Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados mais de 17 mil novos casos de câncer de colo de útero por ano no Brasil, com aproximadamente 6 mil mortes anuais.
A boa notícia é que o câncer de colo de útero é uma das neoplasias mais preveníveis e curáveis quando diagnosticado precocemente. Este guia completo traz todas as informações essenciais sobre esta doença que pode ser evitada com medidas simples e eficazes.
Resposta rápida: o essencial sobre câncer de colo de útero
O que é? Câncer causado principalmente pelo HPV que afeta o colo do útero – a parte inferior do útero que se conecta à vagina.
Principal causa: Infecção persistente por HPV (papilomavírus humano), especialmente os tipos 16 e 18, responsáveis por 70% dos casos.
Como prevenir?
- Vacina contra HPV (disponível gratuitamente no SUS)
- Exame preventivo Papanicolaou regular (a cada 1-3 anos)
Tem cura? Sim! Taxa de cura superior a 90% quando diagnosticado em estágios iniciais.
Principais sintomas: Sangramento vaginal irregular, corrimento com odor fétido, dor pélvica (geralmente em estágios avançados).
Tratamento: Cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou combinação, dependendo do estágio da doença.
Vacine-se contra o HPV: A vacina está disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos.
O que é câncer de colo de útero?
O câncer de colo de útero é uma doença caracterizada pelo crescimento anormal e descontrolado de células localizadas no colo do útero – a porção inferior do útero que conecta o corpo uterino à vagina.
Diferentemente de outros tipos de câncer, o câncer de colo de útero tem evolução lenta e progressiva. As células normais do colo uterino passam por transformações graduais chamadas displasias ou lesões precursoras, que podem levar de 10 a 20 anos para evoluir para um câncer invasivo, conforme orientações da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
Lesões precursoras do câncer de colo de útero
Essas lesões precursoras são classificadas como:
- NIC 1 (Neoplasia Intraepitelial Cervical grau 1): lesão de baixo grau, geralmente regride espontaneamente
- NIC 2 (grau 2): lesão de alto grau que requer tratamento
- NIC 3 (grau 3): lesão de alto grau mais avançada, com maior risco de progressão
Quando não tratadas, essas lesões podem progredir para o câncer de colo de útero invasivo. A boa notícia é que essa progressão lenta permite que o rastreamento com exame preventivo detecte e trate as lesões antes que se tornem câncer.
Câncer de colo de útero e HPV: qual a relação?
O papilomavírus humano (HPV) é responsável por mais de 95% dos casos de câncer de colo de útero, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Existem mais de 150 tipos de HPV, mas os tipos oncogênicos (que causam câncer) mais perigosos são:
- HPV 16: responsável por cerca de 50% dos casos de câncer de colo de útero
- HPV 18: responsável por aproximadamente 20% dos casos
- HPV 31, 33, 45, 52 e 58: respondem pelos demais casos
Como o HPV causa câncer de colo de útero?
A infecção por HPV é extremamente comum – estima-se que 80% das pessoas sexualmente ativas terão contato com o vírus em algum momento da vida. Na maioria dos casos (cerca de 90%), o próprio sistema imunológico elimina o vírus naturalmente em até 2 anos.
Porém, quando a infecção persiste, especialmente pelos tipos oncogênicos, o DNA viral se integra ao DNA das células do colo do útero, causando alterações que podem levar ao desenvolvimento do câncer de colo de útero ao longo de anos ou décadas.
📍 Importante: A presença de HPV não significa que você terá câncer de colo de útero. A maioria das pessoas elimina o vírus, mas o acompanhamento médico é fundamental.
Quais são os principais fatores de risco para câncer de colo de útero?
