretral.
Indicada para câncer superficial de bexiga, devido à alta taxa de recorrência. Após raspagem da parede da bexiga, um medicamento é administrado via cateter para destruir células tumorais remanescentes e prevenir recidiva, podendo ser o BCG (imunoterapia) ou quimioterapia.
Consiste na modificação do DNA do paciente para combater o câncer, podendo inserir genes saudáveis, alterar genes anormais, inibir crescimento celular ou prevenir produção de células doentes. É indicada em casos de câncer de bexiga não invasivo que não responde à terapia intravesical.
Por precaução, pacientes diagnosticados com câncer de bexiga devem seguir um protocolo rigoroso de acompanhamento, mesmo após tratamento bem-sucedido. O câncer de bexiga tem alta taxa de recorrência, especialmente os tumores não músculo-invasivos, o que torna o monitoramento regular essencial.
O acompanhamento geralmente inclui cistoscopias periódicas para visualizar diretamente o interior da bexiga e detectar precocemente qualquer recorrência. A frequência desses exames depende do risco individual: pacientes com tumores de baixo risco podem fazer cistoscopias a cada seis a doze meses inicialmente, enquanto aqueles com maior risco precisam de avaliações mais frequentes.
Exames de urina, incluindo citologia, são realizados regularmente para detectar células anormais. Exames de imagem como tomografia ou ressonância podem ser solicitados periodicamente para monitorar a bexiga e órgãos adjacentes, especialmente em casos de tumores mais avançados.
A duração do acompanhamento é prolongada, frequentemente ao longo de toda a vida do paciente, dado o risco de recorrência mesmo anos após o tratamento inicial. Manter esse acompanhamento rigoroso é fundamental para detectar e tratar precocemente qualquer retorno do tumor, garantindo as melhores chances de cura.