Além da infecção persistente por HPV, outros fatores aumentam o risco de desenvolver câncer de colo de útero, conforme diretrizes da Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC):
Fatores de alto risco para câncer de colo de útero:
- Não realizar o exame preventivo (Papanicolaou) regularmente: Principal fator de risco modificável
- Tabagismo: Fumantes têm risco 2 a 3 vezes maior de desenvolver câncer de colo de útero
- Sistema imunológico enfraquecido: HIV/AIDS, transplantados, uso de medicamentos imunossupressores
- Início precoce da atividade sexual: Antes dos 16 anos aumenta exposição ao HPV
Fatores de risco moderado:
- Múltiplos parceiros sexuais ou parceiro com múltiplas parceiras
- Histórico de outras infecções sexualmente transmissíveis (clamídia, herpes genital)
- Multiparidade (muitas gestações – 3 ou mais partos)
- Uso prolongado de anticoncepcional oral (mais de 5 anos)
- Baixa condição socioeconômica e dificuldade de acesso a serviços de saúde
- Histórico familiar de câncer de colo de útero
Por que o tabagismo aumenta o risco de câncer de colo de útero?
O cigarro contém substâncias cancerígenas que se concentram no muco cervical, danificam o DNA das células do colo do útero e enfraquecem o sistema imunológico, dificultando a eliminação do HPV.
Sintomas de câncer de colo de útero: como identificar
Um dos aspectos mais desafiadores do câncer de colo de útero é que os estágios iniciais geralmente são assintomáticos. Por isso, o exame preventivo é fundamental – ele detecta a doença antes mesmo dos sintomas aparecerem.
Câncer de colo de útero tem sintomas iniciais?
Lesões precursoras e cânceres em estágio muito inicial raramente causam sintomas. Quando o câncer de colo de útero começa a apresentar sinais, os mais comuns são:
Sintomas precoces do câncer de colo de útero:
- Sangramento vaginal irregular: Entre menstruações, após relações sexuais, após exame ginecológico ou após a menopausa (sintoma mais comum)
- Corrimento vaginal anormal: Odor fétido, coloração amarelada, rosada, marrom ou com sangue
- Sangramento menstrual alterado: Mais prolongado e intenso que o habitual
- Dor ou desconforto durante relações sexuais (dispareunia)
- Sangramento pós-coito: Qualquer sangramento após relação sexual deve ser investigado
Sintomas de câncer de colo de útero avançado:
Quando a doença progride sem tratamento, podem surgir sintomas mais graves:
- Dor pélvica persistente ou crônica
- Perda de peso inexplicada (mais de 5 kg em curto período)
- Fadiga extrema e fraqueza constante
- Inchaço nas pernas (edema de membros inferiores) – indica obstrução linfática
- Dor lombar intensa e persistente
- Dificuldade para urinar ou sangue na urina (hematúria)
- Dificuldade para evacuar ou sangue nas fezes
- Perda involuntária de urina ou fezes pela vagina (fístulas vésico-vaginais ou reto-vaginais)
- Dor óssea (em casos de metástases ósseas)
Está com sintomas? Consulte um ginecologista imediatamente. O diagnóstico precoce do câncer de colo de útero salva vidas.
📍Importante: A presença desses sintomas não significa necessariamente câncer de colo de útero, pois podem estar relacionados a outras condições ginecológicas benignas. No entanto, qualquer sangramento vaginal anormal deve ser investigado prontamente.
Como prevenir o câncer de colo de útero?
A prevenção do câncer de colo de útero é altamente eficaz e se baseia em duas estratégias principais: prevenção primária (vacinação contra HPV) e prevenção secundária (rastreamento com exame preventivo), conforme recomendações do Ministério da Saúde.
Vacina contra HPV: proteção contra o câncer de colo de útero
A vacinação contra HPV é a forma mais moderna e eficiente de prevenir o câncer de colo de útero. As vacinas disponíveis protegem contra os tipos de HPV responsáveis por aproximadamente 90% dos casos, segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim).
| Público | Disponibilidade |
| Meninas e meninos de 9 a 14 anos | Vacina quadrivalente gratuita no SUS (2 doses com intervalo de 6 meses) |
| Pessoas imunossuprimidas (9 a 45 anos) | Vacina gratuita no SUS (HIV/AIDS, transplantados, oncológicos) |
| Mulheres e homens até 45 anos | Clínicas particulares (vacina nonavalente – protege contra 9 tipos de HPV) |
A vacina é mais eficaz quando administrada antes do início da vida sexual, mas mesmo quem já teve contato com HPV pode se beneficiar, pois a vacina protege contra diferentes tipos do vírus.
Agende a vacinação: Procure uma Unidade Básica de Saúde ou clínica de vacinação. A vacina contra HPV é segura e pode prevenir não apenas o câncer de colo de útero, mas também outros cânceres relacionados ao HPV.
Exame preventivo do câncer de colo de útero: Papanicolaou
O exame de Papanicolaou (também chamado de preventivo, citopatológico ou citologia oncótica) é o principal método de rastreamento do câncer de colo de útero no Brasil e no mundo, conforme diretrizes da American Cancer Society e do INCA.
Como funciona o exame de Papanicolaou:
Durante a consulta ginecológica, o médico:
- Introduz um espéculo vaginal para visualizar o colo do útero
- Coleta células do colo do útero usando uma espátula e escovinha
- O material é colocado em uma lâmina ou frasco com líquido conservante
- Envia para análise laboratorial (resultado em 2-4 semanas)
O exame identifica alterações celulares que podem ser tratadas antes de se transformarem em câncer de colo de útero.
Quando fazer o exame preventivo do câncer de colo de útero:
Início do rastreamento:
- A partir dos 25 anos OU
- 3 anos após início da atividade sexual (o que ocorrer primeiro)
Periodicidade:
- Primeiros 2 anos: Exame anual
- Se ambos normais: A cada 3 anos (até os 64 anos)
- Mulheres com HIV: Rastreamento anual, independentemente de resultados anteriores
Quando parar:
- Mulheres acima de 64 anos com pelo menos 2 exames negativos consecutivos nos últimos 5 anos
- Mulheres após histerectomia total, EXCETO se houve histórico de lesões pré-cancerosas ou câncer de colo de útero
Preparação para o exame preventivo:
48 horas antes do exame, evite:
- Relações sexuais
- Duchas vaginais
- Medicamentos vaginais (cremes, óvulos)
- Produtos intravaginais
- Exames intravaginais (ultrassom transvaginal)
Não realize durante:
- Período menstrual (agende fora da menstruação)
O exame de Papanicolaou dói?
O exame é rápido (cerca de 5 minutos) e pode causar leve desconforto, mas geralmente não dói. Relaxar a musculatura pélvica ajuda a minimizar o desconforto.
Agende seu exame preventivo hoje: O Papanicolaou é gratuito em qualquer Unidade Básica de Saúde do Brasil. Não deixe para depois! Este exame pode reduzir em até 80% a mortalidade por câncer de colo de útero.
Outras medidas de prevenção do câncer de colo de útero:
- Uso de preservativos: Reduz em até 70% o risco de infecção por HPV
- Evitar tabagismo: Não fumar diminui significativamente o risco de desenvolver câncer de colo de útero
- Fortalecer o sistema imunológico: Alimentação saudável, exercícios físicos regulares e sono adequado
- Limitar número de parceiros sexuais: Reduz exposição ao HPV
Como é feito o diagnóstico de câncer de colo de útero?
Quando o exame de Papanicolaou detecta alterações, são necessários exames complementares para confirmar o diagnóstico de câncer de colo de útero:
Colposcopia para investigação do câncer de colo de útero
Exame que permite visualizar o colo do útero com aumento de 10 a 40 vezes, utilizando um aparelho chamado colposcópio.
Como é realizado:
- O médico aplica soluções (ácido acético 3-5% e solução de iodo/lugol) que destacam áreas anormais
- Áreas suspeitas ficam brancas (acetobrancas) após ácido acético
- Durante a colposcopia, pode ser realizada biópsia das áreas suspeitas
Duração: 15-20 minutos
Desconforto: Mínimo, semelhante ao Papanicolaou
Biópsia: exame confirmatório do câncer de colo de útero
Remoção de pequeno fragmento de tecido do colo do útero para análise anatomopatológica. É o exame definitivo que confirma o diagnóstico de câncer de colo de útero, identificando:
- Tipo histológico (celular)
- Grau de diferenciação celular
- Profundidade de invasão
Tipos histológicos mais comuns do câncer de colo de útero:
- Carcinoma espinocelular (escamoso): 80-85% dos casos
- Adenocarcinoma: 10-15% dos casos
- Carcinoma adenoescamoso: 3-5% dos casos
- Outros tipos raros: Menos de 2%
Exames de estadiamento do câncer de colo de útero
Após confirmação diagnóstica, exames de imagem determinam a extensão da doença:
Exames de rotina:
- Ultrassonografia transvaginal e pélvica
- Radiografia de tórax (PA e perfil)
- Exames laboratoriais (hemograma, função renal e hepática)
Exames avançados:
- Ressonância magnética de pelve: Padrão-ouro para estadiamento local
- Tomografia computadorizada de abdômen e pelve com contraste
- PET-CT: Casos selecionados (suspeita de metástases, recidiva)
- Cistoscopia: Suspeita de invasão vesical
- Retossigmoidoscopia: Suspeita de invasão retal
Estadiamento do câncer de colo de útero (FIGO 2018)
O sistema mais utilizado mundialmente é a classificação da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), atualizada em 2018:
Tabela de Estadiamento do Câncer de Colo de Útero
| Estágio | Localização | Taxa Sobrevida 5 anos | Tratamento Principal |
| I | Confinado ao colo | 80-93% | Cirurgia |
| II | Além do colo | 60-75% | Quimiorradioterapia |
| III | Parede pélvica | 30-50% | Quimiorradioterapia |
| IV | Metástases | 15-20% | Quimioterapia paliativa |
Tratamento do câncer de colo de útero
O tratamento do câncer de colo de útero depende do estágio da doença, tipo histológico, tamanho tumoral, idade da paciente e desejo de preservar fertilidade, conforme diretrizes da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e do National Comprehensive Cancer Network (NCCN).
Tratamento de lesões precursoras do câncer de colo de útero
Lesões pré-cancerosas (NIC 2 e NIC 3) podem ser tratadas com procedimentos ambulatoriais ou cirúrgicos simples:
- Cauterização ou eletrocoagulação: Destruição térmica das células anormais
- Crioterapia: Congelamento das lesões com nitrogênio líquido
- Cirurgia de Alta Frequência (CAF): Remoção com alça elétrica
- Conização: Remoção de fragmento cônico do colo (diagnóstica e terapêutica)
Taxa de sucesso: > 95% de cura para lesões precursoras
Tratamento cirúrgico do câncer de colo de útero
A cirurgia é o tratamento preferencial para estágios iniciais, conforme orientações da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO):
Estágios muito iniciais (IA1) com desejo de preservar fertilidade:
- Conização: Remove apenas lesão com margem de segurança
- Permite gestações futuras
- Acompanhamento rigoroso necessário
Estágios iniciais (IA2, IB1 pequeno) com desejo de preservar fertilidade:
- Traquelectomia radical: Remoção do colo do útero preservando o corpo uterino
- Permite gestações futuras (com cerclagem)
- Indicada para tumores < 2cm
Estágios IA1-IB1:
- Histerectomia simples: Remoção do útero (IA1)
- Histerectomia radical (cirurgia de Wertheim-Meigs): Remoção do útero, colo, parte superior da vagina, paramétrios e ligamentos útero-sacros
- Linfadenectomia pélvica: Remoção de linfonodos pélvicos para estadiamento
Vias de acesso cirúrgico:
- Abdominal (laparotomia – incisão aberta)
- Laparoscópica (minimamente invasiva)
- Robótica (alta precisão, recuperação mais rápida)
Radioterapia para câncer de colo de útero
A radioterapia é fundamental no tratamento, especialmente em estágios localmente avançados (IB2-IVA), segundo diretrizes da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT):
Radioterapia externa (teleterapia):
- Aplicada por aparelho externo (acelerador linear)
- Direcionada à pelve (útero, colo, vagina e linfonodos pélvicos)
- Dose típica: 45-50,4 Gy em 25-28 frações (5 semanas)
- Frequência: 5 dias por semana (segunda a sexta)
Braquiterapia:
- Radiação aplicada internamente, diretamente no colo do útero e tumor
- Permite doses mais altas no tumor com menor toxicidade aos órgãos adjacentes (bexiga, reto)
- Tipos: Baixa dose contínua (LDR) ou Alta dose (HDR – mais comum atualmente)
- Geralmente 4-5 aplicações após radioterapia externa
Vantagens da braquiterapia:
- Dose máxima no tumor
- Proteção de órgãos sadios
- Essencial para controle local da doença
Quimioterapia para câncer de colo de útero
A quimioterapia pode ser utilizada em diferentes contextos:
Quimioterapia concomitante à radioterapia (quimiorradioterapia):
- Padrão-ouro para estágios IB2-IVA
- Cisplatina semanal durante radioterapia (40 mg/m² – 5-6 ciclos)
- Aumenta taxa de cura em 30-50% comparado à radioterapia isolada
Quimioterapia paliativa (estágio IVB – doença metastática):
- Objetivo: Controlar doença, aliviar sintomas, prolongar sobrevida
- Esquemas principais: Cisplatina + paclitaxel, Carboplatina + paclitaxel
- Duração: 6 ciclos ou até progressão/toxicidade
Imunoterapia e terapias-alvo para câncer de colo de útero
Para câncer de colo de útero metastático ou recorrente, segundo aprovação da ANVISA e FDA:
Imunoterapia:
- Pembrolizumab (Keytruda): Inibidor de checkpoint PD-1
- Indicado para tumores PD-L1 positivos
- Melhora sobrevida em casos selecionados
Terapia antiangiogênica:
- Bevacizumab (Avastin): Anticorpo anti-VEGF
- Combinado com quimioterapia em primeira linha
- Aumenta sobrevida global em ~4 meses
Câncer de colo de útero tem cura?
Sim, o câncer de colo de útero tem cura, especialmente quando diagnosticado precocemente. As taxas de sobrevida em 5 anos variam conforme o estágio no momento do diagnóstico, segundo dados do American Joint Committee on Cancer (AJCC):
Taxas de sobrevida do câncer de colo de útero por estágio:
- Estágio 0 (lesões precursoras): ~100% de cura com tratamento adequado
- Estágio I: 80-93% de sobrevida em 5 anos
- Estágio II: 60-75% de sobrevida em 5 anos
- Estágio III: 30-50% de sobrevida em 5 anos
- Estágio IV: 15-20% de sobrevida em 5 anos
Acompanhamento após tratamento do câncer de colo de útero
Após completar o tratamento, o acompanhamento regular é essencial para detectar recidivas precocemente e gerenciar sequelas, conforme protocolos da American Society of Clinical Oncology (ASCO):
Primeiros 2 anos (período de maior risco de recidiva):
- Consultas a cada 3-4 meses
- Exame físico completo
- Exame ginecológico
- Citologia (Papanicolaou) da cúpula vaginal
Anos 3-5:
- Consultas a cada 6 meses
Após 5 anos:
- Consultas anuais indefinidamente
Estatísticas do Câncer de Colo de Útero no Brasil
Segundo dados do INCA, o cenário do câncer de colo de útero no Brasil apresenta números importantes:
Dados epidemiológicos nacionais (2023-2025):
- 17.010 casos novos estimados anualmente
- 6.627 mortes registradas em 2021
- Taxa de incidência nacional: 13,25 casos por 100.000 mulheres
- 3º câncer mais comum entre mulheres brasileiras
- 4ª causa de morte por câncer em mulheres no Brasil
Desafios do câncer de colo de útero no Brasil:
- Desigualdade regional no acesso a rastreamento
- Baixa adesão à vacina HPV (hesitação vacinal)
- Diagnóstico tardio (40% diagnosticados em estágios III-IV)
- Dificuldade de acesso à braquiterapia em algumas regiões
Mitos e Verdades sobre Câncer de Colo de Útero
Esclarecendo dúvidas comuns:
❌ MITO: “Só quem tem muitos parceiros sexuais desenvolve câncer de colo de útero”
✅ VERDADE: Qualquer pessoa exposta ao HPV pode desenvolver, mesmo com um único parceiro sexual. O HPV é extremamente comum.
❌ MITO: “A vacina HPV é só para quem nunca teve relações sexuais”
✅ VERDADE: A vacina é mais eficaz antes da vida sexual, mas pode beneficiar quem já iniciou atividade sexual.
❌ MITO: “Se o Papanicolaou deu normal, nunca vou ter câncer”
✅ VERDADE: É preciso repetir o exame regularmente (a cada 1-3 anos), pois o câncer pode se desenvolver entre os exames.
❌ MITO: “Quem se vacinou contra HPV não precisa fazer Papanicolaou”
✅ VERDADE: A vacina protege contra os principais tipos de HPV, mas não contra todos. O exame preventivo continua essencial.
❌ MITO: “Câncer de colo de útero é hereditário”
✅ VERDADE: Não é uma doença hereditária. A causa principal é infecção por HPV, um vírus transmitido sexualmente.
Perguntas Frequentes sobre Câncer de Colo de Útero
-
O que é câncer de colo de útero?
O câncer de colo de útero é uma doença caracterizada pelo crescimento anormal de células no colo do útero, causada principalmente pela infecção persistente por HPV.
-
Câncer de colo de útero tem cura?
Sim, o câncer de colo de útero tem cura, especialmente quando diagnosticado precocemente. As taxas de sobrevida em 5 anos são de 80-93% para estágio I e quase 100% quando detectado em fase pré-invasiva.
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Quais são os sintomas do câncer de colo de útero?
Nos estágios iniciais geralmente não há sintomas. Quando presentes, os sintomas mais comuns são sangramento vaginal irregular, corrimento com odor fétido e dor pélvica.
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Como prevenir o câncer de colo de útero?
A prevenção inclui: vacinação contra HPV (disponível gratuitamente no SUS para 9-14 anos), exame preventivo Papanicolaou regular (a cada 1-3 anos), uso de preservativos e não fumar.
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Qual a relação entre HPV e câncer de colo de útero?
O HPV (papilomavírus humano) é responsável por mais de 95% dos casos de câncer de colo de útero. Os tipos 16 e 18 causam cerca de 70% dos casos.
A prevenção do câncer de colo de útero salva vidas
O câncer de colo de útero é uma doença evitável e curável. A combinação de vacinação contra HPV e realização regular do exame de Papanicolaou pode reduzir drasticamente os casos e mortes por esta doença.
Principais mensagens:
✅ Vacine-se contra HPV: Disponível gratuitamente no SUS para 9-14 anos
✅ Faça o exame preventivo regularmente: Papanicolaou a cada 1-3 anos
✅ Não espere sintomas aparecerem: Câncer inicial é assintomático
✅ Diagnóstico precoce = alta chance de cura: >90% de sobrevida
✅ Use preservativo: Reduz risco de HPV
✅ Não fume: Tabagismo aumenta 2-3x o risco
Lembre-se: O câncer de colo de útero muitas vezes surge apenas em estágios avançados quando os sintomas aparecem. Previna-se, vacine-se e faça seus exames regularmente.

